
Nilson Machado: “Professor não pode ser nem Caxias, nem Chacrinha” – fotos: Marcelo Freitas/Asscom/Unit
A grosso modo, o professor competente é aquele que desenvolve competência nos alunos. A competência de saber ler e interpretar o mundo, seus fenômenos históricos, sociais, econômicos; de se expressar bem e compreender o outro; contextualizar e imaginar; decidir e argumentar. Ok, essas são as características de um bom estudante. Mas, e quanto ao educador? Que competência ele precisa ter para cumprir a sua missão em sala de aula?
Para o professor Nilson José Machado, doutor em Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo – USP –, o educador competente precisa saber mediar conflitos de interesses, tecer significados, mapear relevâncias e construir narrativas fabulosas. “Um professor não deve ensinar matemática para o aluno saber matemática. É preciso que o docente compreenda a que competência o conteúdo da Matemática está relacionado. Somos professores de disciplinas, mas a disciplina não é fim, é meio. A nossa tarefa é organizar esses meios para atingir a um fim que é pessoal, pois a formação é pessoal em qualquer nível de ensino”, afirma.
Ao falar sobre mediação de conflitos de interesses, Nilson Machado ressalta que o professor não
pode ser tão autoritário, nem tão permissivo em suas decisões. “O interesse da escola é o cumprimento do currículo. O do aluno, na maioria das vezes, é diferente. Por isso o docente não deve fincar pé no currículo, nem dar somente o que os estudantes querem. Não dá para fazer como o Duque de Caxias na Guerra do Paraguai, que gritou ‘siga-me quem for brasileiro’ e mobilizou todo o exército. Na sala de aula, é diferente. Se o professor fizer isso, provavelmente morrerá sozinho. Mas também não dá para ser o Chacrinha, que atendia a tudo que a plateia pedia, pois há um programa a cumprir”, afirmou o doutor em Filosofia da Educação.
JORNADA
Nilson Machado ministrou a conferência de abertura da Jornada de Mobilização Pedagógica 2013.2 da Universidade Tiradentes. O evento reuniu cerca de 500 professores da Unit na noite dessa segunda-feira, 22, no Teatro Tiradentes, em Aracaju, e segue até a próxima sexta-feira, 26, com palestras e oficinas no Campus Aracaju Farolândia. O tema central da Jornada é Educação por Competências.
De acordo com a diretora de Graduação da Unit, professora Arleide Barreto Silva, o objetivo da instituição é promover a reflexão da prática docente com a perspectiva de fomentar a reconstrução de saberes. “Isso se dá por meio de troca de experiências e discussão de temáticas que propiciam a socialização e construção de novos conhecimentos”, argumenta.
O superintendente acadêmico do Grupo Tiradentes, professor Eduardo Peixoto Rocha, ressaltou o alinhamento do tema central da Jornada com o momento de implantação do currículo por competências nos cursos da Unit. “O processo de modernização curricular foi iniciado no ano passado, com Direito, Engenharias e cursos na área de negócios. Já estamos planejando os novos currículos das licenciaturas e pretendemos implantar uma nova proposta em 2014. Nossa intenção é incluir todos os cursos até 2015 e eu diria que este é um dos momentos mais importantes da história de 51 anos da Universidade Tiradentes. Um processo de atualização, alinhamento da formação dos nossos alunos com o mundo do trabalho, com a nova sociedade, com o novo perfil de estudante que chega à nossa universidade”, diz.
PREMIAÇÃO
A Gerência de Fidelização da Universidade Tiradentes aproveitou a abertura da Jornada de Mobilização Pedagógica 2013.2 para premiar os professores que obtiveram melhor resultado no processo de retenção de alunos, durante o segundo semestre de 2012. A primeira colocada, Carla Grasiela Santos de Oliveira, do curso de Enfermagem, ganhou um iPad; a segunda colocação ficou com Lisane Teixeira Dantas Menezes, dos cursos de Educação Física. Ela recebeu um notebook; o terceiro lugar, Paulo Jardel Pereira Araújo, de Engenharia Civil, foi premiado com um netbook.




