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Palestra de médicas do CHA marca a abertura do ciclo Unit Lectures

As norte-americanas Kirsten Meisinger e Tia Tucker abriram o projeto voltado à troca de conhecimentos globais e ao estímulo à fluência em idiomas; palestra feita em inglês debateu o cuidado humanizado na saúde

às 21h15
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Uma palestra completamente feita em inglês, só que a mais de 6,8 mil quilômetros de distância, com a atenção total de jovens estudantes brasileiros interessados no tema e interagindo com segurança. Este é o cenário proposto pelo projeto Unit Lectures, iniciado nesta segunda-feira, 25, e promovido pela Universidade Tiradentes (Unit), através de sua Gerência de Relações Internacionais (GRI). O objetivo é oferecer aos estudantes, professores e à comunidade acadêmica em geral a chance de assistir e participar de palestras totalmente faladas em inglês, espanhol ou francês sobre temas globais de alta relevância social.  

O projeto acontecerá mensalmente, no Campus Farolândia e em outras unidades da Unit e do Grupo Tiradentes, tendo a participação de professores e pesquisadores de universidades vindas do exterior. Além desses convidados, as palestras também serão dadas por pesquisadores e professores da própria Unit que sejam fluentes em um dos três idiomas, com transmissão simultânea para as unidades da Unit e de universidades parceiras. O principal objetivo é promover e fortalecer a cultura de integração com o conhecimento produzido em outros países, mesmo sem sair da universidade.

“Nós pensamos neste ciclo de palestras como uma iniciativa de fomentar a promoção de uma cultura de internacionalização dentro do campus, que oferece essas oportunidades de uma experiência internacional para os nossos alunos, para nossa comunidade acadêmica como um todo, incluindo professores e colaboradores, e também para alunos da cidade que possam se interessar em participar de iniciativas que não são comuns no dia a dia”, define o assessor de Relações Internacionais da Unit, Ian Bacellar Silva. 

Para o evento, foram convidados 100 alunos dos cursos de Medicina e Psicologia da Unit, além de 140 estudantes que fazem o Ensino Médio em escolas públicas e particulares de Aracaju e região metropolitana. Praticamente toda a palestra, inclusive as apresentações em slide e as perguntas do público, foi feita em inglês, com total entendimento e atenção dos alunos. A escolha por manter toda a palestra no idioma nativo das convidadas atende a um dos principais objetivos do ciclo de palestras. 

“É uma oportunidade de aproximar os estudantes e os alunos que querem ingressar na universidade das nossas iniciativas de internacionalização. Propositalmente, tudo foi feito em inglês porque a gente também entende que esse trabalho tem que começar dentro de uma formação local. Então, quando o aluno começa a ser exposto desde o começo, dentro da universidade, a um modelo de internacionalização que já promove esse tipo de oportunidade, fica muito mais interessante para ele se sentir motivado a sair do país”, argumenta a gerente de Relações Internacionais da Unit, Selen Ive Carneiro. 

Os bons doutores 

A palestra de abertura foi dada pelas médicas e professoras norte-americanas Kirsten Meisinger e Tia Tucker, ambas diretoras do Cambridge Health Alliance (CHA), complexo de saúde que atua em Boston (Estados Unidos) e com a qual a Unit mantém parceria há mais de cinco anos. Com base no tema Patient-centered care: essential qualities for a healthcare professional. (“Cuidado centrado no paciente: qualidades essenciais para um profissional de saúde”), as convidadas falaram sobre como acontece o trabalho diário dos profissionais de saúde comunitária no Brasil e nos Estados Unidos, além de como esta área é tratada pelos sistemas de saúde de cada país.

Tia Tucker destacou a importância da empatia e do senso de comunidade para o bom exercício da medicina e das outras profissões de saúde. Para ela, o bom profissional é aquele que, além da boa formação e da base científica, traz consigo o desejo de ajudar a comunidade. “Há muitas pessoas que precisam de um bom médico, e o médico precisa entender não apenas a saúde física da pessoa, mas também sua saúde biológica, social, emocional e psicológica. Sem entender essas coisas, você realmente não pode servir a comunidade em sua capacidade máxima ou capacitá-la a se tornar saudável. Em vez de se tornar uma barreira para o cuidado com a saúde, você pode caminhar ao lado delas, ajudá-las a alcançar uma saúde melhor. Na palestra de hoje, esperamos inspirar as pessoas a quererem praticar Medicina de Família. Não é a mais fácil, nem a mais bem paga, mas é a que me dá mais satisfação”, diz. 

Kirsten Meisinger, por sua vez, considerou que o convite para a abertura do ciclo Unit Lectures representa o fortalecimento da colaboração entre as duas instituições, além de fortalecer a internacionalização em seus respectivos ambientes. “Ter interações internacionais é um grande benefício para todos os docentes e alunos. Aprendemos mais sobre nós mesmos quando aprendemos uns com os outros. Para um estudante, isso abre uma janela para uma parte do mundo, que talvez ele não conheça de outra forma, e o ensina sobre si mesmo de uma maneira valiosa. Todos aprendemos uns com os outros quando fazemos do nosso jeito e conversamos uns com os outros, o que é uma dádiva. Eu estou feliz por estar aqui aprendendo com vocês”, afirmou ela. 

Inglês sem barreiras

A felicidade em aprender também foi demonstrada pelos estudantes que assistiram à palestra. Muitos deles consideraram que falar e ouvir em inglês não foi uma dificuldade e pode até aperfeiçoar a fluência com o idioma. “Acho que as doutoras têm uma comunicação muito fluida, de fácil entendimento. E isso é muito bom pra quem quer começar a aprender a falar inglês. Eu achei muito importante quando elas falaram sobre o lado humano do médico, e gostei de conhecer a realidade e as pessoas de um outro país. Não é a primeira vez que eu venho para a palestra com elas, mas essa foi a primeira em inglês e eu achei que foi até mais instigante, A gente fica com mais vontade de aprender”, considerou o aluno Pedro Karlo Vieira Nunes, do quarto período de Medicina. 

Esta foi a mesma opinião de Anna Sophia dos Santos Nascimento, do primeiro período de Psicologia. “É sempre muito enriquecedor a gente receber essas experiências que não se limitam só aqui no Brasil. Para mim, o inglês não foi uma barreira e eu achei que as doutoras se apresentaram muito bem e conduziram muito bem a palestra. Elas frisaram bastante na questão da empatia, da humildade, de você manter contato com o seu paciente. Querendo ou não, com o tempo vem se perdendo um pouco essa relação médico e paciente. E para mim foi muito importante entender que manter essa humildade é algo que eles ainda pregam muito aqui. É muito interessante a gente entender e enxergar as coisas pelo ponto de vista de outras culturas e outros países, mesmo sem sair do Brasil”, afirma a aluna.

Para o estudante Felipe Santana Pereira, do segundo ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Atheneu Sergipense, o convite para a palestra atiçou a curiosidade não apenas em se aprofundar no conhecimento de inglês, mas também em se preparar para, futuramente, fazer intercâmbios de estudos no Canadá e nos Estados Unidos. “É a primeira vez que eu tô tendo uma experiência tão chique e tão única como essa. Eu fiquei totalmente abismado em querer ir para essa palestra e ver como é na prática escutar alguém que fala inglês fluentemente e ver se eu consigo compreender em si. Quero ter mais experiência em ouvir mesmo, porque eu falo bastante inglês, virtualmente com outras pessoas o inglês Só que eu nunca fiz nada físico, assim. Eu acho que é uma experiência boa eu realmente ver ou escutar na prática alguém falando inglês“, avaliou. 

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