A Bateria de Avaliação da Coordenação Motora para Cadeirantes (BACMoC) é um protocolo criado e validado por pesquisadores brasileiros, liderados por Cássio Murilo Almeida Lima Júnior, com colaboração de Estélio Dantas, Victoria Vieira Abreu e Divaldo Martins de Souza. Desenvolvido na Universidade Tiradentes (SE), o BACMoC nasceu da necessidade de mensurar, com rigor científico, as habilidades de coordenação motora de pessoas que utilizam cadeira de rodas — um grupo de cerca de 3,5 milhões de brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE, 2019).

O que é e por que importa
O BACMoC é uma bateria padronizada de testes que avalia tanto a coordenação global quanto a coordenação fina de usuários de cadeira de rodas. A palavra coordenação vem do latim coordinare, “organizar conjuntamente” — conceito que expressa a harmonia entre os sistemas muscular, nervoso e sensorial.
A relevância da BACMoC está em oferecer um método validado e objetivo, que auxilia profissionais da Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional a compreenderem as limitações e potencialidades motoras desse público.
“A coordenação é a base para o desempenho funcional e esportivo dos cadeirantes.” — (Lima Júnior, 2022)
Estrutura ou Bateria de Testes
A BACMoC é composta por cinco provas que avaliam diferentes aspectos da coordenação motora:
1. Velocidade de Deslocamento
O que mede: o tempo necessário para percorrer 20 metros em velocidade máxima.
Como funciona: o avaliador cronometra o tempo entre a largada e a linha final.
Por que importa: reflete a eficiência e controle do deslocamento sobre rodas.
2. Força Explosiva
O que mede: potência dos membros superiores em passes de longa distância.
Como funciona: o participante realiza arremessos de bola em zonas marcadas de 2 em 2 metros.
Por que importa: indica força útil para esportes e atividades diárias de propulsão.
3. Precisão Óculomanual
O que mede: controle visual e motor em passes direcionados a um alvo fixo.
Como funciona: o participante lança uma bola de basquete a 5 metros de um alvo na parede.
Por que importa: representa a integração olho-mão, essencial para tarefas finas e esportivas.
4. Agilidade
O que mede: capacidade de mudar de direção rapidamente.
Como funciona: o cadeirante percorre um circuito em formato de “U” de 10 metros, ida e volta.
Por que importa: reflete desempenho em manobras rápidas e jogos adaptados.
5. Coordenação Motora Fina (Bruininks-Oseretsky)
O que mede: precisão manual em tarefas delicadas.
Como funciona: o participante realiza duas atividades — delinear uma linha e recortar um círculo.
Por que importa: avalia destreza e controle fino, importantes para escrita, recorte e manipulação de objetos.
Precisão e Aplicação
A aplicação do BACMoC exige equipamentos simples — cones, bola, cronômetro, folhas e tesoura — e padrões claros de pontuação. Cada teste possui duas tentativas válidas, com classificação dos resultados em quartis de desempenho: Muito Bom (verde), Bom (azul), Regular (amarelo) e Insuficiente (vermelho).
A equação final gera o Índice Geral de Coordenação Motora (IGC):
Segundo Lima Júnior (2022), esse índice “sintetiza a coordenação motora de forma integrada e comparável entre cadeirantes com diferentes níveis de habilidade”.
Tecnologia e Acessibilidade
O protocolo pode ser aplicado manualmente ou com apoio de planilhas digitais e softwares de registro de dados, o que facilita a compilação automática dos resultados. O grupo de pesquisa planeja desenvolver um aplicativo de cálculo automático do IGC, com interface acessível e compatível com Android.
Da Ciência ao Cotidiano
A BACMoC vai além da pesquisa:
– Apoia programas de reabilitação motora, orientando o progresso funcional;
– Contribui para o esporte adaptado, permitindo seleção e acompanhamento de atletas;
– Aumenta a autonomia, ao evidenciar ganhos de coordenação após treinos específicos.
“A mensuração correta é o primeiro passo para a inclusão motora real.” — (Dantas, 2023)
Um Método que Une Simplicidade e Ciência
A BACMoC combina rigor científico e acessibilidade operacional. Ela representa um marco nacional na avaliação motora para cadeirantes, integrando fundamentos de biomecânica, controle motor e reabilitação funcional. Por usar instrumentos simples e critérios objetivos, o protocolo pode ser facilmente replicado em escolas, clubes e clínicas, sem necessidade de tecnologia cara.
Pense Nisso
Avaliar é reconhecer potencial. Quando a ciência mede o movimento humano de forma justa e precisa, ela amplia não apenas o desempenho físico, mas a dignidade e a autonomia das pessoas. A BACMoC mostra que inclusão e excelência podem andar lado a lado.
Confira os Links
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Palavras-chave: coordenação motora, cadeira de rodas, avaliação funcional, reabilitação, desempenho motor, motricidade, protocolo validado, inclusão esportiva