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Grupo de Pesquisa tem cinco trabalhos aceitos no maior evento de jogos digitais do Brasil

Estudantes de Ciência da Computação da Unit desenvolvem projetos em IA, jogos digitais e animações para o principal simpósio de entretenimento digital do Brasil

às 20h48
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Em menos de um ano de existência, o Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Tecnologia, Computação e Sociedade (GPITICS), da Universidade Tiradentes (Unit), já se consolida como referência e começa a colher resultados expressivos no cenário acadêmico nacional. Composto por alunos e professores do curso de Ciência da Computação e liderado pelos professores Luiz Gomes e Victor Flávio de Andrade Araújo, o grupo teve cinco trabalhos aprovados para apresentação no Workshop de Graduação do SBGames, Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital, que será realizado de 30 de setembro a 3 de outubro, em Salvador (BA).

Quatro desses trabalhos foram desenvolvidos em disciplinas de Inteligência Artificial e Machine Learning ministradas por Victor Flávio. As pesquisas exploram temas como geração automática de animações faciais e corporais a partir de áudios, movimentação autônoma de veículos virtuais com base em visão simulada e desenvolvimento de um humano virtual inteligente para interagir com alunos da Unit sobre processos acadêmicos. O quinto trabalho foi produzido em parceria com o Departamento de Tecnologia da Informação (DTI) da universidade, sob orientação do professor Fábio Santos.

Para o professor Victor Flávio, a conquista reforça a capacidade dos estudantes de Tecnologia da Informação da instituição de produzir ciência de ponta. “Esse primeiro ano de atividades confirma nossa hipótese inicial: nossos alunos de TI podem desenvolver ciência relevante, tanto nacional quanto internacionalmente. Além dos cinco trabalhos aceitos no SBGames, já tivemos produções aprovadas no CSBC, na ERBASE, no SIGGRAPH e temos trabalhos em revisão para o SIGGRAPH ASIA e o SIBGRAPI. Mais do que produzir, buscamos enviar pesquisas de impacto para eventos relevantes”, destaca.

Pesquisa dentro da sala de aula

O docente lembra que participa do SBGames desde 2017, ano em que apresentou seu Trabalho de Conclusão de Curso na graduação em Ciência da Computação pela própria Unit, e que, desde então, não recorda de ter visto trabalhos da instituição no evento. “Por isso, ter tantos trabalhos aceitos agora mostra que podemos desenvolver projetos científicos de alto nível na área de jogos e entretenimento digital. E não falamos apenas de jogos de entretenimento, mas também de simulações virtuais, aplicações industriais, projetos para contextos médicos, animações e muito mais”, ressalta.

O método de ensino adotado por Victor Flávio integra pesquisa científica desde o início da formação. “Nas aulas de IA, por exemplo, os alunos primeiro replicam artigos científicos da área e, em seguida, desenvolvem algo novo a partir dessa base. Assim, cada trabalho tem potencial para ser submetido a conferências ou revistas. Esse processo estimula tanto o lado cognitivo quanto o criativo, já que, na maioria das vezes, eles escolhem artigos que tratam de problemas reais, aplicando teoria e prática de forma integrada”, elenca o professor.

Para um dos líderes do GPITICS, professor Luiz Gomes, o diferencial do grupo está na abordagem interdisciplinar e no diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. “Em vez de nos concentrarmos em apenas uma área, nossos projetos buscam explorar a interseção entre diferentes campos do conhecimento, como a tecnologia, a sociedade, a comunicação e a inovação. Nós enxergamos os games não apenas como um produto de software, mas como um fenômeno cultural e social, com potencial para impactar diversas áreas. Essa visão nos permite abordar problemas de forma mais holística, criando soluções que são tecnicamente robustas e socialmente relevantes”, afirma.

Como líder do GPITICS, sua participação direta nos projetos se deu, principalmente, de forma estratégica e de acompanhamento. “Meu papel foi o de mentor e facilitador. Trabalhei para garantir que as abordagens estivessem alinhadas com a nossa linha de pesquisa, estimulei a colaboração entre os membros da equipe e ofereci suporte conceitual e metodológico. Além disso, fiz a ponte entre os pesquisadores e os recursos necessários, promovendo um ambiente propício para a inovação e a troca de conhecimentos”, afirma Luiz Gomes.

Inovação no DTI e aplicação além dos jogos

O quinto trabalho aprovado no SBGames nasceu no DTI da Unit e mostra como tecnologias de jogos podem ir muito além do entretenimento. Utilizando a Unreal Engine e a inteligência artificial da Amazon, a pesquisa propõe a criação de humanos virtuais, os metahumans, capazes de interagir com alunos e profissionais em ambientes acadêmicos e corporativos.

O projeto foi idealizado pelo professor Fábio Santos, diretor de tecnologia da universidade, e ganhou força com a colaboração de Victor Flávio e seus alunos. “É algo muito inovador, que ninguém na região havia feito antes. Essa ideia surgiu há alguns anos e, com a chegada do Flávio, que foi meu ex-aluno e concluiu o doutorado na área, conseguimos avançar. Ele me perguntou se poderia trazer os alunos que já estavam desenvolvendo pesquisas relacionadas, e eu aceitei. Organizamos um espaço no DTI para que pudessem trabalhar conosco”, relata Fábio.

Embora o SBGames seja um evento voltado a jogos, Fábio destaca que o projeto demonstra o potencial dessas tecnologias para áreas como educação, indústria e outros setores estratégicos. “A proposta não é criar jogos, mas desenvolver humanos virtuais capazes de interagir com estudantes, responder dúvidas e atuar profissionalmente no mundo corporativo. Grande parte do projeto utiliza a inteligência artificial da Amazon, fruto de uma parceria que trouxemos para a Unit e que abre caminho para o desenvolvimento de diferentes iniciativas com essas tecnologias”, explica.

Vitrine para Sergipe e para o futuro

A participação no SBGames é vista como uma vitrine para futuros projetos e colaborações. “A expectativa é a melhor possível, pois as pesquisas do GPITICS são consideradas raras no país, e o reconhecimento abre caminhos para a continuidade do projeto”, relata Fábio. Victor Flávio complementa, dizendo que essa conquista pode chamar a atenção da indústria local para o potencial dos alunos. “Temos hoje uma comunidade sergipana de desenvolvedores de jogos em crescimento, com startups e empresas que usam softwares para desenvolvimento. Mostrar que nossos alunos estão prontos para projetos inovadores também ajuda a atrair a atenção do mercado”, complementa.

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