Contribuir com a qualidade de vida dos que acreditam em seu trabalho, e ensinar outros colegas a seguir fazendo o mesmo. Assim pode ser definido o objetivo de vida da fisioterapeuta Giselle Stephanie Ramalho Fontes, egressa do curso de Fisioterapia da Universidade Tiradentes (Unit). Ela fez a graduação entre 2015 e 2020, como bolsista integral do Programa Universidade para Todos (ProUni), e atua hoje como profissional especializada em fisioterapia cardiopulmonar, além de lecionar no R1Fisio, um serviço preparatório para colegas recém-formados que se habilitam para fazer o Enare (Exame Nacional de Residência).
Nascida e criada em Lagarto, na região Centro-Sul do estado, Giselle abraçou a chance de realizar um sonho profissional ao ser aprovada nas seleções do ProUni, programa público que oferece bolsas de estudo de 100% (integrais) para estudantes de baixa renda que desejam cursar o ensino superior em instituições privadas, a partir das notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
“Para mim, foi uma ótima oportunidade. Sempre morei no interior e meus pais não tinham condições de pagar uma faculdade particular. Então, eu sabia que precisaria tirar uma boa nota no Enem. Já haviam me falado bastante que a Unit era uma boa universidade e que o curso de Fisioterapia era o primeiro do estado, muito bem estruturado e com professores excelentes. Por isso, escolhi a Unit”, conta ela, que se lembra principalmente das aulas práticas que teve ao longo do curso, em laboratórios como os de Anatomia, Bioquímica, Biologia Celular, Farmacologia, Cinesioterapia e Estética. “Sempre gostei de colocar a mão na massa e ver sentido quando ligava à teoria. As aulas práticas reforçavam a certeza de que estava no lugar certo, no curso certo e seguindo no caminho que eu realmente queria percorrer”, completa.
Além das aulas teóricas e práticas, Giselle também foi bolsista do Programa de Bolsas de Iniciação Científica (Probic), através do qual participou de uma pesquisa sobre a caracterização da dor e suas correlações com a funcionalidade e a qualidade de vida em pessoas com Charcot-Marie-Tooth (CMT), um grupo de doenças hereditárias que afetam os nervos periféricos e causam fraqueza e atrofia muscular, principalmente nos pés e nas pernas. E também participou do Grupo de Pesquisa em Ginásticas e Atividades Rítmicas Expressivas (GPGare), que atua em estudos e atividades junto ao Laboratório de Biociência da Motricidade Humana (Labimh).
Também foi monitora da disciplina de Semiologia em Fisioterapia e integrante das ligas acadêmicas de Estudo e Pesquisa da Coluna Vertebral (Lepec) e de Fisioterapia em Geriatria (Lafge). E participou de diversos projetos de extensão envolvendo o atendimento a crianças, mulheres, idosos e pacientes com lúpus. “Eu chamo de segunda milha, essencial para o nosso conhecimento e amadurecimento profissional. Temos a oportunidade de aprender a lidar com grupos de pessoas, a desenvolver ciência, a conhecer o mercado de trabalho e melhorar nosso currículo”, define Giselle.
Entrega que fez diferença
Essas experiências foram determinantes para os passos seguintes que ela deu na profissão, após se formar na Unit. Em 2021, ao ser aprovada em dois programas de residência, optou pela Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso, no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU/UFS). Em seguida, ingressou no mestrado em Ciências da Saúde da própria UFS. Ele foi concluído recentemente, com a defesa de uma dissertação sobre o efeito do treino intervalado de alta intensidade na capacidade física e qualidade de vida de indivíduos com doença arterial coronariana.
O estudo tem a ver com a escolha da especialidade na qual aprofundou seus estudos e práticas: a fisioterapia cardiopulmonar. Ela previne, trata e reabilita disfunções do sistema cardiovascular (coração e vasos), do sistema respiratório (pulmões e vias aéreas) e do sistema muscular. Giselle diz que começou a se identificar com a área quando ainda estava no sexto período de Fisioterapia. “O objetivo é proporcionar ao paciente uma vida sem cansaço, sem fraqueza e com qualidade. Tive professores que foram e são referências na fisioterapia respiratória e cardiovascular. Eles me encantaram com tanta entrega e entendimento dos sistemas, o que fez total diferença”, observa.
A egressa atua hoje como fisioterapeuta cardiopulmonar, prestando serviços de atendimento particular em nível domiciliar e ambulatorial em Aracaju. Ela ainda criou o R1Fisio, em sociedade com um colega da residência. Desde o ano passado, ele oferece mentoria e ensino preparatório para estudantes e graduados em fisioterapia que querem ser residentes e se preparam para prestar os exames do Enare. E ela própria também ministra as aulas aos inscritos.
“Hoje, estou finalmente empreendendo, traçando grandes parcerias e pondo em prática a fisioterapia que a ciência nos ensina como ‘de qualidade’. Através de muito estudo, prática e empatia”, avalia ela, ao definir que a criação do curso atende a uma de suas metas profissionais. “Pretendo fazer a fisioterapia cardiopulmonar ser mais conhecida em minha cidade, ajudar mais pessoas que precisam do meu serviço e compartilhar minhas habilidades e conhecimentos com outros colegas da área. Oferecer um serviço especializado e que entrega resultados reais é o meu objetivo”, afirma.
A experiência que adquiriu na carreira é creditada ao aprendizado que teve no curso de fisioterapia. Para Giselle, ter sido estudante da Unit a fez sair na frente em muitos aspectos. “Hoje, comento com ex-colegas de turma como saímos com diferenciais em relação à prática fisioterapêutica, ao amadurecimento, à visão como profissional da área. Saímos prontos para atuar, e cada nova experiência foi apenas somando vivências e avançando nas técnicas. A Unit foi uma porta que Deus abriu para mim. As amizades, contatos e aprendizados me fizeram segura, determinada e firme para ir em busca de cada sonho profissional. Como tenho feito”, considerou.
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