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Doutorandos do PEP iniciam pesquisas com cannabis em parceria com a UFSC

Pesquisadores da Unit exploram novas técnicas de extração de canabinoides, com foco em tratamentos para câncer de pele; estudos da Liga Acadêmica da Cannabis resultam em prêmios, publicações e novos estudos com impacto social

às 19h55
A equipe da Liga Acadêmica de Estudos da Cannabis (Laec), durante o Congresso Nacional Multidisciplinar de Inovação em Saúde, realizado na Unit (Divulgação/Laec)
A equipe da Liga Acadêmica de Estudos da Cannabis (Laec), durante o Congresso Nacional Multidisciplinar de Inovação em Saúde, realizado na Unit (Divulgação/Laec)
Prédio do Centro de Ciências Rurais da UFSC, em Curitibanos (SC), referência nacional em estudos científicos sobre a cannabis (Paulo Noronha/Agecom UFSC)
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As pesquisas que envolvem o desenvolvimento de tratamentos e medicamentos sobre a Cannabis spp e suas variações, incluindo a cannabis sativa, vêm se aprofundando em suas mais diversas possibilidades. Os doutorandos Rafael Barreto Vieira Valois e Ciro Ribeiro Brito Amorim, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos da Universidade Tiradentes (PEP/Unit), começaram a desenvolver teses de doutorado relacionadas a novas técnicas de extração, concentração e purificação de canabinoides destinadas ao desenvolvimento e produção de medicamentos. 

Estes estudos, orientados pelo professor Cláudio Dariva, são feitos em conjunto com o Pólo de Desenvolvimento e Inovação em Cannabis (Podican), ligado ao Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Catarina (CCR/UFSC), referência nacional em estudos científicos sobre a planta. Os doutorandos estão em Curitibanos (SC) e devem ficar cerca de seis meses atuando nos laboratórios da UFSC, em regime de doutorado-sanduíche. 

A tese de Ciro debruça-se sobre o desenvolvimento de um processo de extração criogênica para concentração e purificação de canabinoides a partir da Cannabis sativa L. Já a de Rafael avalia o potencial terapêutico via atividade antitumoral in vitro e in vivo do canabidiol (CBD) obtido por um processo criogênico combinado com líquidos pressurizados. “Esse é um tipo de ensaio in vitro, que não utiliza animais para pesquisa. Apenas células. Neste ano, vamos aprender essa metodologia, e no próximo vamos aplicar no nosso estudo”, explica Rafael. 

Para além de desenvolver uma nova técnica de extração, a partir da diluição da cannabis, o objetivo é analisar é o efeito das substâncias canabinóides sob os tumores provocados pelo carcinoma espinocelular, um tipo comum de câncer de pele que é causado principalmente pela exposição solar acumulada. Este, aliás, é o desdobramento de uma pesquisa de iniciação científica que estudou especificamente o efeito da substância sobre os tumores ligados ao câncer de boca. Foi realizada em 2024 pelas alunas Sofia Maynard Araújo Machado e Yasmim Nunes Medeiros (do curso de Odontologia) com participação de Ciro e Rafael, e que ficou em primeiro lugar na 25ª Jornada Odontológica da Unit (XXV Jout).  

De acordo com Valois, este estudo de iniciação científica fez parte dos trabalhos da Liga Acadêmica de Estudos da Cannabis (Laec) e se baseou em uma revisão de literatura, com análises e comparações de pesquisas anteriores que se debruçaram sobre o assunto. “Nós seguimos uma metodologia para fazer um trabalho de revisão sistemática, a mesma que utilizamos no doutorado, pra poder desenvolver a revisão de literatura. Minha tese é sobre a utilização do CBD obtido por um novo processo de extração por atividade antitumoral. Uma das linhagens celulares que tem aqui no laboratório da UFSC é a Carcinoma Espinocelular (CEC). Iremos testar em algumas e não somente nesta”, detalha. 

Mais pesquisas

Além da pesquisa sobre os carcinomas espinocelulares, outras duas pesquisas de iniciação científica realizadas no âmbito do Laec deverão ser publicadas brevemente como artigos científicos em revistas especializadas: um sobre a atividade analgésica da Cannabis spp. na dor orofacial e outra sobre o uso das substâncias da planta no tratamento da estomatite aftosa recorrente, conhecida como afta. Em março deste ano, eles ficaram entre os 15 melhores trabalhos avaliados no Congresso Nacional Multidisciplinar de Inovação em Saúde: da assistência à gestão, também realizado na Unit. Estes foram convidados para submissão no Caderno de Graduação Ciências Biológicas e da Saúde, da Editora Universitária Tiradentes (Edunit), em sua edição especial relativa ao congresso. 

Estes trabalhos também se baseiam em revisões bibliográficas conduzidas de acordo com a metodologia de revisão sistemática. A partir de uma pergunta norteadora, os pesquisadores e estudantes buscaram, quantificaram e qualificaram as evidências disponíveis na literatura, utilizando o aplicativo Rayyan como ferramenta para organização e seleção dos estudos. Rafael Valois destaca que os estudos da Laec contribuem significativamente para a sociedade, ao unir rigor científico e diálogo aberto sobre o uso terapêutico da Cannabis. 

“Ao investigar condições de alta prevalência e impacto na qualidade de vida, como a estomatite aftosa recorrente e a dor orofacial, os trabalhos ampliam o repertório de opções terapêuticas, fomentam a inovação em saúde e fortalecem a formação de profissionais capazes de atuar com base em evidências. Essa produção de conhecimento não apenas ajuda a desmistificar e reduzir o estigma em torno da planta, mas também favorece políticas e práticas mais seguras, eficazes e socialmente responsáveis, alinhando ciência, saúde pública e bem-estar coletivo”, diz o doutorando. 

Além das alunas Vitória Dias e Sofia Maynard, e dos doutorandos Ciro Amorim e Rafael Valois, a equipe responsável pelos estudos também teve a participação da estudante Lurdes Mylla Cardoso Oliveira, do curso de Psicologia da Unit, e da pesquisadora Taís Rocha, que é professora da Uninassau (Centro Universitário Maurício de Nassau) e coordenadora de pesquisa da Laec. 

Na visão de Valois, o caráter interdisciplinar e inovador do congresso alinhou-se à proposta da Liga de ampliar o diálogo científico sobre o uso terapêutico da Cannabis. “As menções honrosas que recebemos representam o reconhecimento da qualidade científica e da relevância social dos trabalhos desenvolvidos, fortalecendo a credibilidade da Laec e estimulando a continuidade das pesquisas. Elas também evidenciam que o tema, apesar de ainda cercado por estigmas, vem ganhando espaço no meio acadêmico por meio de estudos sérios e fundamentados”, afirmou Rafael.

Ao todo, a Laec já soma 11 trabalhos apresentados em jornadas, congressos e eventos, resultando ainda em 11 publicações em anais de revistas, quatro premiações (duas locais e duas nacionais) e dois artigos em desenvolvimento, além da participação em dois grandes eventos nacionais. Um deles será a ExpoCannabis Brasil, segunda maior feira canábica do mundo, que acontecerá entre 14 e 16 de novembro, em São Paulo (SP).

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