ESTUDE NA UNIT
MENU
Menu Principal

Professora do PEP tem pesquisa aprovada na Chamada Universal do CNPq

Edital de financiamento é um dos mais concorridos e competitivos do país; o estudo de Katlin Eguiluz e sua equipe busca desenvolver um sistema de produção de hidrogênio verde

às 13h29
Compartilhe:

Uma professora e pesquisadora da Universidade Tiradentes (Unit) acaba de ter seu projeto aprovado em um dos mais difíceis e concorridos editais de financiamento de pesquisas do Brasil: a Chamada Universal 2024, promovida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foi a professora-doutora Katlin Ivon Barrios Eguiluz, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP), que concorreu com uma pesquisa sobre o desenvolvimento de um sistema de produção de hidrogênio verde e remoção simultânea de poluentes. 

O projeto, inscrito junto ao comitê da área de Engenharia Química, foi aprovado com a nota 9,95, ficando em quarto lugar na classificação nacional geral da área, que teve 30 projetos recomendados. Dentro dos chamados Grupos Consolidados (B), formados por pelo menos cinco doutores de duas instituições nacionais diferentes, ela ficou na terceira posição. E dentre todos os projetos de Sergipe que concorreram no edital, ela foi a única aprovada. 

A pesquisa aprovada tem o objetivo de construir e validar um sistema integrado capaz de produzir hidrogênio verde (via eletrólise) enquanto degrada microplásticos na água, preferencialmente com energia solar. Esse sistema, segundo Katlin, envolve o uso de catalisadores de baixo custo (cobalto, níquel, ferro e molibdênio) suportados em biocarvão e espumas metálicas; além de ânodos ativos para oxidação de microplásticos e um reator eletroquímico de dois compartimentos com membrana de troca de prótons. A meta é projetar, construir, testar e otimizar um protótipo em escala de laboratório ao longo dos próximos três anos.

“A eletrooxidação de plásticos pode mineralizar compostos orgânicos (até CO₂ e água) sem reagentes adicionais, enquanto o hidrogênio é coletado no cátodo, abordagem que ataca simultaneamente emissões e resíduos. O projeto aposta em catalisadores baseados em metais não nobres suportados em biocarvão/espumas metálicas, reduzindo custos frente a metais nobres e mantendo desempenho e durabilidade, o qual é um caminho mais competitivo para eletrólise alcalina e escalonamento industrial. A inovação é integrar, no mesmo reator de dois compartimentos separado por membrana, a produção de H₂ e a remoção de microplásticos, monitorando variáveis (corrente, pH, temperatura) e operando com placas fotovoltaicas”, explica a professora. 

O projeto está alinhado com a linha de pesquisa de Uso e Transformação de Recursos Minerais e Energéticos, do PEP, e terá boa parte de seus trabalhos realizados no PEP e no Laboratório de Eletroquímica e Nanotecnologia (LEN), do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), com apoio das universidades federais de Sergipe (UFS) e de Viçosa (UFV/MG), além da Universidad de Castilla-La Mancha (UCLM), na Espanha. Katlin Eguiluz lidera uma equipe de oito pesquisadores. Do PEP/Unit, participam o professor Giancarlo Salazar Banda, a pós-doutoranda Ivani Meneses Costa e as alunas de pós-graduação Déboralys Ferreira Passos, Maria Luzinete Rocha dos Santos e Vanessa Barauna Santos. Juntam-se a eles os professores André Luis Dantas Ramos (UFS); Tiago Almeida Silva (UFV) e Cristina Sáez Jiménez (UCLM). 

Ao todo, ele terá um financiamento de R$ 210 mil do CNPq, que irá contemplar despesas de custeio e capital, como materiais de consumo, serviços de terceiros, despesas de importação, passagens, diárias, equipamentos e material permanente. Também inclui bolsas de Iniciação Científica (IC), Iniciação Tecnológica e Industrial (ITI) e Apoio Técnico à Pesquisa (AT), todas limitadas à vigência do projeto.

Alta competitividade

A Chamada Universal do CNPq é realizada desde 2001 e tem o objetivo de selecionar e financiar projetos com potencial de contribuir para o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação do país, em todas as áreas do conhecimento e contemplando instituições de todas as regiões brasileiras. “Por ser ‘universal’, ele atrai muitas propostas qualificadas e, portanto, é altamente competitivo”, resume Katlin. 

Para a edição deste ano, de um total de 8.264 projetos inscritos, 2.063 foram aprovados e receberão um investimento total de R$ 450 milhões do CNPq e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), com reserva mínima de 30% dos recursos para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Este edital é subdividido em faixas e áreas de conhecimento, mas abrange um amplo universo de pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação. 

Este é um dos detalhes que explicam a altíssima competitividade da Chamada Universal, na qual muitos projetos de pesquisas não conseguem ser aprovados por causa de uma diferença mínima nas notas, mesmo sendo reconhecidos por sua robustez. “Na área que a professora Katlin segue, ela teve uma das melhores pontuações do país. Isso não significa dizer que os outros pesquisadores, inclusive aqui da Unit e do ITP, não tenham conseguido uma pontuação muito alta. Eles também conseguiram, mas a peneira foi tão grande que teve gente com pontuação acima de 9,5 que não conseguiu emplacar seus projetos, porque a competitividade no país é muito grande”, detalha o diretor acadêmico da Unit, professor Marcos Wandir Nery Lobão. 

Para a pesquisadora, um dos fatores que podem ter sido determinantes para a escolha do projeto no Edital Universal foi o alinhamento de seu objetivo com políticas públicas relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em questões como água, energia sustentável, produção responsável e clima, e com a agenda nacional de hidrogênio. Além de integrar ações de extensão em tratamento de água para agricultura familiar, ampliando o seu impacto social direto, o estudo também participa de estratégias regionais de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), como a Rede de Hidrogênio de Minas Gerais e a Rede Mineira para Valorização de Resíduos (ReMIVaR). 

Outros fatores destacados são a qualidade e experiência da equipe de pesquisadores e a combinação inédita na proposta entre produção de hidrogênio verde e degradação de microplásticos, com materiais de custo acessível e operação por energia renovável. Há ainda o interesse formal da empresa Qair Brasil, especializada em energia renovável, eólica e solar, em apoiar o projeto, o que abre possibilidades para a transferência de tecnologias.  

Relevância acadêmica

A aprovação de uma pesquisa na Chamada Universal do CNPq é uma conquista bastante relevante nos meios acadêmicos, pois indica alto nível de qualidade científica e acadêmica. Este nível se confirma nas muitas e diversas pesquisas realizadas atualmente pelos professores e alunos de mestrado e doutorado dos cursos de pós-graduação stricto sensu da Unit, com o suporte dos laboratórios e equipes do ITP, bem como dos alunos de graduação envolvidos em projetos de iniciação científica e tecnológica. 

“A conquista da professora Katlin no edital Universal do CNPq é motivo de grande orgulho para a Unit, ITP e para todo o nosso ecossistema de pesquisa. Estar entre as primeiras colocações nacionais em Engenharia Química demonstra a qualidade e a relevância da produção científica desenvolvida em nossa instituição e reforça o compromisso da Unit com a excelência acadêmica e a inovação”, ressalta a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unit, professora Patrícia Severino. 

O volume de produção científica e acadêmica, através de pesquisas e estudos em andamento, inclusive com financiamentos de agências de fomento como o CNPq e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) é um dos critérios levados em consideração nas avaliações periódicas que a Capes faz nos cursos e programas de stricto sensu em todo o país. Nelas, os programas da Unit estão bem conceituados: o de Direitos Humanos (PPGD) com a nota 4; o de Educação (PPED) com a nota 5; e os de Engenharia de Processos (PEP), Biociências e Saúde (PBS) e da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), com a nota 6, considerada de excelência nacional e internacional. 

Isso significa dizer que os nossos pesquisadores são bastante competitivos. Temos que manter essa alta competitividade, porque o conceito da Capes é um resultado de toda a produção científica, a produção acadêmica e a contribuição social desses pesquisadores. Isso leva a alcançar e manter um conceito muito alto dos nossos mestrados e doutorados, como a gente tem hoje. Essa produção científica e competitividade dos nossos pesquisadores é associada à obtenção de recursos através dos editais, mas isso também eleva os nossos conceitos e reverbera na constante melhoria da nossa qualidade acadêmica”, conclui Marcos Wandir.  

Patrícia considera que a aprovação da Chamada Universal amplia as possibilidades de desenvolvimento científico, fortalecendo a formação de novos pesquisadores, o avanço de tecnologias e a integração entre universidade, sociedade e setor produtivo. “Além disso, contribui para a visibilidade nacional da Unit e para a consolidação do nosso Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos, que se mostra cada vez mais competitivo e conectado às demandas contemporâneas da ciência e da sociedade”, disse a pró-reitora.

Leia mais:
ProMAI abriu caminho do intercâmbio em Portugal para egressa de Biomedicina

Compartilhe: