A capacidade de se comunicar com clareza e exercer influência positiva nas relações de trabalho é um dos principais diferenciais no mercado contemporâneo. Em meio a mudanças aceleradas nas organizações, compreender como esses elementos fortalecem equipes, promovem autonomia e impulsionam resultados tornou-se essencial para acompanhar as demandas atuais.
Esse foi o tema dessa edição do Café com RH, promovido pelo Unit Carreiras, que trouxe o sócio-fundador da Prospecta Treinamentos, Paulo Emílio, para conduzir uma experiência gamificada dedicada a explorar as múltiplas dimensões da comunicação no ambiente corporativo. A proposta do encontro foi estimular trocas qualificadas entre a Universidade Tiradentes (Unit) e representantes de organizações parceiras.
De acordo com Janaína Machado, gerente do Unit Carreiras, a iniciativa tem entre seus objetivos fortalecer vínculos e aprimorar a interlocução entre academia e mercado. A gestora enfatizou que ouvir as empresas sobre a atuação dos estudantes é parte estratégica do processo formativo. “Esse encontro é importante para fortalecer conexões, agradecer a parceria e escutar feedback sobre o desempenho dos nossos alunos nas organizações. Eu me vejo como o elo entre a universidade e o mercado, e eventos como esse reforçam essa ponte”, afirmou.
Conexão entre mercado e ensino
A partir deste alinhamento, o Unit Carreiras vem incorporando formatos inovadores em suas ações. Janaína explicou que a escolha pela gamificação se conecta à adoção da Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) na universidade, cuja intenção é aproximar teoria e prática. “Não faz sentido oferecer apenas mais uma palestra; seria mais do mesmo. Queremos proporcionar vivências reais de aprendizado, e a comunicação é uma das principais soft skills”, elenca.
Convidado da edição, Paulo Emílio compartilhou sua experiência à frente da Prospecta Treinamentos e aprofundou discussões sobre o papel da liderança no desenvolvimento de equipes. Ao tratar da gestão de profissionais de alta performance, ele destacou o risco de negligenciar talentos com a justificativa de que conseguem se virar sozinhos. “Muitas empresas partem da premissa de que esses profissionais não precisam de orientação. A gente acha que eles fazem tudo muito bem e se resolvem sozinhos. Quando você deixa eles de mão, eles se aproximam da concorrência”, alertou.
O palestrante defendeu que o acompanhamento contínuo cria segurança, engajamento e condições para que esses colaboradores continuem evoluindo. Paulo ilustrou sua fala citando a experiência de uma empresa que adotou um sistema de mentoria interna. Nesse formato, o gerente preparava o vendedor mais bem-desempenhado, que, por sua vez, assumia a missão de apoiar o colega com menor performance. “O gerente treinava o melhor vendedor, e esse melhor treinava o que estava com dificuldade. Assim, a gente desenvolvia novos líderes”, explicou.
O palestrante abordou ainda os impactos da chamada liderança passiva. Ele relatou situações em que gestores assumem para si todas as demandas de suas equipes, reduzindo o potencial de autonomia e amadurecimento profissional. “Ele mantinha a porta aberta e resolvia tudo por nós. Era como um escudo na nossa frente”, lembrou. Segundo Paulo, apesar de acolhedora, essa postura acaba limitando o crescimento individual e coletivo.
Alianças para formar protagonistas
O diretor acadêmico da Unit, Marcos Wandir Nery Lobão, reforçou a importância do Café com RH na construção de um ecossistema de formação orientado à prática profissional. Para ele, a aproximação com as empresas é determinante para que os estudantes vivenciem desafios reais ao longo da graduação. “O modelo pedagógico baseado em projetos coloca o aluno diante de problemas concretos, estimulando a elaboração de soluções em diálogo com profissionais do setor”, pontua.
Marcos ressaltou a diversidade dos segmentos representados no encontro, entendendo essa pluralidade como um fator de enriquecimento para o processo formativo. “Ter empresas de diferentes áreas amplia o repertório dos estudantes e ajuda a consolidar parcerias sustentáveis. Iniciativas como o Café com RH também ajudam a dar visibilidade às transformações metodológicas em curso na universidade, reforçando o papel ativo do estudante em sua trajetória acadêmica”, completa.
Desenvolvimento de lideranças e cultura colaborativa
A consultora de Recursos Humanos da Unit, Dulce Moura, explicou que o tema tem sido prioridade nas estratégias de gestão da instituição. Ela descreveu que, atualmente, o foco está na construção de equipes mais autônomas, em que os líderes atuam diretamente como desenvolvedores de pessoas. “Buscamos oferecer autonomia aos nossos líderes, para que eles se desenvolvam e também desenvolvam suas equipes. Essa é uma forma de estimular o crescimento interno e fortalecer nosso modelo de gestão”, detalhou.
Já Samara dos Santos, analista de RH e representante da empresa Energisa, apresentou o programa de estágios da empresa, que reúne ações de formação estruturadas e acompanhamento contínuo. Segundo ela, o projeto engloba cursos online e presenciais, parceria com gestores e integração com áreas diversas, criando um ciclo completo de aprendizado. “Hoje, contamos com 22 estagiários, sendo seis da Unit. Além do acolhimento diferenciado, oferecemos uma trilha estruturada, composta por cursos, parcerias e acompanhamento responsável”, explicou.
Samara também destacou a centralidade das pessoas na cultura organizacional. Para ela, a atuação do RH precisa alcançar diferentes áreas, reconhecendo que qualquer empresa depende de quem a compõe. “Sempre reforço a necessidade de sermos humanos e responsáveis. Receber esse reconhecimento da universidade é muito gratificante e mostra que estamos no caminho certo”, afirmou.
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