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Unit participa de workshop nacional sobre descomissionamento offshore

Encontro reuniu especialistas do setor de óleo e gás e orienta estratégias de qualificação profissional diante do avanço das operações em Sergipe

às 20h52
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O descomissionamento de plataformas offshore, etapa que marca o encerramento da vida útil de estruturas de petróleo no mar, envolve a retirada segura de equipamentos, o tratamento de resíduos e o reaproveitamento de materiais. Trata-se de um processo complexo, que mobiliza uma cadeia de serviços integrada por logística, tecnologia e mão de obra especializada. Em Sergipe, esse cenário ganha dimensão com a previsão de retirada de 26 plataformas na Bacia Sergipe-Alagoas, com investimentos estimados em US$ 2,5 bilhões até 2035 e demanda diária por centenas de trabalhadores.

Paralelamente, projetos como o Sergipe Águas Profundas (SEAP) , indicam a continuidade das atividades produtivas por décadas, consolidando o estado como um polo estratégico no cenário nacional. Esse cenário foi tema do “Workshop Estratégico sobre Descomissionamento e Comissionamento Offshore em Sergipe”, realizado no Rio de Janeiro pela FGV Energia. O encontro reuniu representantes de empresas, operadoras e instituições ligadas ao setor de óleo e gás. Entre os participantes, estiveram os professores Artur Campos e Silvio Valença, representando o Centro de Formação Profissional (CFP) da Universidade Tiradentes (Unit).

Segundo o coordenador do CFP, Artur Campos, a participação teve como objetivo fortalecer a atuação da universidade na formação de profissionais voltados ao setor. “A magnitude do evento representou uma oportunidade para consolidar nossa presença como formadores de talentos e evidenciar o alinhamento do CFP com os movimentos produtivos e as oportunidades em Sergipe. Nossa participação ocorreu por meio de convite, a partir da inserção em redes especializadas da área de óleo e gás”, afirma.

Demanda crescente

Os dados apresentados reforçam que o avanço do descomissionamento no estado vem acompanhado de uma demanda imediata por qualificação profissional em diferentes níveis. Apenas as operações já em curso exigem cerca de 430 trabalhadores por dia, evidenciando a lacuna de mão de obra no setor. Além disso, Sergipe já desponta como a segunda bacia com maior volume de recursos destinados ao descomissionamento no país, atrás apenas da Bacia de Campos.

De acordo com o professor Silvio Valença, o cenário observado não é isolado e está inserido em uma dinâmica mais ampla do setor. “O que se percebe é uma escassez global de mão de obra especializada, o que tende a elevar custos e pressionar cronogramas. Esse cenário reforça a importância de antecipar a formação profissional e utilizar dados técnicos de forma coordenada para garantir a viabilidade dos projetos”, explica.

As exigências do setor também refletem a complexidade das atividades envolvidas e o tipo de qualificação demandada pelas empresas. “Descomissionar não significa apenas retirar estruturas. Exige engenharia especializada, logística eficiente, domínio de normas regulamentadoras, operação offshore e capacidade de inovação. Além disso, aproveitar fornecedores locais se torna uma vantagem competitiva, reduzindo custos e aumentando a eficiência. O descomissionamento envolve uma cadeia de serviços extensa, que abre espaço para novos negócios e para a ampliação de empresas já instaladas, gerando emprego, renda e tributos”, acrescenta o professor Silvio.

Para o professor Artur Campos, esse conjunto de fatores posiciona o CFP em um ponto diretamente conectado às necessidades do mercado. “O centro nasce com a proposta de atuar de forma alinhada às demandas do setor, desenvolvendo soluções de capacitação específicas para cada empresa. Esse diálogo é essencial para acompanhar a velocidade das transformações que estão em curso”, afirma.

Novas perspectivas

A participação no workshop também trouxe mudanças mais concretas no planejamento do CFP, especialmente diante da dimensão financeira e do ritmo das operações previstas para os próximos anos. A estimativa dos US$ 2,5 bilhões vinculada ao descomissionamento em Sergipe, somada ao plano mais amplo da Petrobras, que prevê cerca de US$ 9,7 bilhões para destinação sustentável de equipamentos e abandono de mais de 500 poços, indica um volume de atividades que exige resposta rápida na formação de profissionais.

Segundo o professor Silvio Valença, a experiência evidenciou lacunas que ainda não são atendidas pelo modelo tradicional de ensino. “Após ver de perto as demandas, surgiu a necessidade de pensar novas áreas de capacitação que o CFP ainda não oferece. O setor não demanda apenas operadores, mas profissionais que compreendam tecnologias emergentes, normas ambientais, protocolos de segurança e processos de rastreabilidade”, afirma.

Outro aspecto que impactou diretamente o planejamento foi a antecipação no cronograma de retirada de plataformas. A previsão de início de operações antes do prazo inicialmente estabelecido altera o ritmo do setor e amplia a urgência por profissionais qualificados. “O anúncio da antecipação do descomissionamento mudou nossa percepção sobre a velocidade com que o CFP precisa lançar seus primeiros cursos. Existe uma janela de oportunidade, mas ela exige ação imediata”, explica Silvio.

A troca com empresas também trouxe novos direcionamentos sobre a forma de atuação do CFP. “Ficou evidente a necessidade de levar a capacitação para dentro das empresas, com treinamentos in company, adaptados à realidade de cada operação”, destaca Valença. Além disso, a presença de diferentes atores no mesmo ambiente abriu possibilidades de articulação institucional. A participação conjunta de entidades como a FGV Energia, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e grandes operadoras foi apontada como um fator relevante. “Esse ambiente cria condições para o desenvolvimento de convênios, protocolos e projetos conjuntos, fortalecendo a atuação do CFP”, afirma.

Outro ponto considerado estratégico foi o acesso a referências internacionais. A visita prevista ao Centro de Excelência em Descomissionamento da SLB, no Rio de Janeiro, deve permitir contato direto com metodologias e tecnologias utilizadas globalmente. “Isso nos dá a oportunidade de trazer benchmarking e incorporar práticas já consolidadas no mercado internacional à nossa proposta de formação”, pontua.

Próximos passos

A partir das conexões estabelecidas durante o evento, o CFP iniciou uma fase mais estruturada de articulação com empresas do setor, com foco na transformação desses contatos em ações concretas. “Já temos visitas técnicas agendadas com o objetivo de realizar uma escuta ativa das demandas dessas companhias, visando o desenvolvimento de soluções de capacitação sob medida. O CFP tem como premissa atuar de forma customizada, desenvolvendo soluções alinhadas às demandas específicas de cada empresa, especialmente em áreas como normas regulamentadoras, operação offshore e atividades técnicas ligadas ao descomissionamento”, explica.

No campo institucional, a estratégia inclui a continuidade da presença em eventos do setor ao longo de 2026, ampliando o diálogo com empresas e fortalecendo o posicionamento da instituição nesse mercado. A agenda inclui encontros como Bahia Oil & Gas, Sergipe Oil & Gas, em Aracaju, e Rio Oil & Gas, considerado o maior evento da área na América Latina. Com esse movimento, a expectativa é avançar da etapa de prospecção para a consolidação de parcerias e projetos, acompanhando um setor que já apresenta demanda concreta por qualificação e tende a se expandir nos próximos anos, impulsionado tanto pelo descomissionamento quanto pelos novos projetos em águas profundas.

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