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Os perigos das “fórmulas mágicas” para o clareamento dos dentes

Anúncios propagandeiam o uso de substâncias e produtos controversos e sem orientação para deixar os dentes mais brancos; prática incorreta pode causar graves lesões na boca

às 20h51
(Foto: Jannoon028/Freepik)
(Foto: Jannoon028/Freepik)
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Entre as milhares de mensagens, vídeos e propagandas que pipocam diariamente na internet e nas redes sociais, muitas delas prometem um “sorriso perfeito”, com dentes incrivelmente brancos e bem alinhados. Esta meta é validada com base em fotos de celebridades ou comerciais de cremes dentais que valorizam o sorriso de modelos em situações bastante relaxantes. Em meio a essas promessas, surgem as chamadas “receitas de internet”, que são propagandas tanto chamativas quanto enganosas. Elas garantem que “tornam os dentes mais brancos” através de misturas e fórmulas no mínimo exóticas, como carvão ativado, água oxigenada, bicarbonato, cúrcuma, limão ou até mesmo fitas adesivas.

O aumento da oferta dessas “fórmulas mágicas” confirma que muitas pessoas buscam por tratamentos de clareamento dental, atendendo a um “padrão de beleza” e de autoestima imposto pela moda e pela mídia. “Vivemos em uma sociedade altamente visual, impulsionada por redes sociais, fotografia digital e exposição constante da imagem. Esses padrões de beleza impostos aumentaram muito a busca por dentes brancos e alinhados. Além disso, o acesso à informação aumentou muito, o que faz com que as pessoas procurem soluções rápidas e, muitas vezes, caseiras e ineficazes”, explica a professora Clara Leal Barata de Mattos, do curso de Odontologia da Universidade Tiradentes (Unit). 

Ela explica que a estrutura de cada dente é formada por uma camada mais externa, translúcida e altamente mineralizada, chamada de esmalte. Abaixo dela, está a dentina, um tecido mais opaco composto por mineral, matéria orgânica e água. E no centro, está a polpa dentária, onde ficam os vasos sanguíneos e nervos. “A cor final que enxergamos é resultado da interação entre a translucidez do esmalte e a tonalidade da dentina”, detalha.. 

A professora frisa que as “fórmulas” e métodos oferecidos não são eficazes em relação à solução prometida, ou seja, o suposto “clareamento” dos dentes, que não acontece. “O que ocorre é um efeito abrasivo, que remove manchas superficiais, dando falsa impressão de dentes mais claros. No entanto, isso acontece às custas do desgaste do esmalte. E uma vez perdido, o esmalte não se regenera, sendo um dano irreparável.”, confirma, alertando que as consequências do uso destas substâncias não-indicadas podem ser graves, e não apenas para a saúde dos dentes, mas também para a boca como um todo. 

Além do desgaste e da erosão do esmalte, os principais riscos incluem aumento da sensibilidade dentária; irritação ou queimadura da gengiva (através do uso de substâncias com peróxido de hidrogênio sem controle); alteração do pH bucal, lesões na mucosa bucal e lesões pulpares. 

Ainda de acordo com Clara, a cor dos dentes pode ser influenciada por diversos fatores, como a idade e a espessura do esmalte e da dentina; o consumo exacerbado de pigmentação por alimentos e bebidas (café, vinho, refrigerantes, chás escuros); traumas dentários, tabagismo e uso prévio de alguns medicamentos capazes de causar manchamentos. Ela ressalta também que a cor do dente não é um indicador direto de saúde. “Um dente pode ser naturalmente mais amarelado e perfeitamente saudável. Da mesma forma, um dente muito branco pode apresentar cárie ou doença periodontal. O clareamento dental é um procedimento essencialmente estético, não terapêutico. É essencial um diagnóstico prévio para identificar se o clareamento é realmente um procedimento indicado para o caso”, esclarece.

O tratamento correto

Apesar dos riscos, é possível fazer o clareamento dos dentes de maneira correta, desde que o procedimento seja acompanhado por um profissional qualificado. Os métodos considerados seguros utilizam agentes à base de peróxido de hidrogênio ou peróxido de carbamida, em concentrações controladas. Eles podem ser feitos em consultório, com moldeiras personalizadas para uso domiciliar supervisionado ou associando as duas técnicas. 

“Antes do clareamento, no entanto, é fundamental uma avaliação clínica para verificar presença de cáries, infiltrações ou retração gengival. O paciente precisa ser adequado previamente, realizar limpeza e restauração de dentes com lesões cariosas para que o procedimento seja efetivo e seguro”, alerta a professora Clara Leal, frisando que a higiene e a saúde da boca como um todo são as prioridades que devem ser levadas mais em conta. 

Os cuidados fundamentais para preservá-lá passam pela escovação dos dentes com creme dental fluoretado, pelo uso diário de fio dental, pela redução do consumo de açúcar e por consultas regulares ao dentista. “Mais importante que a cor é a saúde bucal. Um sorriso saudável não é necessariamente o mais branco, mas aquele livre de doença e funcional”, conclui a professora.

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