Em um universo em que a presença feminina na ciência ainda é desproporcional e marcada por obstáculos históricos, conquistar reconhecimento global torna-se ainda mais significativo. Estar entre os 2% de cientistas mais influentes do mundo, segundo ranking da Universidade de Stanford, significa alcançar não apenas um marco pessoal, mas também um avanço coletivo que inspira novas gerações de pesquisadoras. Esse é o caso da professora e pesquisadora Patrícia Severino, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Tiradentes (Unit), que figura entre os nomes mais relevantes da produção científica mundial em 2025.
Como funciona o ranking de Stanford
O levantamento feito anualmente pela Universidade de Stanford avalia cientistas de todas as áreas do conhecimento a partir de critérios rigorosos. São consideradas métricas como número de citações, índice h (que mede produtividade e impacto), posição de autoria nos artigos e abrangência global da produção. Esses indicadores são combinados em um índice especial, o c-score, que identifica os 100 mil pesquisadores mais bem colocados do mundo ou aqueles que figuram entre os 2% mais influentes de suas áreas.
No caso da professora Patrícia, a análise envolveu dados extraídos da base Scopus sobre sua produção científica, incluindo contribuições ao longo da carreira e impacto registrado no último ano. Para ela, a conquista vai além da estatística. “Estar entre os 2% de pesquisadores mais influentes do mundo significa ter o reconhecimento de que o trabalho científico desenvolvido é utilizado para o avanço da ciência, ou seja, citado e utilizado por outros pesquisadores globalmente, impactando a geração de novos conhecimentos na área”, explica.
Ela acrescenta que o resultado valida uma trajetória de consistência e relevância: “Em outras palavras, é a validação de uma trajetória consistente, que alia dedicação, qualidade e relevância científica, e que projeta também a Universidade Tiradentes, o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) e o Brasil no cenário internacional”, completa.
Fatores que moldaram a carreira
Ao refletir sobre os elementos que contribuíram para chegar a esse patamar, Patrícia destaca a escolha de uma formação interdisciplinar. Farmacêutica, seguiu mestrado e doutorado em Engenharia Química, combinação que ampliou sua capacidade de enxergar desafios científicos de forma integrada e inovadora.
“Na minha formação, tive professores que estavam à frente do seu tempo e moldaram minha forma de pensar ciência com ousadia e propósito. Além disso, experiências internacionais transformadoras, como a imersão em Harvard, no MIT e o programa Fulbright, abriram horizontes e conexões globais. Também considero fundamental o envolvimento com o empreendedorismo científico e a busca por uma ciência com aplicação prática, capaz de gerar impacto real na sociedade”, comenta.
O papel da Unit e do ITP
A inclusão no ranking, segundo Patrícia, não seria possível sem o apoio institucional. “A Unit e o Instituto de Tecnologia e Pesquisa foram decisivos para esse resultado. Ao me acolherem logo após o doutorado, encontrei instituições que abriram portas para desenvolver ciência com ousadia, autonomia e a liberdade necessária para explorar o mundo, construir colaborações internacionais e transformar ideias em projetos de impacto”, afirma. Esse suporte, aliado a um ambiente de inovação, foi essencial para que sua produção científica alcançasse visibilidade internacional.
Pesquisa com impacto social
Entre os trabalhos com maior repercussão, a pesquisadora destaca a linha de pesquisa voltada para o desenvolvimento de produtos destinados ao tratamento de doenças negligenciadas, como a leishmaniose. Esse tipo de pesquisa reforça o compromisso com áreas que, muitas vezes, recebem menor atenção do mercado, mas têm alto impacto social e de saúde pública.
O reconhecimento mundial, para Patrícia Severino, é também um convite à responsabilidade. “Meu principal objetivo agora é transformar essa conquista em inspiração para os alunos e jovens pesquisadores, mostrando que é possível construir uma carreira sólida, consistente e inovadora. Quero incentivá-los a enxergar a ciência além dos artigos e métricas, mas como uma ferramenta de transformação social, tecnológica e empreendedora”, conta, deixando uma mensagem aos futuros cientistas: “A curiosidade e a ousadia são os motores da ciência. Aos jovens pesquisadores, deixo esta mensagem: explorem, questionem e aprendam constantemente”, orienta.
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