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Professora da Unit analisa a declaração do forró como Patrimônio Cultural

Para historiadores, o feito contribui para a formação da identidade do povo nordestino e movimenta as atividades econômicas da região.

às 11h44
Imagem: Freepik
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No dia 9 de dezembro de 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou a declaração do forró como Patrimônio Cultural do Brasil. Com isso, fica instituído também o Dia Nacional do Forró, em 13 de dezembro, em homenagem ao nascimento do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Para historiadores, o feito contribui para a formação da identidade do povo nordestino.

É o que diz a professora de História da Universidade Tiradentes (Unit) e especialista em História e cultura no Brasil, Eunice Aparecida Borsetto. “A aprovação das matrizes tradicionais do forró como Patrimônio Cultural do Brasil, incentiva e fortalece o sentimento de pertencimento na população nordestina distribuída em todas as regiões brasileiras, bem como, aumento no turismo, além de todas atividades econômicas que giram em volta dos festejos juninos, como artesanato, vestuário, alimentação, músicos nos festejos juninos”, disse.

“É importante ressaltar a importância da construção histórica e raízes culturais na formação identitária de um povo e sua identidade a fim de que os mesmos possam situar-se na sociedade”, acrescenta.

A declaração do Iphan partiu do pedido realizado pela Associação Cultural Balaio do Nordeste e pelo Fórum Forró de Raiz da Paraíba, em 2011. Através do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, o órgão aprovou por unanimidade a criação da data e a inclusão do gênero musical como patrimônio.

História do forró

“O forró é um gênero musical marcado principalmente pelo som da zabumba, triângulo e sanfona, englobando o xote, xaxado, baião, chamego, quadrilha arrasta-pé e o pé-de-serra. O tradicional baile também é conhecido por bate-chinela, bate-coxa, rala-bucho, arrasta-pé, arreia a fivela, entre outros”, explica a professora.

De acordo com ela, existem diversas versões sobre a origem do termo ‘forró’, como se conhece atualmente. Alguns dizem que a palavra surgiu do tronco linguístico africano bantu, que chegou no Brasil junto com os escravos, e significa ‘confusão’, desordem. Para outros, o termo é originário do francês, mas com significado similar: ‘desentoação’. O senso comum aponta para a expressão inglesa ‘for all’, que foi abrasileirada para a palavra ‘forró’.

“A princípio, as letras das músicas foram elaboradas a partir do modo de vida do povo nordestino, cantando em versos e prosas os hábitos e costumes das pessoas que moravam no sertão, as lembranças e saudades daqueles que migravam para os centros urbanos como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro”, conta Borsetto.

O gênero musical forró passou por três fases: 

  • Tradicional ou pé-de-serra, nos anos 50 com Luiz Gonzaga gravando o ‘Forró de Mané Vito’, Jackson do Pandeiro, Marinês, Dominguinhos, Sivuca, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Gilberto Gil e Nando Cordel. 
  • O Forró Universitário, nos anos 80, trouxe artistas Alcimar Monteiro, Petrúcio Amorim e Jorge de Altinho.
  • Eletrônico, nos anos 90, com: grupos com mais componentes e bailarinas no palco, a substituição da sanfona por instrumentos eletrônicos, a exemplo do Mastruz com leite, Magníficos, Calcinha Preta, Aviões do Forró e muitas outras.

 

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