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Campanhas defendem que toda a sociedade seja antirracista

Movimentos propõem uma reflexão mais profunda sobre o racismo estrutural, presente em toda a sociedade e nas instituições; egressa do Sotepp fala sobre o assunto

às 18h10
Movimentos em defesa da população negra pregam a adoção de uma “consciência antirracista”, que busca erradicá-lo da sociedade (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Movimentos em defesa da população negra pregam a adoção de uma “consciência antirracista”, que busca erradicá-lo da sociedade (Fernando Frazão/Agência Brasil)
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“Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista”. A frase da filósofa e ativista norte-americana Angela Davis, um dos nomes mais importantes do movimento negro em todo o mundo, chama a atenção para formação de uma consciência coletiva que repudia cada vez mais o racismo e busca erradicar suas práticas, sejam elas escancaradas, cotidianas ou ocultas. As campanhas que combatem a discriminação de raça, cor, etnia ou origem, bem como seus crimes correlatos, ganham cada vez mais força na mídia, na moda, no esporte, na política e nas empresas. 

A postura antirracista, reforçada pelas mais recentes campanhas lançadas por ocasião do Dia da Consciência Negra, propõe uma reflexão mais profunda sobre o que é o racismo, como ele está presente na sociedade, apesar de ele já ser considerado crime inafiançável no Brasil, as suas causas e formas eficazes de combatê-las

De acordo com Raísa Alves, advogada e mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas (Sotepp), do Centro Universitário Tiradentes (Unit Alagoas), a causa antirracista exige “uma tomada de decisão no sentido de, inicialmente, reconhecer a problemática racial no Brasil e posteriormente buscar ativamente o engajamento com a causa antirracista, isto é, todo o conjunto de ações que buscam a diminuição das desigualdades raciais em nosso país”. 

Uma das formas encontradas para mudar o comportamento da sociedade em relação ao racismo é deixar de usar certas palavras ou expressões que discriminem pessoas de outras raças ou etnias, ou que remeta a episódios como a escravização de índios e negros. Outra questão, mais crucial, é a do chamado racismo estrutural, que é quando pessoas, sociedades e instituições reproduzem e perpetuam práticas racistas e discriminatórias, a partir de sua estrutura social. Isso se desdobra da herança de pobreza e desigualdade deixada pelos mais de 350 anos em que a escravidão foi legalizada no Brasil. 

“Assim, aquele que decide por adotar uma postura antirracista deve aprender e reconhecer o racismo estrutural da nossa sociedade e seus efeitos, sobretudo, para as populações não brancas e entender que somos todos responsáveis pela eliminação de todas as formas de preconceito e discriminação raciais. Esse senso de responsabilidade sobre o problema permite que cada indivíduo busque individualmente corrigir suas ações que possam perpetuar o racismo na sociedade”, explica a egressa do Sotepp. 

Ainda de acordo com Raísa, o conhecimento do problema já existe e as informações estão disponíveis, o que não dá mais desculpas para não se adotar uma postura antirracista. E adotar essa postura, segundo ela, exige um passo ainda maior. “É necessário que aqueles beneficiados pela estrutura racista abram mão dos seus privilégios em detrimento da diminuição do racismo na sociedade. Mas quem está disposto? Acredito que vale a reflexão para aqueles que desejam adotar uma postura antirracista: repensar seus privilégios e aceitar as medidas de discriminação positiva (a exemplo das cotas raciais)”, afirma ela, referindo-se às políticas de ações afirmativas adotadas oficialmente por governos, empresas e instituições de ensino. 

Asscom | Grupo Tiradentes

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