Do Peru para o Brasil. Esse foi o destino escolhido por Kadiha Belen Lazarte Najarro, estudante de Farmácia da Universidade Católica de Santa María, em Arequipa, que escolheu a Universidade Tiradentes (Unit) para viver uma experiência internacional voltada à formação acadêmica e à pesquisa científica. No Brasil desde janeiro deste ano, ela permanecerá na instituição até meados de julho, período em que tem aprofundado conhecimentos, conhecido uma nova cultura e ampliado sua visão sobre a profissão farmacêutica.
Kadiha explica que a decisão de escolher o Brasil aconteceu pelo crescimento da pesquisa científica no país e pelas referências positivas que recebeu sobre a instituição sergipana. “Decidi vir para o Brasil porque é um país que está vivenciando um boom na área de pesquisa, e era uma oportunidade de aprender muito. Para me ajudar a decidir pela Unit, uma colega de um ano mais avançado nos contou sobre sua experiência lá e o quão incrível foi, então decidi me candidatar e fui aceita”, conta.
Primeiras impressões
Ao chegar em Sergipe, a estudante afirma ter ficado impressionada com a estrutura da cidade e a preocupação com a qualidade de vida da população. Entre os aspectos que mais chamaram sua atenção estão os espaços voltados para atividades físicas e esportivas. “Percebi que era uma cidade que se preocupava com a saúde física de seus cidadãos; foi planejada com ciclovias por toda a cidade, e todos os condomínios têm quadras para a prática de esportes, até mesmo em praias como Cinelândia existem áreas onde se pode jogar vôlei. Fiquei impressionada e encantada com isso”, compartilha.
Além da estrutura urbana, as diferenças culturais também marcaram a experiência da intercambista. Ela destaca a gastronomia brasileira e o acolhimento das pessoas como fatores que mais a surpreenderam desde a chegada ao país. “A primeira coisa que me impressionou foi a comida. Os pratos tradicionais são completamente diferentes dos que eu conheço. Experimentei muitos ingredientes e frutas pela primeira vez e logo comecei a aumentar minha lista de pratos favoritos”, relata.
Kadiha também afirma que se sentiu acolhida pelos brasileiros desde os primeiros dias no país. “Minha cultura é muito mais fechada; tendemos a ser mais reservados, mas ainda assim amigáveis. Aqui, porém, você sente a alegria e a hospitalidade de cada pessoa. Elas oferecem ajuda prontamente, sem que seja preciso pedir, simplesmente por perceberem que eu estava perdida”, diz.
Nova rotina
Sobre a experiência acadêmica, a estudante percebe diferenças importantes entre a metodologia de ensino no Peru e na Unit. Segundo ela, a rotina acadêmica no Brasil proporciona mais equilíbrio entre os estudos e a vida pessoal. “Sinto que as aulas aqui são mais tranquilas. No Peru, eu dedicava mais horas a um único curso do que aqui, e isso com mais informações sobre a matéria e mais material para estudar. Lá, eu vivia estressada pela pressão dos professores e suas exigências”, comenta.
Ela destaca ainda que, na Unit, conseguiu encontrar um equilíbrio maior entre as responsabilidades acadêmicas e o tempo para outras atividades. “Aqui, sinto um equilíbrio: dedicamos tempo aos estudos sem comprometer o tempo que poderíamos dedicar a outras atividades”, acrescenta.
A convivência com colegas e professores também tem sido um dos pontos positivos do intercâmbio. Kadiha afirma que encontrou apoio desde o início, principalmente por conta da adaptação ao idioma. “Foi incrível conhecer meus colegas e professores; todos foram muito gentis comigo. Os professores sempre foram compreensivos com a nossa dificuldade com o novo idioma desde o início. Eles explicavam a matéria falando mais devagar para que pudéssemos entender”, afirma.
Pesquisa e futuro
Durante o período na Unit, a estudante também teve contato mais próximo com a pesquisa científica, experiência que considera decisiva para seus planos profissionais. Segundo ela, antes do intercâmbio nunca havia desenvolvido pesquisas de forma independente. “Eu nunca tinha feito nenhuma pesquisa por conta própria antes, mas aqui estou aprendendo os passos para fazê-la, e agora sei que é algo a que quero me dedicar”, revela.
Kadiha afirma que a experiência internacional ampliou sua visão sobre as possibilidades da carreira farmacêutica e despertou ainda mais interesse pela área científica. “Antes de vir para cá, eu não sabia tudo o que era possível alcançar, e ouvir meus colegas de laboratório falarem sobre suas pesquisas me impressionou com o nível de conhecimento deles e com a ideia de que isso é apenas o começo de algo maior que eu posso realizar”, conclui.
Leia também: Estudante de Jornalismo encontra na comunicação um caminho para representar histórias e inspirar pessoas