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Egresso da Unit se destaca em pesquisa com Cannabis e projeta carreira na docência

Com trajetória marcada pela iniciação científica, extensão e protagonismo, Alan Bezerra realiza mestrado e sonha em formar novos fisioterapeutas com olhar crítico e humano

às 21h07
Alan Douglas Bezerra dos Santos- Egresso de Fisioterapia da Universidade Tiradentes
Alan Douglas Bezerra dos Santos- Egresso de Fisioterapia da Universidade Tiradentes
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Em meio a tantas dúvidas que cercam a vida de quem está saindo do ensino médio, uma visita a uma feira de vestibular pode ser apenas mais um item no calendário escolar. Mas, para alguns, ela se transforma em um divisor de águas. Assim foi com Alan Douglas Bezerra dos Santos. Durante a participação na Feivest a feira de vestibular da Universidade Tiradentes (Unit) ele teve seu primeiro contato direto com a Fisioterapia. Bastaram alguns minutos assistindo às demonstrações práticas para que todas as incertezas sobre o futuro profissional dessem lugar à convicção: era aquilo que ele queria viver.

Alan iniciou a graduação em outra instituição, mas logo migrou para a Universidade Tiradentes, motivado pela estrutura de ponta e pelo reconhecimento do corpo docente. “Estudar com professores de renome é um privilégio que fez toda a diferença na minha formação. A Unit me proporcionou uma base sólida, tanto teórica quanto prática, que foi essencial para meu crescimento profissional e acadêmico”, afirma.

Essa base foi sendo fortalecida por experiências que ultrapassaram a sala de aula. A vivência em ambientes de simulação realística e no centro especializado de fisioterapia da universidade, onde atuou como estagiário, deu a Alan a segurança necessária para encarar os desafios da profissão. Mas foi no campo da pesquisa que ele encontrou uma paixão inesperada e transformadora.

“Eu não fazia ideia do que eram atividades extracurriculares, muito menos uma iniciação científica. A universidade me apresentou a um universo novo, e eu estava de peito aberto para aproveitar cada oportunidade. Tudo começou de forma inesperada: após uma apresentação de seminário, uma professora me chamou para conversar e me fez um convite para ser aluno de iniciação científica dela. Eu, curioso, perguntei como funcionava aquilo e, sem pensar duas vezes. Aquilo mudou completamente o rumo da minha trajetória acadêmica”, relembra. 

Sobre a pesquisa

As pesquisas de Alan durante a graduação foram focadas no potencial antimicrobiano de extratos naturais, incluindo a Cannabis sativa. Ele explica o objetivo de um dos seus estudos. “O objetivo da pesquisa foi realizar um mapeamento dos compostos presentes na Cannabis sativa para identificar aqueles com maior potencial antimicrobiano. Esse primeiro estudo foi feito de forma in silico, ou seja, por meio de simulações computacionais, o que nos permitiu analisar, de maneira inicial, as interações entre os compostos e possíveis alvos biológicos. A meta era avançar para estudos in vitro e, futuramente, in vivo, com o propósito de desenvolver medicamentos fitoterápicos com ação antimicrobiana”, explica.

A grande motivação por trás do estudo era buscar alternativas com menor toxicidade, menos agressivas ao organismo e com menos efeitos colaterais, contribuindo para a oferta de tratamentos mais seguros e eficazes para a população. Hoje, já no mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), continua dando sequência à pesquisa iniciada na graduação.

“Hoje, no mestrado, estou justamente dando continuidade àquilo que não consegui concluir durante a graduação. Estou realizando estudos com modelos in vivo e me dedicando ao máximo nos laboratórios, principalmente nos trabalhos com animais, porque entendo a importância desses estudos para o avanço da ciência e para o impacto direto que podem ter na vida das pessoas. Cada dia no laboratório é uma forma de honrar a trajetória que comecei lá atrás e contribuir, de forma concreta, para a saúde da população”, elenca Alan.

Trabalhar com um tema como a Cannabis sativa medicinal trouxe desafios, principalmente em relação aos estigmas sociais. “Muitas vezes, ao dizer que pesquisava sobre cannabis, as pessoas associavam automaticamente ao uso recreativo, sem compreender o foco científico e medicinal da proposta, o que exigiu um constante processo de desconstrução pessoal e no diálogo com os outros. Mesmo com tratamentos já existentes, como no controle da espasticidade, o uso da cannabis ainda é um tabu por ser considerada uma substância ilícita no Brasil. Essa experiência me ensinou sobre responsabilidade na divulgação científica, ética na comunicação e a importância de manter-se firme diante dos desafios quando se acredita no poder transformador da pesquisa”, destaca Alan.

Outros projetos 

Durante a graduação, Alan também se destacou pela atuação em projetos de extensão. Entre eles, o “Risos da Fisio” , um projeto que une fisioterapia e humanização ao levar estudantes aos hospitais vestidos de palhaço para oferecer acolhimento a crianças internadas. “A pediatria foi uma das áreas que me chamou atenção ao longo da graduação, mas foi dentro desse projeto que essa paixão ganhou forma. Ali, entendi que nem só da parte profissional e científica vive um fisioterapeuta, a parte humana é essencial. Foi nesse contato direto com as crianças, com suas famílias e com a realidade hospitalar que aprendi a me transformar como profissional e como pessoa”, diz.

Essa visão ampliada do papel do fisioterapeuta que vai além do domínio técnico e abraça também a sensibilidade e o compromisso social é um dos legados que Alan leva da graduação. “Quando o fisioterapeuta entende e participa da produção científica, ele não apenas aplica técnicas, mas também questiona, inova e melhora os processos. A pesquisa nos dá senso crítico, nos desafia a buscar respostas e nos conecta com o que há de mais atual no mundo da saúde. Por isso, acredito que formar fisioterapeutas sem estimular esse olhar investigativo e científico é limitar o potencial transformador da profissão”, pontua.

Planos futuros 

Agora, com os olhos voltados para a docência e a continuidade da pesquisa, Alan sonha em contribuir com a formação de novos fisioterapeutas e impactar a sociedade com estudos que resultem em soluções reais para os desafios da saúde. “Assim como muitos pesquisadores que realmente se entregam e se apaixonam pela ciência, eu também quero seguir no caminho da pesquisa e da docência. Meu grande objetivo é fazer história e ser reconhecido como fisioterapeuta no meio acadêmico, contribuindo para a formação de novos profissionais, transmitindo conhecimento e ajudando a transformar vidas por meio do ensino e da ciência”, relata.

Embora não descarte a possibilidade de empreender, seu foco principal reside na academia e na prática clínica voltada para a funcionalidade dos pacientes. “Hoje, eu tenho clareza sobre onde quero chegar e estou traçando meu caminho com dedicação para alcançar esse objetivo. Quero atuar na docência, na pesquisa e também na prática clínica, principalmente voltado para a funcionalidade dos pacientes, seja em atendimentos particulares ou por meio de estudos que tragam respostas e soluções reais para a sociedade”, projeta o mestrando.

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