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Câncer colorretal: silencioso, letal e cada vez mais comum entre os brasileiros

Com alta taxa de cura quando detectado cedo, o tumor intestinal exige atenção a sintomas e mudança de hábitos, alerta médico gastroenterologista

às 13h38
Marcel Lima Andrade- Médico Gastroenterologista e professor da Universidade Tiradentes (Unit)
Marcel Lima Andrade- Médico Gastroenterologista e professor da Universidade Tiradentes (Unit)
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A morte da cantora Preta Gil, aos 50 anos, vítima de um câncer colorretal, reacendeu o alerta sobre a gravidade dessa doença, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o triênio 2023-2025, cerca de 45 mil novos casos devem ser registrados por ano. A maior concentração ocorre na Região Sudeste, onde o câncer colorretal ocupa a segunda posição em número de diagnósticos, com uma leve predominância entre as mulheres.

O câncer colorretal, que atinge o intestino grosso e o reto, costuma se desenvolver de forma silenciosa, com sintomas sutis nos estágios iniciais. Entre os sinais de alerta estão: presença de sangue nas fezes, alterações persistentes no hábito intestinal (como diarreia ou constipação), dor abdominal, sensação de evacuação incompleta, perda de peso inexplicada e anemia. Embora esses sintomas não indiquem necessariamente a presença de um câncer, é fundamental não ignorá-los.

O médico gastroenterologista e professor da Universidade Tiradentes (Unit), Marcel Lima Andrade, conta que a detecção precoce amplia significativamente as chances de cura. “A colonoscopia é o principal exame para prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal. Ela permite visualizar todo o intestino grosso e, além de detectar lesões suspeitas, possibilita a retirada de pólipos, que são lesões benignas precursoras do câncer. Quando identificado ainda em fase inicial, as chances de cura são muito altas”, explica.

Hábitos e genética 

Dados recentes mostram um crescimento expressivo nos casos entre adultos mais jovens, especialmente entre 20 e 59 anos. A tendência preocupa especialistas, já que muitos ainda acreditam que a doença só afeta pessoas idosas. Fatores como má alimentação, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool estão diretamente ligados ao surgimento do câncer de intestino.

“O estilo de vida tem um papel fundamental. É importante reduzir o consumo de carnes processadas (como embutidos e defumados), carnes vermelhas em excesso, frituras e alimentos ultraprocessados. Por outro lado, uma alimentação rica em fibras, cálcio, frutas, legumes, verduras e grãos integrais ajuda na prevenção. Manter o peso adequado, praticar atividade física regular e evitar o tabaco e o álcool também são atitudes essenciais”, enfatiza.

Ele explica que, em pessoas sem histórico familiar, o rastreamento deve começar aos 45 anos. Já quem possui casos na família deve iniciar os exames ainda mais cedo. “A genética tem um papel importante. Cerca de 5 a 10% dos casos de câncer colorretal estão relacionados a síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar. Além disso, ter parentes de primeiro grau com histórico da doença aumenta o risco. Por isso, quem tem esse histórico familiar deve conversar com seu médico sobre a necessidade de rastreamento precoce”, alerta.

Atenção aos sinais

O médico enfatiza a importância de não ignorar esses sinais, mesmo que a causa seja benigna. “Eu costumo dizer que quando o corpo dá sinais, ele está pedindo atenção. Quanto mais cedo a pessoa procura ajuda, maiores são as chances de diagnóstico precoce e cura. O medo ou a vergonha não podem ser maiores do que o cuidado com a própria saúde. Muitas vezes, um simples exame pode salvar uma vida”, orienta.

O diagnóstico precoce não é apenas uma possibilidade, mas uma necessidade para garantir as melhores chances de sucesso no tratamento. “O diagnóstico geralmente começa com uma avaliação clínica e exames laboratoriais, como o hemograma. O teste de sangue oculto nas fezes pode ser útil na triagem. Mas o principal exame é a colonoscopia, que permite visualizar o intestino e realizar biópsias caso alguma lesão suspeita seja encontrada. Em casos confirmados, exames de imagem como tomografia e ressonância ajudam a definir o estágio da doença”, pontua.

Apesar de grave, o câncer colorretal tem altas chances de cura quando identificado precocemente, em estágios iniciais, a taxa pode ultrapassar 90%. O tratamento pode incluir cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais. “Manter hábitos saudáveis, como alimentação rica em fibras, prática regular de atividade física, controlar o peso e realizar exames de rastreamento a partir dos 45 anos, ou antes, em casos de risco, são medidas essenciais para reduzir a incidência da doença e aumentar as chances de sucesso no tratamento”, orienta.

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