Uma egressa do curso de Biomedicina da Universidade Tiradentes (Unit) vem se destacando na pesquisa científica e na pós-graduação stricto sensu. Ana Luiza dos Santos Vasconcelos, que concluiu o curso no semestre 2025-1, foi aprovada com louvor no processo seletivo para o Programa de Pós-Graduação em Imunologia (PPGIm), mantido pelo Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A seleção ocorreu ainda no primeiro semestre deste ano, a poucos meses da sua formatura, e levou em conta o desempenho acadêmico e as experiências práticas adquiridas durante as atividades de pesquisa e de estágio das quais participou ao longo da sua graduação.
Ana Luíza lembra que o interesse de fazer Biomedicina veio no Ensino Médio, após conversas com uma professora da escola onde estudava, que já tinha se formado em Biomedicina na Unit. Outros colegas dela também faziam o curso e deram informações importantes sobre a carreira e também sobre a instituição. Aliadas à pesquisa sobre a grade curricular, elas motivaram Ana a começar o curso em 2021. E de lá para cá, o interesse na área só foi crescendo.
“Todos os períodos me traziam uma nova vontade e possibilidade dentro da área, mas quando eu entrei na Iniciação Científica, ainda no terceiro período, eu passei a enxergar toda a minha trajetória com mais responsabilidade e passei a ter um olhar mais científico dentro do curso. Além disso, eu lembro de ter sido marcada, principalmente, com as aulas de Imunologia, com a professora Ana Paula [Barreto Prata], e Hematologia Clínica, com a professora Isana Leal [Souza], definindo com o que eu gostaria de trabalhar futuramente”, conta a mestranda.
Ana Luíza dedicou dois anos e meio do seu curso de Biomedicina na Unit a três projetos de iniciação científica junto ao Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), através dos laboratórios de Pesquisa em Alimentos (LPA) e de Engenharia de Produção (LEB). O primeiro foi sobre a extração de biomoléculas do tomate a partir de sistemas bifásicos etanólicos. Já o segundo buscou formar um filme biodegradável com Moringa oleifera LAM, com o objetivo de diminuir o tempo de degradação de frutas, a partir de efeitos antioxidantes e antimicrobianos. O terceiro, apoiado pelo Banco do Nordeste, usa cascas de camarão para a montagem de colunas de adsorção que seriam utilizadas com o intuito de tentar remover os poluentes orgânicos e inorgânicos no Rio São Francisco.
“Por mais que eles estivessem um pouco distantes do que eu tinha contato no curso, eu aprendi muito sobre o comportamento dentro do laboratório, a utilização de diversos equipamentos, leitura de artigos e escrita científica. Além de começar a desenvolver o senso crítico e olhar científico para diversas matérias na graduação”, lembra ela, que começou a se interessar pelo mestrado quando ainda estava no quarto período e se inspirou na trajetória da professora Ana Paula, que fez o seu mestrado no PPGIm/UFBA. Criado em 1989, ele é considerado um dos principais programas da área no país, com nota 5 concedida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Foi aí que a aluna teve a ideia de fazer o Estágio Supervisionado, uma disciplina obrigatória do curso, na própria instituição pública baiana. “Pensei na possibilidade de realizar o estágio na instituição para que eu tivesse um maior contato com outras metodologias e projetos voltados para a área da saúde”, justificou Ana Luiza, que através de seu atual orientador, o professor Alex José Leite Torres, conseguiu estagiar no Laboratório de Imunologia e Biologia Molecular (Labimuno), do ICS/UFBA.
“Tive contato com a porção de análises clínicas, que realiza diversos exames em centenas de pacientes. Foi uma experiência enriquecedora porque eu não tinha tido contato com tantos equipamentos e com a rotina mais corrida das análises clínicas. Já no setor em que ocorria os projetos de mestrado e doutorado dos alunos, eu acompanhei muitos projetos e auxiliei em metodologias como PCR, ELISA, cultivo celular, Sequenciamento de Sanger, extração de DNA e RNA, imunofenotipagem e entre outros”, descreveu ela.
Tudo ao mesmo tempo
Ao mesmo tempo em que fazia o estágio supervisionado, Ana teve que lidar com outros dois grandes desafios na reta final do curso. O primeiro foi escrever o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e o projeto de pesquisa para o mestrado, além de cursar algumas matérias isoladas do PPGIm. O outro foi se adaptar à vida em Salvador (BA), onde passou a morar para fazer o estágio.
“Nesse período, eu ainda estava lidando com todo o processo da mudança, o fato de não ter a minha família e amigos por perto, e cumpria muito além da carga horária exigida pelo estágio porque eu gostava de acompanhar os projetos e frequentar às aulas. Não posso dizer que foi fácil conciliar tudo, mas era prazeroso fazer o que eu gostava todos os dias. Eu definitivamente saí do estágio II com uma postura completamente diferente do que eu entrei e fico feliz por todo o esforço ter dado um retorno tão bom”, contou a agora mestranda, que contou com dois apoios importantes nesta adaptação: o do orientador e o do namorado.
E foi justamente a vivência destas duas experiências acadêmicas, tanto na Unit quanto na UFBA, que lhe pavimentou o caminho para chegar ao mestrado antes mesmo da formatura na graduação. “Sem dúvidas, a Iniciação Científica e o Estágio Supervisionado II foram essenciais para a aprovação. Ambos me forneceram uma base sólida para apresentações orais, leitura de artigos e escrita científica, critérios avaliados no processo seletivo do PPGIm. A Unit me possibilitou não só a ida para a UFBA como também a realização da iniciação científica, ambas etapas que foram essenciais para a minha formação. Além de ter tido contato com professores incríveis que me ensinaram muito além da sala de aula, serei eternamente grata a toda essa experiência”, destacou Ana Luiza.
A pesquisa da dissertação
Agora, no ICS/UFBA, a egressa da Unit atua na rotina do serviço de Onco-Hematologia no setor clínico de Imunofenotipagem do Labimuno, onde estagiou. E se dedica principalmente à pesquisa de sua dissertação, que é sobre a associação de dois genes relacionados com o processo de ativação do gene ABO, com alterações moleculares do prognóstico e imunofenotípicas de indivíduos com Leucemia Mieloide Aguda. “Alguns estudos já trazem a associação da frequência dos grupos sanguíneos em diversos cânceres e também do possível envolvimento do ABO no desenvolvimento e progressão tumoral, mas ainda é um tema em que a base molecular é pouco explorada nas neoplasias hematológicas”, explica.
Os resultados podem apontar caminhos e possibilidades de aperfeiçoamento de técnicas para o tratamento da leucemia. A previsão é de que a dissertação seja defendida até o final de 2027. Em seguida, a biomédica pretende ingressar imediatamente no doutorado, na própria UFBA, aprofundando suas pesquisas. “Inicialmente, a minha vontade era ser somente pesquisadora, mas hoje penso em talvez dar continuidade na área acadêmica e seguir com a docência”, conclui.
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