Como a tecnologia pode contribuir para melhorar os serviços públicos e facilitar o dia a dia da população? Foi a partir dessa proposta que estudantes do primeiro período dos cursos de Tecnologia da Informação (TI) da Universidade Tiradentes (Unit) participaram de mais uma edição do DemoDay. Neste semestre, os alunos foram desafiados a criar soluções voltadas para demandas reais da gestão pública dentro do tema “Governança Digital da Prefeitura de Aracaju”.
Realizado nesta quarta-feira, 27, o evento reuniu alunos da disciplina de Ideação e Prototipação de Software, que ao longo de cerca de um mês e meio trabalharam na criação de aplicativos e plataformas capazes de contribuir para áreas como saúde, mobilidade urbana, turismo e serviços públicos. As propostas nasceram a partir de problemas apresentados por integrantes do Comitê de Inovação da Prefeitura de Aracaju. Ao todo, 36 equipes participaram da fase inicial do desafio. Os 10 projetos com melhor desempenho retornaram para uma nova rodada de apresentações diante da banca avaliadora. Ao final do evento, os três melhores trabalhos foram premiados.
O professor dos cursos de TI da Unit, Luis Gomes, explica que o desafio deste semestre foi justamente pensar em como a tecnologia pode contribuir diretamente para melhorar a relação entre população e poder público. “Quando o aluno começa a desenvolver soluções para problemas reais já no primeiro período, ele passa a enxergar na prática o papel da profissão e o papel social da universidade. São projetos voltados para mobilidade, saúde, turismo, comunicação de problemas urbanos, como buracos nas ruas, e outras demandas que fazem parte da rotina da população. Então, desde o início do curso, eles já começam a entender como a tecnologia pode sair da sala de aula e gerar impacto direto na vida das pessoas”, destaca.
Mercado e inovação
Além do desenvolvimento técnico, o DemoDay também integra a metodologia da Residência Tecnológica, realizada em parceria com o Porto Digital e com apoio do Sebrae. A proposta busca inserir os estudantes em experiências semelhantes às vivenciadas pelo mercado de tecnologia desde os primeiros períodos da graduação. A supervisora dos programas educacionais do Porto Digital, Bárbara Rodrigues, explica que o programa funciona como uma jornada empreendedora, estimulando competências que vão além da programação.
“Todo esse processo desde o kick off até o Demoday é muito importante, pois permite que os estudantes vivenciem uma jornada empreendedora. Funciona como uma espécie de hackathon, ou melhor, um ideathon, porque eles chegam até o nível da ideação e do protótipo, mas já conseguem desenvolver habilidades muito importantes para o mercado de trabalho. Isso vale tanto para quem deseja empreender e criar startups quanto para quem pretende atuar diretamente em empresas. Desde o primeiro período, estimulamos que eles trabalhem em equipe, pratiquem comunicação, gestão de tempo e enfrentem desafios que muitas vezes não aparecem na sala de aula tradicional”, ressalta.
Bárbara também reforça que a parceria entre o Porto Digital e a Unit já acontece há vários anos e tem gerado resultados positivos tanto em Sergipe quanto em Pernambuco. “Temos uma relação muito consolidada com a Universidade Tiradentes e os resultados mostram que o modelo de residência funciona muito bem com o perfil de formação que a instituição busca oferecer”, ressalta.
Problemas reais
Os projetos apresentados também foram avaliados por representantes da Prefeitura de Aracaju e profissionais ligados ao ecossistema de inovação. Para o diretor de TI da Secretaria Municipal da Educação e integrante da banca avaliadora, Caio Davinis Melo, iniciativas como essa aproximam os estudantes das necessidades reais da cidade. “A nossa expectativa, enquanto Prefeitura, é encontrar soluções que realmente possam gerar impacto efetivo nos serviços oferecidos à população. Porque inovação, por si só, não basta. Se ela não gerar impacto real, acaba trazendo mais custo do que investimento para a gestão pública”, pontua.
Caio também destaca que a iniciativa permite que os estudantes desenvolvam um olhar mais voltado para os desafios urbanos. “Eu acho fantástica a iniciativa da universidade de trazer problemas reais para dentro da sala de aula. Isso faz com que os estudantes desenvolvam um olhar mais voltado para a comunidade e para a cidade. Eles passam a enxergar os desafios urbanos de outra forma e isso também ajuda a própria Prefeitura e os demais órgãos presentes na banca a pensarem fora da caixa. Só o fato de os alunos estarem propondo soluções diferentes já contribui para que novas ideias possam surgir, tanto dentro quanto fora da universidade”, compartilha.
Projetos premiados
O terceiro lugar ficou com o projeto “Vamo de Quê?”, aplicativo voltado para mobilidade urbana. A proposta busca facilitar a rotina dos usuários ao reunir informações sobre opções de transporte, valores e disponibilidade de veículos próximos, oferecendo mais praticidade para quem precisa se deslocar pela cidade.Na segunda colocação, o projeto “Explora Aju” apresentou uma plataforma pensada para fortalecer o turismo em Aracaju. O aplicativo foi desenvolvido para ajudar tanto turistas quanto moradores a conhecerem melhor os pontos turísticos, roteiros culturais e espaços de lazer da capital sergipana.
Já o primeiro lugar ficou com o “Gestante Aju”, aplicativo criado para auxiliar gestantes atendidas pela Prefeitura de Aracaju durante o acompanhamento pré-natal. A solução propõe um sistema dividido em duas plataformas: um aplicativo destinado às pacientes e um painel voltado para os gestores da saúde. O integrante da equipe vencedora e estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS), Paulo Santana conta que o projeto surgiu a partir da preocupação em identificar quais públicos ainda enfrentam dificuldades no acesso aos serviços digitais oferecidos pela Prefeitura. “Quando recebemos a proposta sobre governança digital, começamos a pensar em qual público ainda não estava sendo alcançado pelas soluções digitais da Prefeitura de Aracaju”, explica.
Segundo ele, a equipe decidiu direcionar o projeto para a saúde materna após perceber a necessidade de tornar o acompanhamento do pré-natal mais acessível e organizado para as gestantes. “O aplicativo busca descomplicar o acompanhamento do pré-natal, que é um processo longo e envolve muitas consultas, exames e documentos. A nossa proposta foi reunir todas essas informações em um aplicativo mais acessível e interativo, permitindo que a gestante tenha um papel mais ativo no acompanhamento da própria saúde durante a gravidez”, destaca.
Paulo também ressalta que a experiência proporcionada pelo DemoDay foi importante não apenas pelo resultado final, mas pela construção coletiva vivenciada durante todo o semestre. “As equipes foram formadas de maneira aleatória, então ninguém escolheu com quem iria trabalhar. Isso acaba criando conexões entre pessoas que não se conheciam e torna toda a experiência mais dinâmica e enriquecedora”, conclui.
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