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Pesquisa e acolhimento motivam intercambista a ampliar permanência na Unit

Aluno peruano da área de Biotecnologia prorrogou o intercâmbio para concluir iniciação científica no ITP e seguir explorando experiências acadêmicas e culturais.

às 21h18
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Sabe aquela vontade de “ficar mais um pouquinho” em um lugar que agrada bastante? Muitos estudantes que passaram pelo intercâmbio certamente voltaram a seus países com essa sensação doendo no peito. E outros puderam “matar a vontade” oficialmente, prorrogando seu período de permanência. Foi o que fez o peruano Gerardo Manuel Delgado Calizaya, aluno do 11º período de Engenharia Biotecnológica na Universidad Católica de Santa Maria (UCSM), em Arequipa (Peru). Ele estendeu por mais seis meses o período de mobilidade acadêmica na Universidade Tiradentes (Unit), em Aracaju, onde cursa parte das disciplinas do curso de Biomedicina. 

Gerardo chegou a Aracaju no dia 23 de julho do ano passado e, inicialmente, voltaria à sua cidade em março, mas decidiu estender sua mobilidade até o final de julho. Um dos motivos é a conclusão do estágio de iniciação científica que está fazendo no Laboratório de Biologia Molecular (LBM), do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP). O aluno diz que não encontrou dificuldades para seguir com o processo. “Foi relativamente fácil. A Gerência de Relações Internacionais foi a encarregada de tudo: eles se comunicaram com a minha faculdade e coordenaram todo o processo da renovação”, conta. 

A pesquisa do ITP da qual Gerardo participa é sobre a produção de nanopartículas de lignina, um polímero natural encontrado em plantas que pode ser usado para substituir materiais fósseis em aplicações biomédicas. Segundo ele, a lignina tem muitas propriedades em sua composição, podendo ser aplicada como copolímero ou em atividades antioxidantes e antimicrobianas. “Esta pesquisa é parte da minha iniciação científica, e agora estou na última etapa do projeto. Como gostei do tema, decidi terminá-la antes de ir embora. Então tenho mais dois meses para concluir”, avalia o peruano, cuja orientadora é a professora Maria Lucila Hernández Macedo, coordenadora do LBM. “Ela é incrível. Neste ano, ela me ensinou muito sobre o ambiente da pesquisa, as técnicas, como seguir o passo-a-passo, etc”, elogia. 

Além de se dedicar a esta pesquisa sobre a lignina, participou de outra pesquisa no LBM com outros alunos, sobre a prospecção e validação de sondas de DNA para a detecção de duas bactérias patogênicas: a escherichia coli e staphylococcus aureus. Esta primeira pesquisa foi apresentada em novembro de 2025 na 27ª Semana de Pesquisa da Unit (27ª Sempesq), tendo como orientadoras as professoras Lucila Hernández e Katlin Ivon Barrios-Eguiluz. Ambas, além de docentes do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS), também são peruanas de Arequipa, mesma cidade do intercambista. 

A vontade de estender o intercâmbio também se deveu ao intenso aprendizado cultural que Gerardo vem aproveitando no Brasil e em Sergipe, além de formar laços mais estreitos com os outros estudantes do Peru, da Colômbia, da Espanha e dos Estados Unidos que estão fazendo mobilidade na Unit. “Esses primeiros meses foram incríveis. Conheci muita coisa sobre a cultura, as tradições, a comida, as pessoas… Eu também pude conhecer os outros intercambistas que se tornaram a minha família aqui. Eu gostei também do fato de Aracaju ser uma cidade muito segura”, elogiou. 

O clima agradável ficou mais claro em uma das atividades da qual Gerardo participou: a Oficina de Gastronomia Regional, promovida no último dia 15 pelo curso de Gastronomia, em parceria com a GRI. “Como foi a segunda vez que participei, e já sabia que ia acontecer, então eu consegui interagir melhor com os chefs. E depois consegui preparar a sobremesa em casa”, contou, referindo-se à saborosa e bem sergipana queijadinha com espuma de mangaba. 

A previsão é de que o estudante peruano conclua o curso de Engenharia Biotecnológica na UCSM até o final do mês de agosto. Mas a extensão do intercâmbio fomentou ainda mais a vontade de voltar e permanecer estudando no Brasil, dedicando-se à pesquisa científica. “Definitivamente, a pesquisa no Brasil é um pouco diferente [da realizada no Peru], e gostaria de fazer uma pós-graduação aqui, mas primeiro tenho que terminar o meu curso”, afirma.

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