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Como funcionam as ligas acadêmicas e por que elas são importantes

Organizações estudantis ampliam a formação, incentivam projetos e aproximam alunos da prática profissional

às 21h44
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Dentro da universidade, existem diferentes formas de ampliar a formação para além das disciplinas obrigatórias. Uma delas é a criação de grupos que se dedicam ao estudo e à prática de temas específicos, permitindo que os alunos se aproximem de áreas que despertam maior interesse e experimentem atividades que dialoguem diretamente com o futuro profissional. É nesse contexto que surgem as ligas acadêmicas, organizações estruturadas pelos próprios estudantes para aprofundar conteúdos, organizar eventos, grupos de estudo e ações junto à comunidade externa, permitindo que os participantes ampliem a experiência em gestão, planejamento, comunicação e tomada de decisão. 

De acordo com Geraldo Calasans, coordenador de Extensão da Universidade Tiradentes (Unit), as ligas pertencem aos cursos e operam de forma autônoma dentro deles, seguindo regras próprias. Ele explica que qualquer iniciativa de criação começa pela elaboração de um estatuto, documento que define a estrutura, o funcionamento e os objetivos da organização. “Cada liga possui seu próprio modelo, mas a partir do próximo semestre esses documentos passarão por um processo de padronização. Já disponibilizei no site da extensão um modelo de estatuto para orientar a criação das novas ligas”, afirma. 

Outro ponto que fortalece a relevância dessas organizações é o valor acadêmico que elas representam. “Em áreas como Medicina, Enfermagem e Fisioterapia, por exemplo, a participação em ligas costuma contar significativamente em processos seletivos para residências e programas de formação avançada. Assim, elas se transformam não apenas em um espaço de aprendizado, mas também em um diferencial competitivo para quem busca oportunidades de especialização”, explica.

Como funcionam 

Além do estatuto, há outros passos obrigatórios. É necessário elaborar uma ata de posse dos membros da diretoria, normalmente presidente, vice-presidente e responsáveis por áreas como marketing, pesquisa e extensão. Também é obrigatório designar um professor orientador. Esse conjunto de documentos, junto ao plano de trabalho com as atividades que a liga pretende desenvolver, é encaminhado para a extensão. “Após análise, aprovamos o início da liga, que passa a realizar suas atividades sob supervisão docente. Mas é importante lembrar que, quando a documentação chega à extensão, ela já precisa estar autorizada pelo curso ao qual está vinculada. A extensão é a última etapa de validação e não aprova casos que não tenham passado pelo curso”, reforça Calasans.

O ciclo de funcionamento da diretoria varia entre seis meses e um ano. Ao final desse período, a extensão emite os certificados dos membros com base no relatório final, documento assinado pelo professor orientador e pela coordenação do curso. Calasans destaca ainda que, apesar da supervisão institucional, as ligas mantêm autonomia. Essa característica é considerada essencial porque estimula o protagonismo estudantil e amplia o desenvolvimento de competências que nem sempre são trabalhadas em sala.

Impacto acadêmico, profissional e social

Para quem está de olho no futuro, as ligas exercem um peso importante no currículo. De acordo com Geraldo, essa participação conta pontos nos baremas acadêmicos, especialmente nas áreas da saúde, influenciando diretamente a seleção para residências médicas, de enfermagem e de outras formações especializadas. Isso significa que o envolvimento do aluno, além de formativo, pode se transformar em vantagem competitiva em processos seletivos pós-graduação.

O coordenador também ressalta o papel das ligas na construção de relações. A convivência entre estudantes de diferentes períodos, o contato direto com docentes e a interação com profissionais externos ampliam redes de apoio e colaboração, algo que tem impacto direto tanto na vivência acadêmica quanto no futuro profissional. “Os alunos aprendem não só conteúdos específicos da área, mas também a lidar com gestão e organização, aspectos igualmente importantes na formação”, afirma.

Outro diferencial das ligas é sua atuação junto às comunidades. Muitas delas desenvolvem ações de capacitação, palestras, atendimentos e projetos de discussão e pesquisa voltados ao público externo. Para Calasans, essa aproximação com diferentes realidades é fundamental. Ele explica que essas experiências ajudam os estudantes a construírem uma visão mais sensível sobre questões sociais, distanciando-se de uma formação limitada aos aspectos técnicos ou financeiros da profissão.

Acompanhamento e panorama atual 

O acompanhamento de cada liga é realizado pelo professor orientador, que responde pelo relatório final de cada ciclo. A coordenação do curso avalia o documento, e a extensão analisa as atividades desenvolvidas para fins de certificação. Esse processo garante organização interna e mantém o funcionamento das ligas alinhado aos objetivos pedagógicos da instituição.

Atualmente, a Universidade Tiradentes possui mais de 150 ligas registradas. Porém, considerando apenas aquelas ativas e com documentação atualizada, o número gira em torno de 70, a maioria vinculada à área da saúde. Com estrutura própria, autonomia estudantil e orientação docente, as ligas acadêmicas continuam se consolidando como um dos espaços mais significativos de formação complementar no ensino superior. Participar delas é, para muitos estudantes, o primeiro passo para construir uma trajetória profissional mais consciente, engajada e alinhada com os desafios da área escolhida.

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