Em meio ao fervo cotidiano das “muitas-coisas-pra-fazer” no Centro da capital, há um espaço que propõe uma pausa para não apenas descansar o corpo e a mente, mas para apreciar a arte, mergulhar em histórias, adquirir cultura e ampliar (ou mudar) as visões de mundo. Esse espaço é o Centro Cultural de Aracaju, que funciona desde outubro de 2014 no antigo Prédio da Alfândega, na Praça General Valadão, em frente a edifícios históricos como o Palácio Serigy e o extinto Hotel Palace de Aracaju.
Além de preservar e expor um vasto acervo artístico, que conta a história da nossa capital, ele abriga o Cine Walmir Almeida, uma sala dedicada a produções alternativas do cinema nacional e estrangeiro. É popularmente conhecido como “Cinema do Centro” e tem o objetivo de promover um maior acesso da população sergipana à sétima arte, além de fomentar produções audiovisuais e dialogar com a diversidade cultural brasileira.
O imóvel que abriga o Centro foi um dos primeiros a serem construídos em Aracaju, como parte do planejamento que começou com a transferência da capital da província, em 1855. Originalmente, ele foi construído para abrigar a repartição responsável pela arrecadação de impostos e controle de importação e exportação de mercadorias. Por causa do desgaste da estrutura, foi demolido e reconstruído em 1929, com obras supervisionadas pelo então engenheiro Leandro Maynard Maciel (1897-1984), que depois viria a ser governador do Estado. Daí, veio a estrutura atual.
Ela voltou a abrigar a Alfândega e foi sede da Receita Federal em Sergipe até por volta de 1998, quando o prédio foi abandonado e se degradou. Em 2003, o prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual e, dois anos depois, foi doado pela União à Prefeitura de Aracaju. Após uma grande reforma, o espaço passou a ser administrado pela Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), que criou o Centro Cultural e ali instalou galerias de arte, espaços de exposição, oficinas e uma biblioteca composta por obras de escritores sergipanos. Alguns compartimentos usados pela antiga Alfândega, como o cofre-forte usado para guardar dinheiro, bens e documentos, foram preservados
O Centro também já contava com um auditório e uma sala de exibição com programação voltada ao audiovisual independente, que já exibiu curtas e mostras brasileiras e internacionais. Essa sala recebeu o nome de Walmir Almeida (1930-2012), fotógrafo e cinegrafista sergipano que atuou por muitos anos na cena cultural local e nacional, tendo trabalhado principalmente na produção de “cinejornais” exibidos antes das sessões de filmes.
“No entanto, houve um período de suspensão das atividades até sua revitalização em 2025. Antes da revitalização, o prédio comportava múltiplas ações culturais e exposições temporárias, mas sem estrutura dedicada à exibição cinematográfica regular. O espaço ficou fechado por quatro anos, encerrando as atividades em 2021. A paralisação decorreu da falta de financiamento e de modernização da estrutura antiga”, lembra o professor Rony Rei do Nascimento Silva, do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED) da Universidade Tiradentes (Unit).
A reabertura da sala de exibição, agora com formato e estrutura de cinema, aconteceu no último dia 14 de maio e foi possível a partir de um termo de colaboração firmado entre a Funcaju, a Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), a AVBR Produções e a Tarcísio Duarte/Audiovisual, com apoio do Terreiro São Lázaro e recursos provenientes da Lei Paulo Gustavo de Incentivo à Cultura. O projeto tem a coordenação da cineasta e produtora cultural Rosângela Rocha, uma das criadoras do Curta-se (Festival Ibero-americano de Curtas-Metragens de Sergipe).
A proposta é manter o Cine Walmir Almeida como um dos únicos cinemas de rua do Nordeste e preservar a tradição do Cine Vitória, um importante espaço de cinema que funcionou no centro de Aracaju entre 1934 e a década de 1980, quando fechou. Chegou a ser reaberto em 1994 na Rua 24 Horas (atual Rua do Turista), onde funcionou até ter suas atividades temporariamente suspensas, em maio deste ano. “O Cine Vitória foi um marco na cena de cinema de rua de Aracaju, com programação cult e forte impacto cultural independente”, destacou o professor Rony Rei.
Vamos ao cinema?
O público pode acompanhar a programação semanal de filmes e outras informações através do site do Cine Walmir Almeida e de seu perfil no Instagram. O cinema funciona de segunda a quinta-feira, com ingressos disponíveis para compra uma hora antes do início de cada sessão, no hall do Centro Cultural de Aracaju (Praça General Valadão, 134, Centro), a preços de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Outras dúvidas também podem ser esclarecidas através do whatsapp (79) 98132-1673.
com informações de Turismo Sergipe e Prefeitura de Aracaju
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