Sentir o coração acelerado, as mãos suando e a mente em branco momentos antes de uma prova é uma realidade para muitos estudantes. A ansiedade, quando em excesso, pode comprometer o desempenho e impedir que o candidato demonstre o que realmente aprendeu ao longo da formação. Transformar esse nervosismo em um aliado exige preparo, técnicas específicas e, sobretudo, o cuidado com a saúde emocional.
Pensando nisso, a Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Tiradentes (Unit), em parceria com a coordenação do curso de Psicologia, realizou no dia 25 de setembro a live “Da ansiedade à confiança: preparação psicológica para provas e exames”. A ação integra o plano estratégico da PG para apoiar os estudantes que farão o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e o Exame Nacional de Cursos de Medicina (Enamed) em 2025.
O objetivo da iniciativa é acolher e instrumentalizar os candidatos, oferecendo práticas que os ajudem a lidar com as demandas emocionais e psicológicas típicas de grandes avaliações. Durante o encontro, a professora Jamille Figueiredo, coordenadora de Psicologia da Unit, apresentou técnicas e reflexões fundamentais para enfrentar esse desafio.
Ansiedade: inimiga ou aliada?
De acordo com Jamille, a ansiedade pode se manifestar de forma positiva ou prejudicial. “Todos nós sentimos ansiedade. Ela nos prepara para situações importantes, como uma prova ou uma entrevista. O problema começa quando os sintomas ultrapassam o limite e atrapalham a vida cotidiana”, explicou. Segundo ela, quando o nervosismo é intenso demais, surgem sinais como taquicardia, suor excessivo e pensamentos negativos persistentes.
Para a psicóloga, a chave está em transformar essa emoção em ferramenta de desempenho. “Em níveis equilibrados, a ansiedade pode ser nossa aliada. Ela nos mantém alertas e focados. O desafio é impedir que ela se torne paralisante”, destacou. Nesses casos, práticas como psicoterapia ou técnicas de autocontrole podem ser fundamentais para recuperar o equilíbrio.
Jamille também lembrou que o acesso ao cuidado psicológico está disponível em diferentes espaços. “Além dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a Unit conta com clínica-escola onde os estudantes podem procurar apoio. É importante reconhecer que cuidar da saúde mental é parte da preparação para os exames”, ressaltou.
Autocuidado e técnicas práticas
Entre as estratégias recomendadas pela professora, o autocuidado ocupa lugar central. Ela reforça a importância de manter uma alimentação equilibrada, investir em momentos de lazer e garantir um sono de qualidade. “O descanso adequado é essencial para a memória e para o controle da ansiedade. Dormir tarde ou pouco compromete tanto a atenção quanto o bem-estar emocional”, afirmou.
No campo das práticas psicológicas, a docente destacou a respiração diafragmática, que ajuda a regular o corpo e a mente. “É um exercício simples, mas poderoso. Inspira-se profundamente pelo nariz, expandindo o abdômen, segura alguns segundos e expira lentamente pela boca. Se praticada diariamente, essa técnica ajuda a controlar o nervosismo em momentos críticos”, detalhou.
Outra sugestão é o questionamento de pensamentos catastróficos. “Muitas vezes sofremos por cenários que nós mesmos criamos. É preciso se perguntar: será que é realmente tão difícil ou estou aumentando a situação? Essa reflexão ajuda a reduzir a ansiedade e a encarar a prova com mais clareza”, explicou.
Estratégias durante a prova
No momento do exame, Jamille recomenda que o estudante inicie pelas questões mais fáceis. Essa escolha, segundo ela, amplia a sensação de confiança e reduz a pressão inicial. “Quando começamos acertando, o cérebro entende que somos capazes, e isso nos fortalece para avançar nas questões mais complexas”, disse.
O gerenciamento do tempo também se mostra crucial. A especialista orienta calcular o número de questões e dividir proporcionalmente os minutos disponíveis, evitando acúmulo no final. “É comum ver alunos nervosos perderem a noção do tempo e deixarem de responder itens que sabiam resolver. Planejamento faz toda a diferença”, destacou.
Além disso, técnicas de visualização cognitiva podem preparar o cérebro para enfrentar o desafio. “Imaginar-se fazendo a prova de maneira tranquila e bem-sucedida ajuda a criar familiaridade. Quando o momento real chega, o corpo reage com mais calma porque já ‘vivenciou’ aquela cena mentalmente”, complementou.
Apoio institucional e acolhimento
A Unit também busca oferecer condições especiais para candidatos que necessitam de atendimento diferenciado. Estudantes com TDAH, por exemplo, podem solicitar aplicação das provas em ambiente reservado. “Cada pessoa é única, e muitas vezes adaptações simples, como um espaço silencioso, já fazem toda a diferença no desempenho”, ressaltou Jamille.
Segundo a coordenadora, o apoio institucional reforça a importância de olhar para a saúde mental com o mesmo cuidado dedicado aos conteúdos acadêmicos. “Toda a trajetória universitária é parte da preparação. Quando o aluno confia em seu percurso e se sente acolhido pela instituição, enfrenta o exame com mais tranquilidade”, afirmou.
Ao encerrar a palestra, Jamille reforçou que o objetivo das técnicas não é eliminar a ansiedade, mas torná-la produtiva. “Queremos que os estudantes consigam demonstrar, nas provas e concursos, tudo aquilo que construíram durante sua formação. A confiança nasce da combinação entre estudo, preparo emocional e apoio adequado”, concluiu.
Para quem deseja assistir essas e outras dicas, basta clicar no vídeo abaixo:
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