A Biomedicina é uma das áreas da saúde com ampla inserção profissional, especialmente pela diversidade de campos de atuação. O biomédico pode trabalhar em análises clínicas, microbiologia, histotecnologia, auditoria em serviços de saúde, gestão hospitalar, diagnóstico laboratorial e pesquisa científica. Essa multiplicidade de possibilidades, aliada à formação prática e ao contato com a rotina profissional ainda na graduação, tem contribuído para uma alta taxa de empregabilidade, com muitos estudantes conquistando oportunidades antes mesmo de concluir o curso.
Exemplo disso são os biomédicos formados pela Universidade Tiradentes (Unit) que ingressaram rapidamente no mercado. Thaynara Leite Santos, Priscilla Marques, Helton Caio Santana Santos e Yasmin Costa construíram trajetórias marcadas por estágios, experiências práticas e dedicação acadêmica, fatores que abriram portas ainda durante a graduação ou logo após a conclusão do curso.
Liderança precoce
Com habilitações em Patologia Clínica e Auditoria em Serviços de Saúde, Thaynara Leite Santos iniciou sua trajetória profissional antes mesmo da conclusão da graduação. Desde o início do curso, ela já tinha definido o caminho que desejava seguir dentro da Biomedicina. “Sempre tive uma grande paixão pela assistência e pelo cuidado com as pessoas, mas foi na gestão e no gerenciamento de serviços de saúde que realmente me encontrei profissionalmente, pois acredito muito no impacto que uma boa gestão pode ter na qualidade do atendimento e na vida das pessoas”, explica.
A experiência prática começou entre o quinto e o sexto período, quando teve contato com disciplinas voltadas à gestão e ingressou na Rede Primavera. Ela começou como estagiária e, em cerca de cinco meses, foi efetivada como atendente clínica, passando a assumir novas responsabilidades. “Com o tempo fui assumindo novas responsabilidades e galgando outras funções, até chegar a uma posição de liderança, onde tive a oportunidade de liderar uma equipe multidisciplinar, envolvendo diferentes setores de recepção e atendimento”, relata.
Essa vivência prática foi determinante para sua aprovação em primeiro lugar no processo seletivo do Grupo Santa Helena. “O processo seletivo foi bastante enriquecedor e desafiador. Desde o início procurei demonstrar não apenas o conhecimento técnico adquirido durante a graduação, mas principalmente as experiências que construí ao longo da minha trajetória profissional na área da saúde”, afirma.
Atualmente, Thaynara atua como Coordenadora Administrativa do laboratório e do setor de vacinas do Grupo Santa Helena, com responsabilidades que envolvem a gestão de quatro unidades e cerca de 45 colaboradores. “Entre minhas principais responsabilidades estão o acompanhamento das rotinas de atendimento, organização dos fluxos internos, suporte à equipe, alinhamento entre os setores e garantia da qualidade do atendimento prestado aos pacientes. Meu principal objetivo é garantir que o serviço funcione de forma organizada, eficiente e humanizada”, explica.
Vocação definida
A biomédica Priscilla Marques também conquistou sua inserção profissional logo após a graduação, ao assumir a função de macroscopista na área de Histotecnologia no Grupo SOLIM. O interesse pela área surgiu ainda durante o curso e orientou suas escolhas acadêmicas. “Desde o momento em que tive o primeiro contato com a disciplina, ao longo da graduação fui me identificando com a área. Isso fez com que eu direcionasse meus estudos e buscasse experiências práticas voltadas para essa área”, conta.
Para fortalecer a formação, ela ingressou na Liga de Patologia e Histotecnologia, onde participou de encontros, atividades e visitas em laboratórios de anatomia patológica. “Entrar para a Liga de Patologia e Histotecnologia me permitiu obter ainda mais conhecimento através dos encontros, fazendo atividades e visitas em laboratório de anatomia patológica”, relata.
As experiências práticas foram decisivas para sua contratação. “As principais experiências foram os estágios supervisionados e as aulas práticas em laboratório, onde tive contato direto com técnicas e rotinas da área. Essas vivências foram fundamentais para desenvolver habilidades, obter conhecimento e segurança na prática profissional”, afirma.
No processo seletivo, as competências técnicas desenvolvidas ao longo da graduação foram determinantes, principalmente aquelas adquiridas durante o estágio. “A experiência prática com técnicas laboratoriais, incluindo a atuação na macroscopia, onde tive contato com a análise inicial e o manuseio de peças e biópsias, foi um diferencial importante. Também destaco habilidades como organização, responsabilidade e trabalho em equipe, que são essenciais para garantir a qualidade e a segurança na rotina laboratorial”, explica.
Na rotina profissional, Priscilla atua em diferentes etapas do processamento das amostras. “Atualmente, como macroscopista, atuo principalmente em processos como fixação. Também realizo a conferência da chegada das amostras, como peças cirúrgicas e biópsias, verificando se estão corretamente identificadas e correspondem às solicitações. Além disso, participo do preparo de soluções, como o formol, essencial para a conservação adequada do material biológico”, detalha.
Entre laboratório e pesquisa
Helton Caio Santana Santos também teve rápida inserção profissional após a graduação, ao ingressar no Laboratório de Análises Clínicas LAMAC. O primeiro contato com a rotina profissional foi marcado por desafios e adaptação. “Claro que me senti ansioso e até um pouco inseguro, por ser meu primeiro contato com um laboratório já como biomédico. A responsabilidade passou a ser totalmente minha, mas toda a formação teórica e prática que adquiri durante a graduação foi fundamental para que eu me sentisse preparado”, afirma.
Antes mesmo da colação de grau, Helton também conquistou aprovação no mestrado, resultado que ele atribui à vivência científica durante a graduação. “O mestrado sempre foi minha primeira opção, mas, como eu não tinha a garantia de que conseguiria ser aprovado, corri atrás de um emprego. Quando veio a aprovação, foi um momento muito especial, principalmente por ainda nem ter colado grau e já estar ingressando no mestrado”, relata.
Ele destaca a importância dos projetos de iniciação científica realizados durante a graduação. “Realizei dois projetos de iniciação científica e pude vivenciar, na prática, todo esse universo da ciência. Foi uma conquista que simbolizou o reconhecimento de toda a minha dedicação durante a graduação”, afirma.
Embora tenha iniciado a atuação profissional, ele optou por priorizar a pesquisa. “Após a aprovação e a confirmação da bolsa, entendi que não conseguiria conciliar ambos com a dedicação que considero ideal. Por isso, optei por focar integralmente no mestrado”, explica.
Ainda assim, ele reforça que a experiência no laboratório foi importante. “Minha habilitação é em microbiologia, área pela qual sou extremamente apaixonado. Fui requisitado para o setor de uroanálise e parasitologia, onde atuei por pouco mais de um mês, tempo suficiente para contribuir com a equipe e deixar uma marca positiva”, relata.
Para ele, a formação recebida foi decisiva para a rápida absorção pelo mercado. “A excelência acadêmica do curso de Biomedicina da Unit se deve muito à facilidade de parcerias que a universidade possui com diversas empresas do nosso Estado. Isso me possibilitou realizar estágios extracurriculares e realmente vivenciar o que é ser biomédico”, conclui.
Oportunidade antecipada
A biomédica Yasmin Costa também conquistou espaço no mercado ainda durante a graduação, ao ser convidada para integrar o setor de Microbiologia do Hospital Cirurgia enquanto realizava o Estágio Supervisionado II. “Desde agosto de 2023 eu fui selecionada para estágio extracurricular para o mesmo setor. Desde então foi me despertando mais curiosidade sobre o mundo da microbiologia e me dedicava nos estudos voltados para a área”, conta.
Com a experiência acumulada, surgiu a oportunidade de contratação. “Durante os últimos meses de 2025 ainda em meu período em estágio supervisionado II surgiu uma vaga para o mesmo setor, e como eu já estava lá há algum tempo e conhecia os procedimentos fui chamada para integrar a equipe”, relata.
Durante o estágio, ela desempenhou diversas atividades técnicas que contribuíram para sua inserção profissional. “Fazia de tudo um pouco: triagem de placas, painéis para identificação e antibiograma em aparelho automatizado, semeios de amostras, controles de qualidade e organização de planilhas do setor. Sempre tentava fazer da melhor maneira e mais correta possível”, explica.
A transição para a função de biomédica trouxe novos desafios e responsabilidades. “De primeiro momento foi um choque. A responsabilidade de lidar com a vida de pessoas se torna gigante. Apesar de que ainda durante estágio eu já tinha consciência de que tudo que eu fazia ali poderia impactar o paciente, como integrante a responsabilidade aumenta”, afirma.
Mesmo assim, ela destaca a importância da oportunidade. “Fiquei muito feliz de ter sido convidada antes mesmo de ter o diploma em mãos, muito grata a todas as pessoas que confiaram em mim para integrar a equipe”, acrescenta. Para Yasmin, a formação prática foi essencial para a preparação profissional. “As aulas práticas e teóricas, participar de ligas acadêmicas e sempre ir aos eventos ofertados ajudaram muito, seja em conhecimento teórico ou prático”, conclui.
Com trajetórias distintas, mas marcadas pela inserção precoce no mercado, os quatro egressos evidenciam a forte empregabilidade da Biomedicina e o impacto da formação prática na construção de carreiras ainda durante a graduação.
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