O talento criativo e a determinação de conquistar o mundo foram os grandes impulsos para a carreira de sucesso do sergipano Erick Mendonça, egresso do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Tiradentes (Unit). Ao longo dos seus quase 20 anos de profissão, ele se destacou como um dos principais e mais premiados redatores publicitários do Brasil, tendo passado pelas principais agências baseadas em São Paulo e conquistado vários Leões de Ouro no Cannes Lions, o Festival de Criatividade de Cannes (França).
A escolha pela Publicidade foi motivada por uma descoberta que fez aos 14 anos: relacionada com o gosto por comerciais de TV e a habilidade natural de pensar e imaginar coisas. “Quando era mais novo, inventava uns jogos diferentes comigo mesmo, gostava de criar apelidos diferentes pros meus amigos e familiares, etc. Na hora de assistir TV, eu não levantava na hora dos comerciais e percebi que era a parte que mais gostava. Foi quando descobri que existia uma profissão que te pagavam para ficar pensando e, muitas vezes, fazendo humor. Descobri o meu caminho e desde então não larguei”, lembra Erick.
Após a descoberta, o jovem aluno pesquisou mais sobre a carreira publicitária e escolheu fazer Publicidade e Propaganda na Unit, no qual ingressou em 2006. “Percebi que a Unit era a melhor opção que tinha para descobrir mais sobre o mundo e me especializar”, conta, ao lembrar das interações constantes com os professores e os colegas de curso. Interações que foram aguçando ainda mais a curiosidade e a criatividade.
“Eram pessoas de diferentes perfis que escolheram estar ali e projetando uma profissão diferente até então, em Aracaju escolher esse caminho não era muito típico naquela época. Propaganda, na área de criação, é muito observacional, sempre fui muito atento a tudo. Me interessava demais em saber da vida e a universidade foi instigando ainda mais esse lado curioso e de pesquisa, parte muito importante na profissão”, disse Mendonça, que atribui à Unit o despertar para seus sonhos e a abertura de possibilidades através dos estudos. “A minha chavinha virou depois que conheci professores que haviam trabalhado na área e foram me mostrando os caminhos para que eu pudesse prosperar. Me apaixonei pela área e até hoje vivo intensamente esse amor. Por mais que tenha passado por mil crises nessa relação ao longo dos anos”, considerou.
Em 2009, Erick concluiu o curso e já dava seus primeiros passos como profissional em algumas agências de publicidade de Aracaju. No ano seguinte, a busca por oportunidades o levou para São Paulo, onde ganhou mais experiência e atuou nas mais diversas funções, como estagiário de redação, líder de redação, diretor de criação e diretor-executivo de criação em grandes agências do ramo. A primeira delas foi a Leo Burnett, na qual entrou meses depois de sua chegada à capital paulista. Depois, vieram as passagens por empresas como Talent, JWT (atual VML), CP+B Brasil, AlmapBBDO e Soko (atual Droga5).
As campanhas produzidas por Erick e suas equipes não tardaram a ganhar as ruas, fazer sucesso e chamar a atenção do mercado. E com elas, também vieram os prêmios. Os mais importantes deles foram os 22 Leões conquistados ao longo da carreira no Cannes Lions, que é o mais importante festival dedicado à publicidade em todo o mundo. Ao todo, foram quatro Leões de Ouro, nove de Prata e nove de bronze. “Para um jovem de Aracaju, o auge seria ganhar ao menos um, que já seria bom demais. Meu sonho era somente trabalhar em uma agência renomada e fazer trabalhos nacionais. Ganhar essa premiação internacional em um lugar até então inacessível foi algo totalmente surpreendente. E ao longo da minha caminhada, ainda vieram mais 21 acima de uma meta distante. Estou muito no lucro, né?”, brinca, bem-humorado.
Sangue de sucesso
O caminho para esta conquista foi aberto pela sua campanha mais famosa: a “Meu sangue é rubro-negro”, desenvolvida pela Leo Burnett Tailor para o Esporte Clube Vitória e a Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba). Na ocasião, a ação incentivou a doação de sangue entre os torcedores do time baiano. Uma das ações, realizadas em jogos oficiais, foi a retirada das listras vermelhas da camisa principal do clube, que iam sendo preenchidas de volta na medida em que os bancos de sangue do Hemoba eram abastecidos. E o incentivo era completado pela distribuição de folhetos, um kit de imprensa, spots de rádio e comerciais de TV narrados pelo ator e torcedor ilustre Wagner Moura: “O Vitória tirou o vermelho de sua camisa e só com a sua doação de sangue, a cor vai voltar ao normal”, dizia ele na peça.
A estratégia de marketing deu certo: em poucos meses, as doações aumentaram em 46% – o dobro da meta de 25% – e a campanha repercutiu positivamente em veículos da imprensa nacional e internacional, impactando mais de 130 milhões de pessoas com mais de 1 bilhão de pageviews e 935 minutos de exposição na TV. Os resultados se traduziram já no Cannes Lions de 2013, quando Mendonça, então com 24 anos, representou o Brasil no Young Lions, competição global para jovens publicitários de até 30 anos. Ele ganhou sete Leões de uma só vez na competição principal. No ano seguinte, a mesma campanha faturou mais quatro prêmios, incluindo um Leão de Ouro e três de Prata. E colocou o sergipano entre os 10 redatores publicitários mais bem classificados no Relatório de Cannes 2013.
De lá para cá, Erick emplacou outras campanhas premiadas, que deram a ele os outros prêmios no festival francês. E mais outros prêmios, medalhas e indicações em outros festivais nacionais e internacionais de publicidade, como, os argentinos El Ojo de Iberoamérica e FIAP Awards (Festival Ibero-Americano de Criatividade), o britânico Design and Art Direction (D&AD) e os norte-americanos Clio Awards, The One Show, Andy Awards e New York Festivals, além dos brasileiros Clube de Criação, Effie Awards, Wave Festival (da revista Meio & Mensagem) e Profissionais do Ano (da TV Globo).
Este retrospecto permitiu ao sergipano ser reconhecido em 2014 como o sexto lugar na lista dos redatores publicitários mais premiados do mundo, segundo o ranking da Advertising Age. Um momento que ele considera como o mais especial da carreira. “Se até hoje, com 38 anos, ainda não acredito, com 25 é que eu não acreditei mesmo. O ranking da Ad Age contabilizava a quantidade de prêmios dos profissionais em todos os festivais internacionais do mundo. Naquele ano, acredito que ganhamos em todos os maiores. Uma loucura estar no mesmo ranking que lendas da profissão faziam parte”, surpreende-se até hoje.
Passos que vão longe
A experiência e a bagagem acumulada na vida profissional encorajaram o egresso da Unit a dar um passo ainda mais ousado: empreender, através de duas empresas que ele abriu no ramo publicitário. A primeira, aberta em 2022, é a Corisco Frilas, plataforma independente que opera para contratantes e profissionais freelancers de Publicidade e Propaganda, e funciona como uma grande curadoria na indicação de talentos para empresas, agências, estúdios e produtoras. Com quase 10 mil contratos fechados até o momento, a Corisco atua no Brasil e em outros 10 mercados internacionais, como Estados Unidos, México, Alemanha, Holanda, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A outra é a PaPoCo Ideas, fundada no fim de 2024 como uma célula criativa e produtora (definida como creative shop), que assim como a Corisco, atua globalmente, a partir dos mercados da região Nordeste. “Basicamente somos terceirizados por agências ou produtoras para conceber projetos especiais para marcas do mundo todo. Também trabalhamos diretamente com as marcas e agora estamos apostando nos nossos conteúdos originais. Algo que está me deixando muito entusiasmado e com frio na barriga constantemente”, explica Erick, atribuindo a nova etapa de sua vida a um velho sentimento que o acompanhou desde criança: a inquietude.
“Sou uma pessoa muito inquieta, e amo o que eu faço: criar, ficar pensando e produzindo coisas diferentes. A partir do momento em que percebi que o mercado publicitário passa por um momento de transição grande, no qual os interesses comerciais se sobressaem e a parte criativa, que para mim é o que importa, vai sendo deixada de lado, eu começo a perder interesse no modelo tradicional. Vivi mais de 15 anos trabalhando da forma que era imposta e dita como certa, agora estou em um lugar de busca, procura por novos desafios, novos jeitos de fazer. Criatividade para mim é vocacional, portanto, estou em busca de lugares que eu me encaixe melhor, nem que para a gente tenha que inventar algo que não existe. É o que estamos tentando fazer: eu, meus sócios e time. Um caminho muito menos cômodo, mas que está sendo prazeroso”, define Mendonça.
O publicitário vive e trabalha atualmente em São Paulo, mas sem perder os laços pessoais e profissionais com Sergipe. Sobre a carreira, ele acredita que já é bem-sucedido e que isso lhe permite o desafio de ir a lugares inexplorados e ser um farol ou ponte para pessoas que queiram ascender na profissão ou criativamente. “Percebi que minhas/nossas ideias têm um poder de transformação. Acredito de verdade na coletividade e é a filosofia que me rege e minhas empresas. Quero que nossas ideias ganhem o mundo e inspirem mais e mais pessoas. É sonhar alto demais? Talvez. Mas sigo acreditando”, conclui Erick, não sem antes deixar escapar mais um sonho de vida. “Queria ganhar um Oscar também de documentário ou curta. É sonhar alto demais? Sim, viajei”, diverte-se.
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