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Interesse pela pesquisa trouxe aluno peruano para intercâmbio na Unit

Gerardo Manuel Calizaya está prestes a concluir seu curso na UCSM, em Arequipa, e já faz estágio participando de pesquisas no Laboratório de Biologia Molecular do ITP

às 15h25
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O rosto e jeito tímido não escondem o sorriso e a simpatia do peruano Gerardo Manuel Delgado Calizaya, aluno do décimo período de Engenharia Biotecnológica na Universidad Católica de Santa Maria (UCSM), em Arequipa (Peru). Esta alegria aflorou-se ainda mais com as experiências que ele vem vivendo em Aracaju. Desde o dia 23 de julho, o estudante está em um intercâmbio na Universidade Tiradentes (Unit), onde faz mobilidade acadêmica no curso de Biomedicina. Além de cursar parte das disciplinas do período, Gerardo faz um estágio de iniciação científica no Laboratório de Biologia Molecular (LBM), do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP). 

A vinda ao Brasil já era esperada e preparada pelo aluno há pelo menos dois anos, mas enfrentou dificuldades para se concretizar, pois o seu curso de origem no Peru tem poucos equivalentes nas universidades do exterior. “Os professores recomendaram que eu esperasse até o último período para fazer as práticas pré-profissionais, que eu posso fazer em qualquer universidade ou instituto. É o momento para ver como é o trabalho de pesquisa, conhecer mais metodologias, equipamentos, como é o trabalho dos doutorandos”, explica Gerardo, sobre a disciplina existente em seu curso na UCSM.

A instituição peruana já tem uma sólida relação com a Unit, que já enviou estudantes para Arequipa através do ProMAI (Programa de Mobilidade Acadêmica Internacional) e também recebeu outros alunos da UCSM em Aracaju. A parceria foi levada em conta na indicação feita a Gerardo pela Oficina de Relações Internacionais da sua instituição. Mas não foi o único: pesou também o interesse pela pesquisa científica. “Meus professores sempre me recomendaram ir para o exterior, porque tem mais oportunidades. Eu gosto de pesquisar e gostei muito do Brasil porque aqui tem pesquisas com modificação genética, que não tem no Peru, e tenho muito interesse. Aqui na Unit, estou no LBM e posso começar a conhecer e aprender muito sobre as técnicas para atuar nessa área”, revelou. 

Uma coincidência facilitou a adaptação de Gerardo à rotina na Unit e no ITP: a professora Maria Lucila Hernández Macedo, coordenadora do LBM, também é peruana e está como orientadora em seu projeto de iniciação científica: um estudo sobre a produção de nanopartículas de lignina, um polímero natural encontrado em plantas que pode ser usado para substituir materiais fósseis em aplicações biomédicas. “A professora Lucila é muito amável. Nós podemos falar de tudo e [com ela] nunca fico perdido. E as pessoas em geral, aqui no Brasil, são muito amáveis e acolhedoras. Só senti a diferença no clima, que é muito mais quente do que em Arequipa”, diz o intercambista. 

Calizaya também tem aproveitado o intercâmbio para aprender português, conhecer a culinária brasileira e visitar locais turísticos de Aracaju e de outras cidades. Uma delas foi Poços de Caldas (MG), onde o peruano participou de um congresso científico. E outras ainda estão no radar de viagens, como a Praia do Saco, em Estância; o Parque dos Falcões, em Itabaiana, e a cidade de Salvador (BA). Fora das atividades na Unit, em seus momentos de folga, o peruano tem gostado principalmente de ir às praias da cidade. “O Departamento [Estado] de Arequipa tem praia, mas a viagem da minha cidade é de duas horas pra chegar até lá. Aqui [em Aracaju], é só cinco minutos”, justifica. 

A previsão é de que o estudante peruano conclua seu intercâmbio em março de 2026 e retorne a Arequipa para a conclusão do curso. Depois disso, seus planos passam por fazer mestrado e doutorado, inclusive no Brasil. “Eu gosto dessa área. Gosto de pesquisar e às vezes de ensinar. Então, essa é uma boa oportunidade”, avalia Calizaya.

Convivência estreita

Além da professora Lucila, outra pessoa que mais tem ajudado Gerardo em seu período de intercâmbio é a sua buddy, Laisa Santos de Araújo, aluna do quinto período de Biomedicina da Unit. Ela tem o acompanhado no dia-a-dia, acompanhando o intercambista tanto em suas providências burocráticas, relacionadas à documentação e procedimentos junto à Unit e à imigração brasileira, quanto em orientações do dia-a-dia para adaptação à cidade e à rotina do campus.  

Laisa conta que está participando pela primeira vez do Projeto Buddy, criado pela Unit para integrar seus estudantes veteranos aos intercambistas, e passou a acompanhar também outros dois alunos estrangeiros, sendo um da Colômbia e outra da Espanha. “Eu nem sabia que esse programa existia até este período. E está sendo uma experiência muito enriquecedora. Posso conhecer novas culturas e aprender uma nova língua. Estou praticamente fazendo um intercâmbio dentro da minha própria cidade, da minha própria universidade. Eu nunca tive essa experiência de ir para o Peru, mas eu tô vivendo essa experiência aqui dentro”, diz ela.  

Para além do dia-a-dia, Laísa e Gerardo foram construindo uma relação de amizade, que lhes permitiu uma convivência mais estreita e vários momentos de lazer e descontração, incluindo as viagens e passeios. “Desde o começo, a gente teve uma relação muito boa. No começo, a gente é um pouco tímido, tanto eu quanto ele. Demorou um pouquinho para a gente se aproximar, mas sempre fomos muito parceiros, desde o começo. Eu sinto que a gente tem construído uma amizade muito legal. Estou amando ter ele como colega de curso”, elogia a buddy.

Além de despertar o interesse pela culinária e por um futuro intercâmbio no Peru, o acompanhamento como buddy despertou na aluna o interesse em fazer pesquisas científicas, inclusive na área de engenharia biotecnológica. “Ele fala muito sobre o curso dele e principalmente nessa experiência que ele teve em Minas, a gente conversou muito sobre isso, o que me chamou muito a atenção. O fato do Gerardo ser uma pessoa que gosta tanto da ciência e da pesquisa me estimula também e tem me feito aprender bastante também sobre isso, mesmo não sendo uma paixão apurada em mim”, admite Laísa.

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