Uma chama que, ao ser mantida acesa, é capaz de iluminar e fortalecer a busca pela cura de uma doença ou da cicatrização de uma ferida. Assim pode ser definida a lâmpada, objeto-símbolo da Enfermagem, em torno da qual se celebra uma tradicional cerimônia de passagem e acolhimento para os calouros que começam a fazer o curso. A Cerimônia da Lâmpada, dedicada aos 97 alunos do primeiro ano de Enfermagem da Universidade Tiradentes (Unit), foi realizada nesta segunda-feira, 24, no Auditório Padre Arnóbio, do Campus Farolândia. O evento durou cerca de duas horas e reuniu também as famílias e amigos dos calouros, além de alunos veteranos, professores e coordenadores do curso.
O evento é composto pela apresentação de informações do curso e da instituição, uma palestra motivacional e a cerimônia de entrega da lâmpada, que é simbolicamente repassada do aluno que está concluindo para o calouro que está chegando. Ela também apresenta a história da profissão, destacando seus principais personagens e a sua missão de cuidar das pessoas doentes, além de promover educação em saúde para a população.
A professora Emília Cervino Nogueira, do curso de Enfermagem da Unit, explica que a escolha da lâmpada como símbolo da profissão remonta à história da inglesa Florence Nightingale (1820-1910), considerada a fundadora da enfermagem moderna. Ela ficou conhecida como “A Dama da Lâmpada” por causa de uma prática que ficou conhecida durante a Guerra da Criméia (1853-1856), travada pelo Império Russo contra os impérios Britânico, Francês e Otomano (atual Turquia). Enquanto trabalhava nos hospitais de campanha, ela atendia aos soldados feridos durante as rondas que fazia durante a noite, e sempre segurando uma lâmpada acesa.
“Os profissionais de enfermagem são identificados como aqueles que trazem luz e conhecimento. A lâmpada traz vários significados: ela ilumina, lembra o conhecimento e a busca pela ciência. A lâmpada mostra os erros e lembra de claridade, enquanto a gente fala de gestão de risco. E também traz o aquecimento, o conforto. Tem uma série de significados associados e isso torna a cerimônia ainda mais bonita e acolhedora para os estudantes, que passam a conhecer sobre a profissão que escolheram. Essa é uma espécie de cerimônia de passagem e recepção dos alunos”, define Emília Cervino.
Antes da entrega aos alunos, houve uma palestra com a enfermeira e professora Marcela Moreira, que leciona na Unit e é especialista em estomaterapia, uma especialidade focada no cuidado integral de pessoas com estomias (colostomia, ileostomia, urostomia), feridas agudas ou crônicas (lesões por pressão, úlceras) e incontinências urinária ou anal. Ela falou aos estudantes sobre a sua trajetória profissional e os desafios que ela traz no dia-a-dia do mercado de trabalho.
Em seguida, com as luzes apagadas no auditório, algumas alunas veteranas entraram carregando lâmpadas acesas, enquanto Emília explicava sobre o surgimento e os princípios da Enfermagem, além de suas principais precursoras, representadas com roupas de época. Florence Nightingale foi interpretada pela estudante Ana Letícia Leite Mota, do sétimo período. “Ela representa a lição de que a gente como enfermeiro deve levar luz para os pacientes, tratá-los de forma humanizada, focando realmente no cuidado dele. Isso vai inspirar os novos alunos e frisar essa ideia que deve ser seguida”, disse ela, antes de entrar acompanhada por outros três alunos que representavam outros três pioneiros da Enfermagem: a jamaicana Mary Seacole (1805-1881), a brasileira Anna Nery (1814-1880) e o norte-americano Luther Christman (1915-2011).
“Esta passagem da luz do conhecimento é onde o aluno calouro compreende como o saber vai iluminar o caminho profissional que ele irá percorrer. É um momento no qual a gente orienta em relação ao objeto de estudo relacionado à enfermagem que é o cuidado”, define a coordenadora dos cursos de Enfermagem e Fisioterapia, professora Geisa Carla Bezerra Lima, que também destacou o papel da Unit ao manter acesa a “chama” do conhecimento. “A Unit é quem proporciona toda a estrutura e todo o saber que vem por parte dos professores, dos livros, dos ambientes virtuais, das condições de aula satisfatórias para que o aluno possa ir colocando na bagagem dele todo o saber necessário. Nós entramos como parte fundamental nesse processo, porque é aqui onde tudo acontece”, acrescenta.
Histórias e brilhos que inspiram
Toda essa história e simbologia inspirou os calouros e emocionou os pais e familiares que os acompanhavam com muito orgulho. Uma delas é Dominique Conceição Santos, que é da cidade de Areia Branca e está no primeiro período de Enfermagem. Ela conta que, a princípio, queria fazer Medicina, mas aos poucos foi se identificando com a Enfermagem. “Eu sempre queria fazer parte da área da saúde. Uma parte que gostei muito foi a de urgência e emergência, pediatria. É muito bonito, por ajudar as pessoas. Acho que essa lâmpada vai me inspirar a ser uma enfermeira muito melhor, com dignidade, com ética e honrando os meus princípios. A Unit é bem estruturada e eu espero crescer junto com ela”, disse ela.
Dominique falava sob o olhar carinhoso da família, principalmente do pai, José Maconiel Costa Santos. “Eu sinto muito orgulho e felicidade, tudo. Ela sempre foi dedicada. Desde criança, ela só falava em ser médica, em medicina, essas coisas. Eu vejo o futuro dela como brilhante”, afirmou ele. Este mesmo encantamento era dividido com Júlia Emanuelle, uma linda criança de cinco anos que já brincava com a réplica da lâmpada da cerimônia e se inspirava em seguir os mesmos passos da irmã no futuro. O brilho em seus olhos, certamente refletindo o das lâmpadas, já foi um primeiro passo.
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