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Conflitos no Afeganistão trazem à tona preconceito de gênero contra mulheres

Dados apontam para o aumento de violência e morte de mulheres no país

às 16h24
A coordenadora do programa de pós-graduação em Direitos Humanos da Universidade Tiradentes (Unit), Gabriela Rebouças
A coordenadora do programa de pós-graduação em Direitos Humanos da Universidade Tiradentes (Unit), Gabriela Rebouças
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Mais de 80% dos refugiados afegãos são mulheres e crianças. Os dados são da Organização das Nações Unidas (ONU), de agosto de 2021, após a retirada das tropas americanas do Afeganistão. A volta do regime Talibã ao país mostra a fragilidade de um sistema que domina as mulheres e educa os meninos em escolas fundamentalistas.

Originadas no Paquistão, as escolas muçulmanas são responsáveis pela educação básica somente dos meninos também em outros países islâmicos, a exemplo do Afeganistão. As meninas não têm direito a estudar na maioria desses países. Dessa forma, é disseminada a ideologia de discriminação de gênero.

Além disso, as mulheres não podem trabalhar. Elas são obrigadas a vestirem uma roupa longa, que cobre o corpo inteiro e apenas os olhos ficam à mostra — as burcas. Também não é permitido que as mulheres saiam de casa desacompanhadas. Se precisarem sair, um parente próximo do sexo masculino deve acompanhá-las.

A coordenadora do programa de pós-graduação em Direito Humanos da Universidade Tiradentes (Unit), Gabriela Rebouças, explica que esse tipo de regime implica na exploração do ser humano, principalmente das mulheres. “Num mundo patriarcal, dominado pela lógica da competição, as mulheres são mais afetadas, sempre. E o controle sobre os corpos das mulheres — o que podem vestir, onde podem ir, o que podem fazer, é uma maneira concreta e ao mesmo tempo ideológica de manter as estruturas de dominação e exploração”, disse.

Conhecido como Talibã, esse regime tem características político-religiosas. Ele foi formado no Afeganistão entre os anos de 1976 e 1986. Em 1996, o grupo assumiu o poder, e permaneceu até 2001. A partir deste ano, as mulheres assumiram uma posição de mais prestígio no país, assumindo, inclusive, cargos públicos.

No entanto, em 2021, o grupo extremista reassumiu o poder novamente. De acordo com a ONU, nos primeiros seis meses do ano, o número de mulheres e meninas mortas e feridas dobrou no Afeganistão, em comparação com o mesmo período de 2020.

Diversos filósofos e historiadores já falaram sobre situações políticas que prejudicam as mulheres. “Simone de Beauvoir, filósofa do século XX, já afirmava que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. O caso do Afeganistão nos dá a atualidade desta afirmativa. Tão logo reassumiu o poder, o Talibã impôs uma série de restrições aos direitos das mulheres, numa afronta explícita aos direitos humanos e que, mesmo do outro lado do mundo, nos impactam”, expõe Gabriela Rebouças.

Por isso, a coordenadora, fala sobre a importância no combate desses regimes. “Temos que resistir, mostrar indignação, nos posicionar diante de tal situação, porque quando os direitos humanos são violados em uma parte do mundo, cedo ou tarde isto afetará o mundo todo. Como diz Angela Davis, filósofa e ativista do nosso século, a liberdade é uma luta constante”, enfatiza Gabriela Rebouças.

 

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