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Diretores do Nordeste se destacam no cinema nacional

Cineastas nordestinos estão à frente de produções cinematográficas que conquistam o público, agradam a crítica e vencem prêmios no Brasil e no exterior

às 23h35
Cena de “Bacurau”, dos pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Juliano Medeiros: filmes de diretores nordestinos se destacam no cinema nacional (Reprodução)
Cena de “Bacurau”, dos pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Juliano Medeiros: filmes de diretores nordestinos se destacam no cinema nacional (Reprodução)
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O cinema brasileiro tem ganhado força, expressividade e alcance popular ao longo dos anos, mesmo enfrentando momentos de crise. E boa parte dos filmes brasileiros que têm ganhado força junto ao público e à crítica, levando inclusive vários prêmios nacionais e internacionais, vem de diretores da região Nordeste. Estados como Pernambuco, Ceará e Bahia têm se destacado na produção cinematográfica, com histórias criativas, envolventes e ambientadas em vários locais dos estados da região, seja no sertão ou nas capitais. E todas elas contadas com o grande talento de atores também locais, além do melhor da qualidade técnica e estética. 

Na edição mais recente do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em outubro de 2020, três diretores nordestinos faturaram o Troféu Grande Otelo em 10 das 32 categorias. O grande destaque foi para Bacurau, dos pernambucanos Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, que venceu seis categorias. A história sobre a violência e o extermínio em uma pequena cidade do sertão de Pernambuco também ganhou em 2019 o prêmio do Júri do Festival de Cannes, na França, e o melhor filme dos festivais de Munique (Alemanha), Lima (Peru), Sydney (Austrália) e Neuchâtel (Suíça). 

Mendonça, um recifense que já trabalhou como crítico de cinema no Jornal do Commercio, é consagrado como um dos principais cineastas brasileiros da atualidade. Outras duas de suas produções, Aquárius e O Som ao Redor, ambas ambientadas em Recife, também foram premiadas no exterior e aclamadas pela crítica. O Som ao Redor chegou a ser citado pelo jornal americano The New York Times como um dos 10 melhores filmes produzidos no mundo em 2012. 

Outros cineastas pernambucanos vêm se destacando no Brasil e no mundo há pouco mais de duas décadas, como Gabriel Mascaro (de Divino Amor e Boi Neon), Cláudio Assis (de Amarelo Manga, A Febre do Rato e Baixio das bestas), Lírio Ferreira (de Baile Perfumado e Árido Movie), Heitor Dhalia (de O Cheiro do Ralo, Serra Pelada e Arcanjo Renegado) e Josias Teófilo (do polêmico O Jardim das Ilusões). 

O Ceará também se destaca como um forte pólo produtor de bons filmes e bons diretores. Dentre eles, seu principal nome é Karim Aïnouz, de Fortaleza, autor de A Vida Invisível, que conta a dramática história de uma pianista separada da irmã à força. O longa levou cinco categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, venceu como melhor filme na mostra paralela do Festival de Cannes – sendo considerado um dos 10 melhores filmes do festival no ano passado -, e foi indicado como representante brasileiro da disputa pelo Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Aïnouz também dirigiu outros três longas aclamados pela crítica e pelo público: Madame Satã, O Céu de Suely e Praia do Futuro

Outro diretor cearense que se destaca na atualidade é Halder Gomes, de Cine Holiúdy, uma divertida sátira às produções de Hollywood ambientadas em uma pequena cidade do Ceará, e repleta de expressões e costumes regionais. A história se desdobrou em dois longas (Cine Holiúdy e A Chibata Sideral) e em uma série co-produzida com a TV Globo. Halder também está à frente de outras duas comédias de sucesso: O Shaolin do Sertão e Os Parças (com a participação dos conterrâneos Tirullipa e Tom Cavalcante). 

A Bahia, que já nos deu Glauber Rocha (1939-1981), um de nossos principais cineastas, é representada hoje por Sérgio Machado, de Salvador, que surgiu em 2005 com Cidade Baixa, uma explosiva história de conflitos que envolve dois amigos moradores de bairros pobres da capital baiana (interpretados pelos conterrâneos Wagner Moura e Lázaro Ramos). Machado também se destacou com Quincas Berro D’Água, adaptação de um dos romances de Jorge Amado, e A Luta do Século, documentário sobre a principal rivalidade do boxe brasileiro, entre o pernambucano Luciano “Todo Duro” e o baiano Reginaldo “Holyfield”.

Estados como Paraíba e Alagoas também vem se destacando com produções mais recentes em gêneros como terror, drama, documentário e experimental. Entre os destaques, estão A Noite Amarela, do paraibano Ramon Porto Mota, que em 2019 venceu o prêmio de melhor diretor do Brooklyn Horror Film Festival, em Nova York (EUA), e o curta Ilhas de Calor, do alagoano Ulisses Arthur, indicado para o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2020. 

Asscom | Grupo Tiradentes

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