O curso de doutorado e seus conhecimentos abrem uma amplidão de possibilidades para a carreira de quem busca se firmar na carreira acadêmica, científica e profissional. E uma delas pode estar na gestão de instituições, como aconteceu com o professor Anderson de Almeida Barros, egresso do Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED), da Universidade Tiradentes (Unit). Em outubro deste ano, ele tomará posse como reitor da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), instituição da qual é professor de Ciências Contábeis desde julho de 2015 e vice-reitor por dois mandatos consecutivos, desde 2018. A eleição para reitor aconteceu no dia 9 de abril e foi vencida por sua chapa, com 67,77% dos votos válidos.
O professor alagoano tem graduação e mestrado em Ciências Contábeis, tendo feito seus cursos respectivamente nas universidades federais de Alagoas (Ufal) e Pernambuco (UFPE). Logo que terminou o mestrado, em 2012, ele passou três anos e meio como professor da Unit Alagoas, instituição que fazia parte do Grupo Tiradentes no estado. “Por isso, já conhecia de perto a excelência e a qualidade da Unit. Quando eu decidi pelo doutorado, a instituição foi uma escolha natural devido à sua sólida reputação”, lembra.
Anderson conta que sua turma no PPED, em 2021, iniciou as atividades em pleno período da pandemia de Covid-19, que exigiu medidas rígidas de segurança contra a contaminação. Em função disso, as aulas e atividades foram remotas, o que acabou lhe ajudando a superar um desafio: conciliar o curso com as aulas e jornadas dos outros cargos que já ocupava como professor e como gestor. “O formato remoto, inclusive, foi um dos fatores que viabilizaram a realização do curso, uma vez que eu já estava no segundo mandato como vice-reitor da Uneal e também atuava como professor na própria Uneal e na Ufal, onde possuo um vínculo de 20 horas. O grande marco foi o desafio de conciliar a gestão universitária em um momento crítico com as exigências de um doutorado a distância”, diz.
Outro desafio inicial foi se adaptar em uma área de conhecimento muito diferente das suas formações iniciais. “Após superar a etapa de imersão e conhecer os autores basilares da área de concentração da Educação, o doutorado se consolidou como um espaço de muito aprendizado e rica troca de conhecimentos. Esse processo expandiu significativamente minha visão sobre a gestão pública e universitária”, acrescentou o professor, que antes de ser eleito vice-reitor pela primeira vez, foi coordenador do curso de Ciências Contábeis e da Comissão de Vestibular da Uneal, além de pró-reitor de Desenvolvimento Humano.
Estas experiências de gestão motivaram a elaboração da sua tese de doutorado na Unit, intitulada “Business Process Management (BPM) no sistema acadêmico da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal)” e orientada pela professora Andrea Karla Ferreira Nunes. Ela buscou propor um modelo de gestão de processos, com recorte para o sistema acadêmico e o objetivo de padronizar as rotinas em todos os campi da universidade pública. Segundo Anderson, o tema foi definido a partir de uma conversa com a orientadora, na qual ele compartilhou algumas dificuldades que enfrentava à época.
“Relatando as minhas ‘dores’ como gestor público, identificamos uma grande lacuna na padronização dos processos da Uneal. A partir dessas discussões, propusemos um modelo de gestão de processos para a universidade, focado em um dos problemas mais críticos apontados pela comunidade acadêmica nas avaliações da CPA (Comissão Própria de Avaliação). Para mim, o grande motivador foi conseguir visualizar a aplicação prática da ciência na resolução de problemas reais da sociedade. E, neste caso específico, na solução de gargalos da própria instituição onde a ciência é produzida”, considera o autor.
Qualificando a gestão
Sediada em Arapiraca, a Uneal surgiu a partir da Fundação Educacional do Agreste (Funec), criada em 1970 como mantenedora da Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca (FFPA). Em 1995, o governo alagoano estadualizou a Funec e a transformou na Fundação Universidade Estadual de Alagoas (Funesa). E em 2006, a universidade foi oficialmente criada. Hoje, ela tem cerca de seis mil estudantes e mais de 350 professores efetivos em 35 cursos de graduação, 18 de especialização lato sensu e três programas de mestrado stricto sensu, sendo um próprio e dois em rede nacional. Eles estão distribuídos por seis campi, sendo cinco no interior (Arapiraca, Santana do Ipanema, Palmeira dos Índios, São Miguel dos Campos e União dos Palmares) e um na capital, Maceió.
A trajetória traçada por Anderson como gestor na Uneal se refletiu no convite para se candidatar a reitor nas eleições de abril. Ele acredita que essa oportunidade foi “um reflexo natural” dessa trajetória. “Apesar de eu ter um pouco mais de 10 anos de universidade, desde a minha chegada me envolvi ativamente em frentes estratégicas, sempre buscando entregar contribuições permanentes para as pautas mais importantes da instituição. Além disso, esse resultado é fruto de um trabalho coletivo”, atribui, citando o apoio dos outros componentes da gestão e de sua futura vice-reitora, Rosa de Lima Medeiros Neta, atual pró-reitora de Graduação e também servidora de carreira da instituição alagoana.
O professor diz “não ter dúvidas” que os conhecimentos adquiridos no Doutorado em Educação da Unit trarão grandes contribuições para o dia a dia da sua gestão como reitor da Uneal. “Durante o curso, debatemos profundamente os rumos da educação e, de forma mais específica, a minha pesquisa me permitiu fazer uma imersão nos desafios, gargalos e problemas enfrentados pelas universidades públicas. Tudo o que aprendi e absorvi ao longo de dois anos e 10 meses de curso se reflete agora nesta nova etapa. Inclusive, acabei concluindo o programa em um tempo mais curto por uma questão puramente estratégica, mas foi um período de intensa imersão que consolidou toda essa base de conhecimento que levo para a gestão”, afirma ele.
Anderson utiliza duas dimensões para definir a importância da Unit na sua formação e na sua carreira profissional: a da própria qualificação no PPED e a experiência que viveu no Grupo Tiradentes em Alagoas, como professor, coordenador de curso e assessor acadêmico. “Mais do que a minha dedicação e envolvimento ali, considero que a Unit foi a minha grande escola, não só como professor, mas também como gestor, já que liderava processos importantes. Toda a bagagem teórica e prática vivenciada na instituição, somada ao meu histórico como colaborador, funcionou como um divisor de águas e um diferencial enorme na minha trajetória. Essa formação sólida foi fundamental para consolidar a maturidade que hoje carrego para este novo desafio na gestão universitária”, concluiu.
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