O esporte e a Fisioterapia foram as duas paixões profissionais que moldaram a carreira de Riziane Ferreira da Mota, egressa do curso de Fisioterapia da Universidade Tiradentes (Unit). Ela é uma das fisioterapeutas da Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), onde integra a equipe responsável por acompanhar e dar assistência às competições nacionais promovidas pela entidade. E leva consigo ainda a experiência de ter trabalhado com a Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica, em duas etapas da Copa do Mundo da modalidade.
“Eu costumo dizer que a fisioterapia esportiva que me escolheu”, lembra ela, sobre o caminho profissional que escolheu ao longo dos seus cinco anos de curso na Unit, entre 2015 e 2020, quando se formou. Neste tempo, ela participou de diversas atividades de pesquisa, extensão e monitoria, incluindo a Liga de Estudo e Pesquisa em Coluna Vertebral (Lepec) e a Liga Acadêmica de Fisioterapia na Saúde da Criança (Lafisc), das quais foi diretora.
Através das ligas, Riziane foi participando de vários projetos de extensão orientados pelos professores do curso. Um deles foi o “Lesão Zero Azulino”, que teve o objetivo de trabalhar a prevenção de lesões nos jogadores do futebol sub-20 da Associação Desportiva Confiança. Na época, ele foi desenvolvido pelo fisioterapeuta Igor Borges, também egresso da Unit, abrindo oportunidade aos alunos para que vivessem a experiência de acompanhar a rotina de um dos principais clubes do futebol sergipano.
Este projeto resultou na criação do Grupo de Estudo em Fisioterapia Esportiva de Sergipe (Gefes), que hoje é dirigido por Riziane e por outras duas egressas de Fisioterapia da Unit: Flávia Dianna e Suziany Caduda. “Esse grupo é composto por alunos das diversas universidades da cidade e tem o objetivo de fomentar, enriquecer e estimular os alunos quanto a fisioterapia esportiva. O grupo é ativo até hoje, no qual realizamos reuniões quinzenais ou mensais, com temas e palestrantes desta área. Além disso, participamos de provas de corrida e eventos esportivos, atuando na recuperação e na avaliação dos atletas, proporcionando uma experiência prática para os alunos”, detalha.
Outros projetos, como o “Dor nas costas nunca mais”, realizado em 2017, e o “Conhecendo a Fisioterapia na área de Pediatria”, de 2015, foram realizados através de atendimentos e orientações à comunidade sobre cuidados com a postura corporal, através do Centro de Educação e Saúde Ninota Garcia. Riziane também passou um ano como monitora de Anatomofisiologia, e mais seis meses como monitora de Cinesiologia e Biomecânica.
“Esses projetos sem dúvida auxiliaram muito na minha formação, tanto agregaram aos meus conhecimentos relacionados à fisioterapia, como também foram fundamentais para melhorar minha comunicação, abordagem ao público e capacidade de transferir o conhecimento a pessoas de diversas esferas da sociedade. Sempre gostei muito de compartilhar tudo que eu havia aprendido, e esses foram momentos muito especiais da minha trajetória”, resume.
A prática esportiva
Após a formatura, Riziane passou a atuar mais intensamente na área esportiva e entrou para a CBDE, que promove e incentiva a prática esportiva nas escolas de todo o país, através da organização de torneios e eventos esportivos estudantis regionais e nacionais em várias modalidades. Entre eles, estão os Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), realizados anualmente. A entidade também organiza as delegações que representam o Brasil em eventos internacionais, como a Gymnasiade.
Riziane faz parte da equipe principal de fisioterapeutas da CBDE, composta por ela e mais quatro profissionais que também são egressas da Unit. “Lá nós exercemos a função de coordenar o setor de fisioterapia em grandes eventos nacionais e internacionais, e atuamos como fisioterapeutas tanto de forma emergencial, nos atendimentos em quadra/campo/local de competição, quanto ambulatorial, nas salas disponíveis para atendimentos não emergenciais. Com a CBDE, nós atuamos somente de forma pontual, nos momentos em que antecedem as competições, durante e pós competições. Não tem uma cidade fixa de atuação uma vez que as competições ocorrem em vários locais do Brasil e também fora dele”, explica.
A experiência também levou a ex-aluna para a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), que lhe proporcionou a chance de trabalhar com os atletas da Seleção Brasileira da modalidade. Para ela, a experiência foi enriquecedora e lhe mostrou a diferença na forma de lidar com atletas em nível escolar e no profissional. “Nossa atuação, em termos de abordagem, é completamente diferente, uma vez que o atleta profissional está exposto a uma pressão por resultado muito maior. Durante as viagens, uma das partes principais é a adaptação, como profissional da saúde, temos que estar preparados pra lidar com todos os tipos de cenário, mudança de clima, no caso delas, mudança no tablado, tudo isso interfere na performance das atletas e temos que estar atentos”, detalha Riziane.
Na pós-graduação
A egressa ainda trabalha atualmente com atendimentos ortopédicos, pós-operatórios ortopédicos e desportivos, em uma clínica particular de Aracaju. Ao mesmo tempo, ela foi se especializando na área, realizando diversos cursos práticos e de especialização em fisioterapia esportiva, sendo um deles pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (Sonafe), em Santo André (SP). Em 2024, ela concluiu o mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde defendeu uma dissertação sobre a sensibilidade à dor nos membros inferiores de mulheres corredoras de curta distância.
O interesse pelo mestrado surgiu a partir de sua experiência no Programa Voluntário de Iniciação Científica (Provic), através do qual participou de uma pesquisa sobre a caracterização da dor e suas correlações com a funcionalidade e a qualidade de vida em pessoas com a doença de Charcot-Marie-Tooth (CMT), um grupo de doenças hereditárias que afetam os nervos periféricos e causam fraqueza e atrofia muscular, principalmente nos pés e nas pernas.
“A experiência com a iniciação científica na Unit me fez despertar para o mestrado e foi, sem dúvidas, um divisor de águas. É claro que a experiência com as monitorias também me fizeram ter certeza que, apesar de amar a parte prática dos atendimentos, eu também sempre fui apaixonada pela parte acadêmica, por ensinar e compartilhar conhecimento”, diz Riziane, que se prepara agora para fazer um doutorado na área e reconhece a importância da Unit para a formação profissional. “Com certeza, a Unit tem uma importância inquestionável em minha carreira. Ela me abriu um leque de oportunidades, além da formação de qualidade, que foi fundamental para as minhas conquistas pessoais e profissionais”, conclui.
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