Ela fez parte da primeira turma do curso de Nutrição da Universidade Tiradentes (Unit), que começou a funcionar em 2009. E dos conhecimentos que adquiriu nele, partiu para se aprofundar em áreas mais complexas da carreira, em grandes centros do país. Estamos falando da nutricionista Andressa Ferreira Campos, egressa da Unit que tornou-se mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Nutrição em Saúde Pública, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP). Ela fez ainda duas especializações na capital paulista: uma em Transtornos Alimentares, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IPq/HCFMUSP); e outra em Nutrição nas Doenças Crônicas Não Transmissíveis, no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEPAE), ligado ao Hospital Israelita Albert Einstein.
Andressa conta que à época, a criação do curso de Nutrição foi um marco importante para a Unit e para Sergipe, pois ele foi o primeiro a ser ofertado por uma instituição particular de ensino no Estado. Para ela, uma das lembranças mais marcantes está nos desafios propostos e vivenciados com a primeira turma, com a qual o curso foi tomando forma em sua grade curricular, seu corpo docente e seus projetos de pesquisa e extensão.
“A partir dessa primeira turma, foi possível filtrar, direcionar, trazer mais olhar do que estava funcionando e do que não estava funcionando. Isso fez com que a turma se tornasse bem participativa, e a gente se ajudava muito. É tanto que, após muitos anos de mercado, muitos profissionais da minha turma se destacaram na vida profissional também. Essa foi uma turma que marcou muito esse início do curso de nutrição na universidade”, disse Andressa, que se formou na Unit em 2013.
Ao longo da graduação, a então aluna se engajou em projetos de extensão do curso e em projetos de iniciação científica e tecnológica junto ao Laboratório de Pesquisas em Alimentos (LPA), do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP). Foi ainda monitora de duas disciplinas: Nutrição e Dietética e Estágio em Saúde Pública.“A Unit sempre teve um renome na sociedade sergipana, quanto à qualidade dos cursos e à estrutura. Sempre foi muito preocupada com a qualidade dos profissionais, tanto na parte didática quanto profissionais engajados em pesquisas e práticas extensionistas. Isso teve um grande auxílio na minha decisão, também vinculada à área da Nutrição para a qual eu gostaria de me direcionar”, atribuiu.
Inquietude motivadora
Com o fim da graduação, Andressa Campos foi morar em São Paulo e seguiu com os estudos de especialização, com o mesmo espírito de decisão que sempre foi sua característica. “Quando eu fui morar em São Paulo, a minha especialização era em doenças crônicas não transmissíveis, voltada mais para a área clínica, que abordava diversos acometimentos em doenças crônicas. É a parte de diabetes, hipertensão, de doenças cardiológicas, oncológicas, etc. Era uma área mais abrangente, mas muito importante, vinculado ao processo do nutricionista. Mas a minha inquietude não me deixou parar”, disse Andressa, acrescentando que, após as especializações, ingressou no mestrado da USP e se interessou ainda mais pela área acadêmica.
No meio do caminho, a ex-aluna da Unit se interessou pelo estudo dos transtornos alimentares, tema de sua segunda especialização. No IPq/USP, ela passou pelo Ambulim, o Programa de Aprimoramento em Transtornos Alimentares, que foi o primeiro do país a se especializar nesse tipo de tratamento. E no mestrado, uma de suas professoras foi a doutora Marle Alvarenga, uma das fundadoras da abordagem da nutrição comportamental, bastante adotada atualmente pelos nutricionistas.
Para Andressa, foi um divisor de águas quanto à sua área de atuação. “Hoje, na minha prática profissional, eu sou nutricionista clínica, mas com ênfase em transtornos alimentares vinculados à anorexia, à bulimia, à compulsão alimentar, e a outros problemas. Trabalho exclusivamente para a demanda desse público”, explica Andressa, que também atua em demandas de saúde mental e no atendimento a pacientes em tratamento contra o câncer.
A egressa defende a importância desta especialidade e a ampliação da visão que as pessoas têm geralmente sobre o serviço do nutricionista, que em geral é visto apenas como um “programador de dietas”. “Hoje a gente vive numa sociedade completamente ansiogênica, pois além da ansiedade tem os processos depressivos. Vejam o quanto a alimentação traz essa regulação e essa importância quando a gente fala do processo do comer. Além disso, estamos imersos numa sociedade completamente impositiva em como você tem que agir, como você tem que ser, como você tem que trazer o seu estereótipo e isso acaba trazendo vinculações no processo emocional, no processo comportamental e também no processo alimentar. Eu digo que é essa uma área muito desafiadora, mas infelizmente ainda é pouco falada na nutrição”, aponta ela.
Andressa Campos voltou para Aracaju em 2018 e, desde então, faz atendimentos sob demanda em sua clínica particular. Ela destacou a Unit como um ambiente muito importante para a sua formação profissional. “A Unit sempre proporcionou uma estrutura e possibilidades de ser inserida no mercado de uma forma bem consolidada. Ela dá o direcionamento, mas a gente precisa trilhar esse caminho, independente de qual área que você atue, de qual abordagem você pratica, e oferece, possibilidade de fazer estágios em outras instituições e projetos de pesquisas em outras instituições também renomadas, por conta das parcerias que ela propõe para outras universidades”, afirma.
Leia mais:
Saiba como evitar riscos de metanol em bebidas clandestinas