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Ensino digital: as tendências para a educação do futuro

Uso de hologramas, inteligência artificial e realidade virtual vem sendo testados e desenvolvidos em instituições de ensino, mas passam por melhoria das redes de internet

às 12h15
Uma das tendências futuras é o uso de hologramas em aulas, que já começou a ser testado em universidades (Divulgação/Imperial College)
Uma das tendências futuras é o uso de hologramas em aulas, que já começou a ser testado em universidades (Divulgação/Imperial College)
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A pandemia antecipou um processo de mudanças e evoluções que já vinham sendo experimentadas pela educação no Brasil e em todo o mundo: a adoção das novas tecnologias de comunicação e de conteúdo, que buscam otimizar o aprendizado dos alunos e o trabalho dos professores. O momento atual passou ainda a ditar tendências de como o ensino deve se organizar no futuro, cada vez mais atrelado à realidade digital.

Uma das mais debatidas é o uso da inteligência artificial, no qual dispositivos digitais armazenam informações e comandos repassados por humanos, passando em seguida a executar essas práticas. O uso deste recurso ainda é tímido e está sob estudos e discussões, mas passa a ser considerado em atividades como ensino personalizado e avaliação individual dos alunos, como complemento ao trabalho dos professores. 

“A inteligência artificial hoje já é uma realidade. Claro que ela ainda vai se desenvolver e vai se ampliar muito, mas a tecnologia da inteligência artificial pode vir sim e tem sido utilizada já pelas instituições de ensino, como uma forma de potencializar o processo de ensino e aprendizagem”, diz o professor Alexandre Menezes Chagas, do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED) da Universidade Tiradentes (unidade Sergipe). 

Ele aponta ainda o uso de hologramas como outra tecnologia ainda em desenvolvimento. Tratam-se de imagens que aparecem refletidas em feixes de luz, reproduzindo uma tela ou fotografia, mas com várias dimensões. De acordo com Alexandre, a tecnologia já começou a ser testada em aulas de escolas e universidades da Inglaterra, podendo substituir as telas normais usadas hoje. “Além da tela, a gente teria, por exemplo, um holograma do professor na sala de aula, no qual você consegue enxergá-lo em qualquer posição. Bem ao estilo do que a gente encontra em alguns filmes de ficção científica. Então, a gente começa a perceber que algumas tecnologias que antes só via em filmes passam a fazer parte do nosso cotidiano. O holograma não é do cotidiano, mas em breve será”, previu.

Outras tendências estão mais perto de fazer parte do nosso dia-a-dia. Uma delas é o uso da realidade virtual e da realidade aumentada, que já começou a ser usada por muitas instituições. Em laboratórios específicos, há a possibilidade de conhecer e manipular os mais variados objetos e sistemas. É possível, por exemplo, que um estudante de Engenharia Mecânica monte e desmonte um motor mais complexo ou um aluno de Medicina faça a dissecação (estudo de anatomia) de um cadáver humano ou animal, mas sem a presença do objeto físico – a qual muitas vezes é impossível por causa dos custos e dificuldades de viabilização. 

Há outros recursos mais concretos que já vinham sendo utilizados no ensino e ficaram mais presentes com as restrições impostas pela pandemia. Uma delas é o ensino híbrido, que mescla as atividades presenciais com as aulas virtuais, transmitidas através de dispositivos de reuniões on-line como o Google Meet. Nelas, é possível fazer apresentações de gráficos, vídeos e até mesmo jogos eletrônicos educativos, que trazem consigo um novo recurso didático utilizado com frequência: a gamificação do ensino.

Desafios

A viabilidade desta evolução tecnológica passa pela melhoria dos sistemas digitais de informação e comunicação. A mais importante delas é a chegada do 5G, padrão de tecnologia usado em sistemas de telefonia móvel e internet banda larga. É a mais moderna rede já desenvolvida, que funciona com o auxílio de ondas de rádio e exige um complexo plano de investimentos em tecnologia e infra-estrutura – inclusive no Brasil, que negocia a implantação do sistema com empresas chinesas, europeias e norte-americanas. 

O professor Alexandre Chagas avalia que a chegada da rede 5G vai tornar possível a implantação destas tendências futuras em larga escala nas escolas e universidades. “A rede será muito mais veloz, possibilitando que a gente tenha como trabalhar com a realidade virtual e aumentada, com hologramas.. Essas tecnologias sempre dependeram da estrutura física da rede. Então, sempre que a rede evolui, as possibilidades aumentam muito”, afirmou, ressaltando que a implantação dessas tecnologias deve sempre levar em conta uma análise de como elas podem melhorar concretamente o processo de aprendizagem.

Só que o caminho para implementação dessas novas tendências no Brasil ainda tem desafios. Um deles é a alfabetização digital, que ainda é considerada baixa. Uma pesquisa recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que cerca de 46 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet, sobretudo em áreas rurais ou comunidades mais pobres. Desse total, 41,6% alega que não sabe usá-la e 4,5% dizem que o serviço não está disponível nos locais que frequentam. O professor do PPED avalia que esses gargalos ainda existentes vão atrasar uma implementação mais massiva das novas tecnologias em nosso país. 

“Não vou dizer que a inteligência artificial vai chegar e vai revolucionar a educação na hora para outra, que necessariamente o 5G também vai revolucionar de um momento para o outro. A gente sabe que a rede 5G, se formos falar no nosso país e na nossa região, tem locais que não tem nem a 4G funcionando ainda direito. Imagina o 3G. Então vai demorar um pouco mais”, conclui Alexandre, frisando ainda que não basta ter acesso a um celular com acesso à internet: é preciso que as pessoas aprendam a usar os recursos dos quais dispõem. “Precisa primeiro equacionar essa alfabetização digital. Fazer com que as pessoas tenham conhecimento, saibam utilizar e saibam o porquê que estão utilizando aquela tecnologia”, afirma.

Ascom | Grupo Tiradentes

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