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Educação Física e capoeira como agentes de inclusão para alunos cegos

Este é o título da dissertação do mestre em Educação Antenor Neto. A seguir, disponibilizamos uma versão do resumo e o link para acesso à obra na íntegra.

às 20h16
A primeira dissertação publicada com capa e resumo em braile disponibilizada no site do Programa de Pós-Graduação em Educação ainda conta com recurso de áudio descrição
A primeira dissertação publicada com capa e resumo em braile disponibilizada no site do Programa de Pós-Graduação em Educação ainda conta com recurso de áudio descrição
Antenor de Oliveira Silva Neto é Mestre em Educação pela Unit
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Antenor de Oliveira Silva Neto
Mestre em Educação da Universidade Tiradentes

Educação física e a capoeira têm um importante papel na inclusão escolar. Entendendo a subjetividade da capoeira em suas linhas, é possível percebê-la enquanto luta, dança, arte, cultura, esporte, jogo, educação, lazer e até filosofia de vida. Trabalha-la com algum destes seguimentos ou até todos eles ao mesmo tempo é o que a torna rica.

A capoeira envolve indivíduos com habilidades diferentes, respeitando o tempo e possibilidades de cada um. Nela, não é possível se desenvolver isoladamente, por ser coletiva. Sua prática também não exige que os alunos atinjam o mesmo nível técnico, apenas que realizem os movimentos em harmonia com seus pares.

Com isso, considero a capoeira um importante agente para inclusão de alunos com deficiência, especialmente os cegos, por permitir a participação de todos de forma cooperativa, aceitando o outro com o mesmo grau de importância no processo.

A capoeira é uma excelente atividade física que pode ajudar na formação integral do aluno, atua de maneira direta e indireta sobre os aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais de cada um. É trabalhado equilíbrio, coordenação, velocidade, agilidade, flexibilidade, força e resistência nos aspectos motores. Todas essas valências físicas são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa com cegueira, tendo em vista que, pelo fato de não enxergar, diminuem as chances de movimentação corporal. E um dos benefícios dessa prática é, justamente, proporcionar maior consciência corporal.

Já os aspectos cognitivos, afetivos e sociais estão interligados entre si. Na capoeira, o aluno visualiza o colega não como um adversário, mas como alguém necessário para que a “brincadeira” aconteça. Percebi isso durante as aulas que tive oportunidade de acompanhar durante a produção da minha dissertação de Mestrado. Na ocasião, os alunos estavam em círculo e o professor chamava-os ao centro da roda. Por alguns instantes, apenas um se colocava a disposição e o “jogo” não acontecia.

Mas quando as relações sociais e afetivas foram estabelecidas, a partir do envolvimento dos demais colegas, a prática da capoeira se desenvolveu de forma harmônica. Esse fato desencadeou relações interpessoais, de grupo, autoconfiança e aumento da autoestima. É importante destacar que não há um único método eficaz de ensino-aprendizagem para alunos cegos. É na reflexão sobre cada metodologia aplicada que a prática se torna a mais adequada para o trabalho.

Inclusão

A inclusão escolar precisa se tornar uma realidade para que a sociedade assegure a democracia como uma prática comum. Porém, para que a escola seja inclusiva, é preciso que os professores estejam cientes dessa necessidade e tenham o mínimo de conhecimento e preparo, pois quando se depara com um aluno que apresente alguma deficiência, eles ainda ficam inseguros quanto à metodologia de ensino.

Ainda que existam formações específicas, estes profissionais precisam sair da graduação preparados para enfrentar situações de trabalho com PcD. É importante que os professores trabalhem com a proposta da educação inclusiva e, assim, se percebam aptos a desenvolver, discutir e encontrar soluções sobre as dificuldades enfrentadas pela escola.

É relevante destacar que não existe um método perfeito para aplicar nesse processo, todavia, o professor, a partir dos conhecimentos da educação inclusiva, pode combinar inúmeros procedimentos e promover aprendizagem sem exceção.

Nesta perspectiva, os ambientes propiciam integração social, auxiliando a desenvolver potencialidades dentro das escolas, pois há promoção de interação social e todas suas habilidades. A capacidade de indignação frente às injustiças, de não aceitar que nossos pares sejam tratados como indesejáveis, nos mantém determinados e empenhados para a solução da causa. A luta pela inclusão acontece no dia a dia, enxergando o nosso próximo com respeito, independentemente do tipo e nível de deficiência.

Quando as PcD forem incluídas na sociedade de fato, poderemos dizer que houve mudança de cultura. Não é uma tarefa simples, mas acredito ser possível. Por isso que continuaremos a defender a causa, colaborando com estudos que assegurem métodos e novas práticas nesse sentido.

A primeira dissertação publicada com capa e resumo em braile e disponibilizada no site do Programa de Pós-Graduação em Educação ainda conta com recurso de áudio descrição. Acesse aqui no link e confira a obra!

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