Concluir a graduação em Medicina é apenas o início de uma longa jornada profissional. Para muitos médicos, a residência se torna a fase mais importante da carreira, pois é nesse período que o conhecimento adquirido em sala de aula encontra a prática diária nos hospitais. Com carga horária intensa, responsabilidades diretas com pacientes e acompanhamento de preceptores, a residência funciona como um verdadeiro laboratório de formação, em que o futuro especialista aprende a lidar com os desafios reais da profissão.
Esse tem sido o percurso da médica Maria Clara da Silva Castro, formada pela Universidade Tiradentes (Unit). Atualmente, ela cumpre residência em clínica médica no Hospital Regional de Estância (SE) e, a partir do segundo ano, também atuará em Aracaju, no Hospital Cirurgia e no Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE). A conquista da vaga foi resultado de muita dedicação e de alguns desafios inesperados ao longo do processo.
“Finalizei a faculdade no meio do ano, trabalhei e estudei durante seis meses com foco no Exame Nacional de Residência (ENARE). Até então, eu desconhecia a residência da Unit, mas uma amiga me incentivou a fazer a prova. Participei sem muita expectativa e acabei sendo convocada. Foi uma surpresa muito grande e mudou totalmente meus planos”, relembra Maria Clara.
A escolha pela clínica médica
O contato próximo com os pacientes e a oportunidade de investigar diagnósticos foram fatores decisivos na escolha da especialidade. Segundo Maria Clara, a clínica médica é um campo dinâmico, que permite transitar por diferentes áreas e manter uma rotina investigativa. “Eu gosto de conversar com os pacientes, entender suas histórias e buscar diagnósticos diferentes. A clínica médica proporciona exatamente isso: diversidade de casos e a possibilidade de se aprofundar em várias especialidades”, explica.
A formação na Unit teve papel decisivo na preparação da médica para enfrentar os desafios do processo seletivo e da residência. O método de aprendizagem baseado em problemas (PBL) e o incentivo constante à pesquisa criaram uma base sólida para a independência intelectual. “O PBL nos dá autonomia para estudar e os professores sempre nos instigaram a buscar diferentes fontes. Isso fez com que chegássemos mais preparados para a vida real, tanto na prática quanto nas provas. Sou muito grata aos professores que estimularam esse desenvolvimento”, afirma.
Rotina intensa e responsabilidades
A residência exige uma carga horária de 60 horas semanais, entre enfermaria, ambulatórios e plantões noturnos e de fim de semana. Além da rotina puxada, os residentes assumem responsabilidades diretas sobre os pacientes, sempre sob a supervisão de preceptores. “Diagnosticamos, prescrevemos e acompanhamos cada caso. As responsabilidades são de um médico formado, mas sempre com a orientação do preceptor. Conciliar os estudos, os plantões e ainda ter vida pessoal é um grande desafio. Mas eu sempre lembro que a residência é uma passagem essencial para a nossa formação”, pontua.
No contato diário com os pacientes, Maria Clara vivencia experiências que ultrapassam a técnica da Medicina. Algumas histórias se tornaram inesquecíveis. “Na enfermaria, a Dona Maria passou mais de 45 dias internada aguardando oxigenoterapia domiciliar e nos presenteou com um galo vivo em agradecimento. Já o Seu Roberto esteve conosco por mais de dois meses em cuidados paliativos e, mesmo em fase terminal, cada sorriso que ele nos dava preenchia o coração com amor. Essas situações me lembram do verdadeiro propósito de estar ali: cuidar de quem precisa ser cuidado”, relata.
Além do conhecimento clínico, a convivência com preceptores e equipes multiprofissionais trouxe lições de humanidade e empatia. “Meus preceptores são excepcionais. Com eles aprendi paciência, calma e segurança na hora de tomar decisões. Muitos também mostraram que a relação médico-paciente não precisa ser fria. Essa vivência hospitalar me tornou mais comunicativa e me permitiu aprender a dialogar com diferentes especialistas”, destaca.
Planos e conselhos para o futuro
O futuro de Maria Clara segue voltado para a clínica, mas com foco em se aprofundar ainda mais. O próximo passo é o R3 em nefrologia, conhecido como terceiro ano em residência médica, especialidade que ela deseja seguir carreira. “Quero continuar estudando, sempre me atualizando e buscando oferecer o melhor cuidado. A clínica médica me conquistou pelo dinamismo e pela possibilidade de aprender constantemente”, projeta.
Para os estudantes que sonham em seguir o mesmo caminho, a médica deixa uma mensagem motivadora: “Quando escolhemos a Medicina, de certa forma ela também nos escolhe. A clínica médica é desafiadora, mas abre muitas portas. Se você gosta de investigar, conversar e mergulhar na história dos pacientes, essa é a área certa. A rotina é cansativa, mas é uma fase que nos prepara para a vida e, principalmente, para cuidar de quem mais precisa”, aconselha.
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