A iniciação científica foi a porta de entrada para a carreira na pesquisa e na ciência, que já começou de forma bem-sucedida para Dryelle Karoline de Almeida Silveira, egressa do curso de Farmácia da Universidade Tiradentes (Unit). Após concluir o curso, no semestre 2025-1, ela conseguiu ser aprovada em primeiro lugar na seleção para o curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS). Um resultado que foi construído a partir de uma intensa participação em projetos de pesquisa, que incluíram três artigos completos publicados em periódicos, três capítulos de livros publicados, 19 apresentações de trabalhos e seis premiações em eventos científicos.
Um dos destaques mais recentes de sua trajetória foi o estudo sobre o desenvolvimento e avaliação de cristais líquidos à base de óleo de moringa oleífera, para serem utilizados como base cosmética. Realizado sob a orientação da professora Patrícia Severino, do PBS, e com a participação de outros estudantes, professores e pesquisadores da Unit e da Universidade Federal de Sergipe (UFS), ele foi divulgado em um artigo publicado na revista científica Journal of Molecular Liquids, em sua edição mais recente. Foi o primeiro artigo científico que Dryelle publicou como primeira autora
Segundo ela, o objetivo foi desenvolver um cristal líquido a partir do óleo fixo da moringa oleífera, planta que também é conhecida como “acácia-branca” e está presente no Brasil e em diversos países da África, da Ásia, da América Latina e do Caribe. “Os cristais líquidos têm várias finalidades. Eles podem ser utilizados em tratamento de feridas, como carreadores transdérmicos e tal. Mas o foco do meu projeto é a utilização dos cristais líquidos como uma base dermocosmética, porque ele vai permitir que o fármaco seja carreado para as camadas mais profundas da pele, aumentando a eficácia desse fármaco”, explica Dryelle.
Os carreadores de fármacos são sistemas que encapsulam ou se associam a medicamentos para transportá-los de forma mais eficaz e segura até o alvo no corpo. A pesquisa, realizada no PBS/Unit e no Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), apontou que os cristais do óleo da moringa “apresentaram excelente compatibilidade com o resveratrol”, um antioxidante natural encontrado em plantas e com propriedades anti-inflamatórias, neuroprotetoras e antienvelhecimento. E concluiu ainda que “a composição bioativa do óleo contribuiu tanto para a formação da mesofase quanto para o potencial valor terapêutico agregado, destacando o uso promissor desses sistemas como carreadores inovadores de fármacos”.
“O meu projeto contribui de maneira que agora temos um carreador de fármacos de base natural, porque eu uso o óleo vegetal de uma planta super disponível no Nordeste, que é a moringa oleifera, para produzir um carreador que vai melhorar a entrega de fármacos na pele”, acrescenta Dryelle, que dará continuidade à esta pesquisa em sua dissertação de mestrado, aprofundando as análises e experimentos para investigar a possível aplicação destes cristais no tratamento de tumores cancerígenos. A dissertação está sendo orientada pela professora Juliana Cordeiro Cardoso. “Agora, no meu mestrado, eu vou tentar aplicar essa base para tratamento de melasma, por exemplo, que é uma condição de pele que acomete várias mulheres, principalmente no Nordeste, porque tem muita incidência solar”, completa.
Experiências
Além de participar de dois projetos de iniciação científica, a egressa de Farmácia também participou de um intercâmbio na Universidad Católica de Santa Maria (UCSM), em Arequipa (Peru), onde desenvolveu projeto de prospecção de novos fármacos e bioativos em linhagem de células tumorais. Foram experiências que agregaram ainda mais para o seu currículo acadêmico e contribuíram para a pontuação máxima no Barema, quadro de seleção utilizado nos processos de seleção para concursos e programas de pós-graduação stricto sensu.
“Com certeza, a iniciação científica contribuiu enormemente para a minha formação acadêmica, não só me fazendo evoluir e amadurecer como profissional, mas deixando claro que eu queria trabalhar com inovação científica, seguir nesse meio de pesquisa e poder desenvolver produtos que contribuam com a saúde e a melhora do bem-estar da população. Além de tudo, todas essas participações em eventos e programas, tanto na internacionalização quanto na iniciação científica, renderam frutos, como certificar as publicações de artigos e a colocação em primeiro lugar no mestrado”, avalia Dryelle.
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