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Unit integra rede nacional de pesquisa para biofábricas e processos sustentáveis

Com participação de equipes do PEP, o INCT Biofábricas conecta pesquisadores de todo o país para transformar biomassas e bioativos em produtos de alto valor agregado e tecnologias sustentáveis

às 11h07
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Um projeto ambicioso, estratégico e necessário para o desenvolvimento econômico e ambiental do Brasil começa a tomar forma através da união entre os centros de pesquisas de universidades e instituições científicas pelo Brasil. Trata-se do INCT Biofábricas – Rede Nacional de Inovação em Bioprocessos Sustentáveis, iniciativa que articula estudos voltados ao desenvolvimento, escalonamento e aplicação de bioprocessos, bioinsumos e bioprodutos, a partir dos mais variados recursos disponíveis na flora e na fauna brasileira. A rede multicêntrica, criada como um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), se formou a partir do final do ano passado e reúne pelo menos 45 pesquisadores vinculados a 10 instituições de referência de todas as regiões brasileiras. 

A Universidade Tiradentes (Unit) é uma das participantes, através de seu Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP), que já desenvolve pesquisas avançadas nas áreas de biomassas, biocombustíveis e sistemas enzimáticos. Elas são conduzidas pelos professores Cláudio Dariva, Ranyere Lucena de Souza, Cleide Mara Faria Soares e Adriana de Jesus Santos. Dentro da rede, eles e suas respectivas equipes irão atuar na bioconversão de biomassas vegetais, algais e microbianas, alinhada aos conceitos de biorrefinaria, à economia circular e ao aumento da maturidade tecnológica (TRL). 

Para o professor Dariva, que coordena o projeto na Unit, a formação do INCT pretende fazer o Brasil avançar na transição energética e no desenvolvimento de produtos sustentáveis. “Nessa parte de bioprocessos em geral, existe uma coisa muito forte de mudar das coisas sintéticas para as mais naturais. Por exemplo: a gente quer sair de defensivos agrícolas e partir para os biofertilizantes, dos combustíveis fósseis para os biocombustíveis, quer deixar de ter medicamentos fármacos sintéticos e partir para a parte biofarmacológica… Buscar uma coisa que não polua, que não destrua, que seja mais sustentável, é uma demanda constante do país como um todo. E em termos de Nordeste, de Brasil e de mundo, a gente tem isso”, conceitua ele.

A expectativa é de que os resultados destas pesquisas venham a gerar uma série de impactos positivos para o setor biotecnológico, principalmente para a indústria de processamento sos materiais e suas respectivas cadeias produtivas. “A gente tem vários segmentos de impacto, desde o nível de formação e capacitação de recursos humanos. Está se criando uma rede e formando pessoas que têm um olhar mais sustentável para os processos. Tem ainda o impacto na valoração de resíduos, desses bioativos que vão chegar no produto biotecnológico como matéria prima para o uso em diversos segmentos. Eu diria que o impacto desse projeto é generalizado”, prevê Ranyere Lucena.

A participação da Unit envolve principalmente os experimentos em pequena escala, com testes de laboratório e de ensaio; e também a criação de biofábricas, nas quais os produtos destas pesquisas são escalados, isto é, produzidos em volume e qualidade suficiente para a inserção deles no mercado industrial, suprindo as demandas das empresas. 

“A gente quer ter vários grupos de pesquisa que consigam desenvolver as atividades em pequena escala dentro do laboratório e ter um centro, uma estrutura maior para escalar, que é essa biofábrica. Ela já vai ter, por exemplo, os produtos que a gente vai desenvolver e outros que as empresas às vezes demandam para serem desenvolvidos”, explica Dariva. 

Na Unit, a rede também irá interagir com até 10 projetos do PEP e de outros programas de ciência e inovação, incluindo o Centro Sergipe de Combustíveis Verdes e Carbono Zero (SEVerde), centro temático de pesquisa e produção de biocombustíveis, hidrogênio verde e captura de carbono, e o DescarboNE, voltado à reestruturação de laboratórios multiusuários e ao desenvolvimento de tecnologias nas áreas de descarbonização, bioeconomia e combustíveis sustentáveis.

Completar para integrar

A Unit, em conjunto com o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), irá desenvolver projetos específicos no âmbito do INCT Biofábricas, mas também irá colaborar com o andamento de outras pesquisas e projetos que já estão sendo tocados pelas universidades parceiras, que também farão estudos e desenvolvimentos em conjunto, dentro do conceito de rede da INCT. “Exemplo: a gente está desenvolvendo um sistema, mas não tem todas as condições de fazer análise de toda a tecnologia, ou não tem como escalar isso. Existe outro centro que sabe escalar o produto, mas não tem a tecnologia que nós temos aqui. E tem outro centro que é muito bom de análise, mas não consegue escalar e não tem a tecnologia. A ideia do projeto como um todo é colocar todo mundo junto pra conversar e trocar informações, resume Cláudio. 

O projeto é liderado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com sede em Florianópolis (SC) e ligado aos programas de Pós-Graduação em Engenharia Química e em Engenharia de Alimentos. Além da Unit e da UFSC, o Biofábricas tem as participações do Instituto Federal Goiano (IF Goiano/GO), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial em Santa Catarina (Senai/SC), da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Católica de Brasília (UCB/DF), e das universidades federais do Amazonas (UFAM), da Bahia (UFBA), do Rio de Janeiro (UFRJ) e de Santa Maria (UFSM/RS). Há ainda a colaboração de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, Canadá, Espanha, México, Argentina, Dinamarca, Polônia, Coreia do Sul, Índia e Paquistão.

A atuação da Unit no INCT Biofábricas, em conjunto com as outras instituições, também busca fortalecer a formação de recursos humanos qualificados e a integração de competências científicas, tecnológicas e de infraestrutura, bem como transferência de tecnologias para o setor produtivo e para a sociedade, ampliando os impactos científico, tecnológico, ambiental e social do projeto. 

“O que uma instituição não tem, a outra pode complementar. Isso é uma ideia de compartilhamento de apoio. Cada universidade e cada grupo de pesquisa têm suas expertises e estão ligadas por um eixo comum que é no contexto de biofábrica, a partir desses bioinsumos para produzir produtos de valor agregado ou processos de valores que vão ser mais sustentáveis para a geração dos produtos. Existe também a expertise na colaboração, a troca de alunos e o olhar característico para cada região ou território em que essas instituições estão localizadas e atendendo as necessidades locais”, frisou Ranyere.

O INCT Biofábricas começou oficialmente a funcionar em 1º de dezembro e terá uma fase inicial de cinco anos para a implementação de projetos, com financiamento de R$ 11,1 milhões em recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A meta do grupo é produzir pelo menos dez novos produtos e bioprocessos nos próximos anos, além de gerar até R$15 milhões em novos negócios e além de auxiliar na criação de pelo menos uma nova startup por região brasileira, a partir dos resultados de suas pesquisas.

O segundo da Unit

Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) são centros de pesquisa multicêntricos brasileiros que reúnem universidades, institutos federais, centros de pesquisa, fundações federais e estaduais de pesquisa e parques tecnológicos. Eles constituem um programa implementado desde 2005 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o objetivo de incentivar e favorecer o desenvolvimento de grandes projetos de pesquisa de longo prazo e de alto impacto científico, em redes nacionais e/ou internacionais de cooperação científica. Tudo isso com a participação de pesquisadores e bolsistas que cooperam em temas de grande interesse nacional, como energia, nanotecnologia, políticas públicas, agricultura, saúde, meio ambiente, engenharia, computação, entre outros.

O INCT Biofábricas é o segundo que conta com a participação da Unit. O primeiro é o INCT Capicua, dedicado à (Bio/Foto)Catálise, Adsorção e Intensificação de Processo para a Captura e Utilização de CO². Ele surgiu em dezembro de 2022, a partir de um projeto da Universidade Federal do Ceará (UFC), e tem a participação de 10 professores e pesquisadores do PEP/Unit, coordenados pela professora Sílvia Maria Egues, além de outras seis universidades brasileiras e quatro estrangeiras. 

com informações da UFSC

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