A Cambridge Health Alliance (CHA), rede hospitalar vinculada à Harvard Medical School, é reconhecida por integrar assistência médica, ensino e pesquisa em um sistema voltado ao atendimento de populações diversas. Localizada na região de Boston, nos Estados Unidos, a instituição recebe estudantes de diferentes países por meio do programa Clerkship for Medical Students, que oferece vivências clínicas supervisionadas em diversas especialidades e setores hospitalares.
A participação nesse programa também faz parte de uma das parcerias internacionais mais consolidadas da Universidade Tiradentes (Unit), que anualmente envia estudantes de Medicina para experiências acadêmicas e clínicas na rede hospitalar norte-americana. Entre os selecionados está a estudante Lavínia Lins, atualmente no 11º período do curso, que realizou o internato entre 20 de outubro e 29 de novembro de 2025. A vivência ocorreu ainda no 10º período da graduação, após aprovação em processo seletivo divulgado pela Gerência de Relações Internacionais, e proporcionou contato direto com a rotina de atendimento em um hospital de referência.
Rotina clínica
Durante o período em Boston, Lavínia acompanhou atividades no setor de Primary Care, equivalente à Atenção Primária, onde teve contato direto com pacientes de diferentes nacionalidades e contextos culturais. A rotina incluiu observação de atendimentos, participação em discussões clínicas e acompanhamento do trabalho de profissionais de diferentes áreas da saúde.
Segundo a estudante, a diversidade de pacientes e a dinâmica do serviço contribuíram para ampliar sua visão sobre o cuidado médico. “Foi maravilhoso e muito enriquecedor. No Primary Care pude acompanhar vários profissionais e atender pacientes de todos os lugares do mundo, o que ampliou muito minha visão sobre o cuidado em saúde”, relatou.
Outro aspecto marcante da experiência foi o trabalho conjunto com intérpretes de língua portuguesa, responsáveis por facilitar a comunicação entre médicos e pacientes brasileiros ou falantes do idioma. A convivência com esses profissionais evidenciou o papel da comunicação no processo de cuidado e no entendimento das orientações médicas. “Passei boa parte do tempo com os intérpretes de português, tanto presencialmente quanto por telefone, e isso mostrou como a comunicação é essencial para oferecer um atendimento realmente humanizado”, destacou.
Além da atuação na atenção primária, a estudante também aprofundou o contato com a especialidade de Infectologia, participando de atividades em ambulatórios especializados e em setores hospitalares com pacientes em estado mais grave. Entre as experiências vivenciadas estiveram atendimentos no ambulatório de tuberculose e acompanhamento de casos clínicos na unidade de terapia intensiva. “Escolhi Infectious Diseases e tive experiências em ambulatórios, como o de tuberculose, e também na UTI, acompanhando pacientes mais graves”, explicou.
Aprendizados
A experiência internacional também contribuiu para ampliar a confiança da estudante no atendimento médico em contextos multiculturais. Segundo Lavínia, um dos principais aprendizados foi compreender que o cuidado ao paciente pode ser oferecido com qualidade mesmo diante de diferenças linguísticas e culturais, desde que haja atenção à escuta e ao acolhimento.
Nesse sentido, ela destacou que a filosofia institucional da rede hospitalar reforça a centralidade do paciente no processo de atendimento. “Aprendi que somos capazes de atender oferecendo o nosso melhor, seja na nossa língua materna ou em outras línguas. Isso faz muito sentido com a frase que o CHA divulga em todo o hospital: ‘Care to the people’”, afirmou.
Ao comparar a experiência em Boston com a formação recebida na Universidade Tiradentes, Lavínia observou que a metodologia adotada pela instituição brasileira contribuiu para sua participação ativa nas discussões clínicas. A estudante explicou que a prática de análise de casos e debates entre estudantes e professores, característica da metodologia PBL (Problem Based Learning), favoreceu sua integração nas atividades acadêmicas do internato.
“Assim como acontece na Unit, os preceptores lá discutem os casos e estão sempre abertos a ouvir a opinião dos estudantes. Como nossa formação é baseada no PBL, senti que isso contribuiu muito para participar das discussões clínicas”, relatou.
Impacto profissional
Apesar do entusiasmo com a experiência, a estudante relembra que o início da jornada no exterior também trouxe desafios, principalmente relacionados à adaptação a um novo ambiente cultural e linguístico. A expectativa de enfrentar dificuldades de integração, no entanto, foi rapidamente substituída por uma percepção positiva sobre a receptividade encontrada na cidade e na equipe hospitalar.
Lavínia contou que o acolhimento recebido e a estrutura de mobilidade urbana contribuíram para tornar a experiência mais tranquila do que imaginava. “Quando cheguei, fiquei com medo de não me adaptar a um ambiente novo, com outra língua e pessoas diferentes. Mas aconteceu o contrário: as pessoas foram muito acolhedoras, a cidade é incrível e é fácil se locomover de metrô ou ônibus”, afirmou.
Para a estudante, o impacto da vivência vai além do conhecimento técnico adquirido durante o internato. Ela destaca que o período no exterior fortaleceu princípios éticos e contribuiu para a construção de uma visão mais ampla sobre o cuidado médico e a responsabilidade profissional diante dos pacientes.
“Foi a melhor experiência da minha vida. Aprendi a me virar em um país diferente, em um hospital que nunca tinha visitado e com pessoas totalmente desconhecidas. Isso agregou muito para minha formação, principalmente em relação aos princípios éticos e às evidências científicas”, disse.
A participação no programa também representa um diferencial acadêmico e profissional, já que os estudantes são avaliados ao longo de todo o período de estágio. “Além do inglês e do reconhecimento da instituição, somos avaliados durante todo o internato e recebemos uma nota ao final. Acredito que essa avaliação conta bastante no meio profissional”, pontuou.
Ao compartilhar sua experiência, Lavínia também incentiva outros alunos de Medicina a buscarem oportunidades semelhantes durante a graduação. “Não percam essa oportunidade que a universidade oferece. É uma experiência indescritível, de muito enriquecimento pessoal, acadêmico e profissional. Se eu pudesse, voltaria mil vezes, sem sombra de dúvidas”, concluiu.
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