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Pesquisa da Unit cria recurso digital que orienta uso de IA na educação básica

A “Roda da PedagogIA”, desenvolvida a partir de uma dissertação do PPED, apoia professores na integração estratégica de tecnologias digitais e inteligência artificial em sala de aula

às 20h20
(Fotos: Acervo pessoal)
(Fotos: Acervo pessoal)
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As conclusões de uma dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED), da Universidade Tiradentes (Unit), resultaram na criação de um recurso digital educacional voltado para a qualificação e o desenvolvimento de competências para professores do ensino Fundamental. É a “Roda da PedagogIA”, que busca orientar os educadores na seleção e no uso de tecnologias educacionais. Ele foi elaborado pelo professor e jornalista José Amorim da Silva Filho, docente da rede municipal de ensino de Barra do Choça (BA), que concluiu o mestrado na Unit ao final do ano passado. 

A Roda sugere aplicativos disponíveis que trabalhem objetos educacionais em dispositivos móveis, e foi elaborada como um recurso conceitual e visual, em formato de “guia prático”. Amorim conta que ele e seu orientador no PPED, o professor-doutor Ronaldo Linhares, atualizaram e adaptaram a Roda da Pedagogia original, chamada “Padagogy Wheel”, criada pelo desenvolvedor australiano Allan Carrington. O intuito foi integrar as inteligências artificiais educacionais às dimensões cognitivas da Taxonomia de Bloom, que classifica e organiza a complexidade do aprendizado nos domínios cognitivo, afetivo e psicomotor; e ao modelo SAMR (Substituição, Aumento, Modificação e Redefinição), que mensura o nível de integração da tecnologia com o aprendizado em sala de aula. 

“Em essência, a Roda da PedagogIA ajuda o professor a pensar em como usar as diversas Inteligências Artificiais de forma estratégica, partindo dos objetivos pedagógicos e não da tecnologia em si. Ela sugere tecnologias e abordagens para cada nível da Taxonomia de Bloom, desde o conhecimento básico até a criação e avaliação, sempre com o suporte da IA. É um mapa para o professor inovar na sala de aula com a IA, de forma intencional e eficaz”, afirma José. 

A pesquisa da dissertação no PPED teve como ponto de partida um levantamento sobre as competências digitais de professores dos anos finais do Ensino Fundamental nas escolas da cidade baiana (situada a 30 quilômetros de Vitória da Conquista), tendo como base o referencial do DigiCompEdu (quadro europeu de competências digitais para educadores). Em seguida, foi aplicado um processo de formação continuada sobre o uso pedagógico das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), o que, segundo Amorim, serviu como motivação inicial e mostrou a lacuna existente na formação dos professores locais em relação às competências digitais. 

“Essa vivência prática reafirmou a necessidade de uma proposta sistemática de formação continuada em tecnologias digitais. O estudo em si, com a pesquisa aplicada a 111 professores, foi o principal elemento da dissertação, e seus resultados culminaram na estruturação de uma proposta de formação continuada em tecnologias digitais. Foi um mergulho profundo na realidade da sala de aula, buscando entender como a tecnologia está sendo incorporada – ou não – no dia a dia pedagógico”, diz o egresso do PPED/Unit. 

Demandas detectadas

O autor relata que a construção da dissertação envolveu um diagnóstico detalhado sobre as potencialidades e as fragilidades no uso das TDICs pelos professores. Segundo ele, cerca de 87,4% dos pesquisados apresentavam competências digitais nos níveis mais básicos (A1/A2). Ou seja: a maioria dos professores apresentava um baixo nível de proficiência digital e o uso das TDICs era predominantemente instrumental. 

“Havia uma clara necessidade de um framework que os ajudasse a transitar para um uso mais pedagógico, autoral e inovador das tecnologias. A Roda da PedagogIA surge como essa resposta, oferecendo um caminho estruturado para que os professores possam integrar as inteligências artificiais de modo a promover a aprendizagem ativa e a personalização do ensino. Além disso, contribui para o desenvolvimento de competências digitais mais avançadas, superando o uso básico e fragmentado que foi diagnosticado”, lembrou José.

Sobre os principais desafios que os professores já enfrentam nesse processo de adaptação às novas tecnologias, incluindo a IA, o mestre em Educação pelo PPED considera que eles possuem muitas nuances, a começar pelo acesso ainda limitado a equipamentos e internet de qualidade em muitas escolas, e pela necessidade de uma formação continuada cada vez mais robusta, prática e alinhada às reais demandas dos docentes. 

“Há também o desafio da gestão do tempo, pois a incorporação de novas tecnologias exige planejamento e experimentação. E, com a IA, surge a necessidade de desenvolver uma alfabetização em IA, ou seja, entender como essas tecnologias funcionam, como utilizá-las de forma ética e crítica, e como adaptá-las para personalizar o ensino, sem perder o foco na pedagogia. O risco é que a tecnologia seja vista como um substituto do professor, e não como uma aliada poderosa”, considera.

Aplicando na prática

As conclusões do estudo resultaram na aplicação definitiva do plano de formação continuada proposto pela pesquisa, que começou a ser adotado neste ano pela Secretaria de Educação de Barra do Choça, juntamente com a Roda da PedagogIA. José Amorim Filho, que ministra as oficinas e coordena a área de Educação Digital e Inovação Pedagógica no Núcleo Técnico-Pedagógico da Secretaria, assegura que os resultados iniciais dessa formação são bastante promissores. 

“Temos observado um aumento significativo no engajamento dos professores com as ferramentas de IA, uma maior segurança em experimentar novas abordagens pedagógicas e, o mais importante, uma mudança na percepção da IA: de uma ameaça ou algo distante, para um recurso poderoso de apoio ao ensino e à aprendizagem. Os professores começam a criar atividades mais personalizadas, a desenvolver materiais didáticos inovadores e a estimular o pensamento crítico dos alunos em relação à tecnologia. É um processo contínuo, mas os feedbacks têm sido muito positivos, indicando que o dispositivo realmente ajuda a desmistificar a IA e a integrá-la de forma eficaz no planejamento pedagógico”, diz. 

Além da aplicação prática em Barra do Choça, a Roda da PedagogIA está sendo divulgada através de palestras, oficinas e formações ministradas por Amorim em diversas instituições e redes de ensino, principalmente em Sergipe e na Bahia. O material pode ser acessado e baixado em PDF de alta resolução, através deste link. Em breve, serão disponibilizados materiais de apoio, guias e até uma plataforma online que facilite ainda mais o acesso e a aplicação do novo recurso digital. “A ideia é torná-lo um recurso amplamente acessível, democratizar o acesso a essa abordagem e formar cada vez mais educadores para o uso estratégico da IA na educação”, conclui o professor.

Professores e redes de ensino interessados em pedir formações ou obter mais informações sobre a Roda da PedagogIA podem entrar em contato com o próprio autor, através do e-mail, do telefone (77) 99974-3867 ou de sua página pessoal no Instagram.

* Matéria alterada em 13/04/2026, às 18h33, para correção de informação

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