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Incorporação da vacina anti-chikungunya no SUS pode ajudar no combate à doença

O imunizante foi desenvolvido pelo Instituto Butantan, em parceria com a Valneva, e, se aprovado, deverá a ser aplicada gratuitamente e periodicamente em postos e unidades públicas de saúde de todo o país

às 17h26
A inclusão da nova vacina no Programa Nacional de Imunizações foi solicitada pelo Ministério da Saúde e está em análise (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A inclusão da nova vacina no Programa Nacional de Imunizações foi solicitada pelo Ministério da Saúde e está em análise (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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As ações de combate contra a chikungunya, uma das doenças transmitidas pelo mosquito aedes aegypti, estão prestes a ganhar um reforço importante no Sistema Único de Saúde (SUS): a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a farmacêutica francesa Valneva. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) está analisando um pedido do Ministério da Saúde para que o novo imunizante, chamado oficialmente de IXCHIQ, seja incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Caso o pedido seja aprovado, a vacina passará a ser aplicada gratuitamente e periodicamente em postos e unidades públicas de saúde de todo o país. 

No último dia 14 de abril, o imunizante teve o seu registro definitivo aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que lhe autoriza ser aplicado em toda a população brasileira acima de 18 anos. A decisão foi baseada em decisões semelhantes tomadas pelas agências reguladoras de saúde dos Estados Unidos (FDA) e da União Europeia (EMA). Os pareceres das três instituições comprovaram a alta eficácia da IXCHIQ na produção de anticorpos neutralizantes em níveis que se mantiveram robustos por, pelo menos, seis meses.

De acordo com o médico infectologista e professor Matheus Todt, do curso de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit), a nova vacina foi produzida a partir do vírus da Chikungunya atenuado, isto é, enfraquecido em laboratório, mas com capacidade de produzir resposta imune sem gerar a doença. “É uma vacina em dose única, que tem como público alvo pessoas com mais de 18 anos que morem em áreas de risco. Por ser uma vacina de vírus vivo atenuado, não deve ser usada em indivíduos com problema de imunidade ou em grávidas”, explica ele, acrescentando que a vacina foi feita com a mesma tecnologia das vacinas contra a dengue, como a Qdenga. 

Além de ser aprovada pela Conitec, a IXCHIQ deve ter a sua capacidade de produção comprovada pelos fornecedores. A previsão é de que os lotes iniciais sejam produzidos na Alemanha pela empresa IDT Biologika GmbH, com previsão de transferência de tecnologia ao Instituto Butantan para fabricação futura no Brasil. Em um comunicado oficial, a Valneva informou que está trabalhando em conjunto com o Instituto Butantan “para garantir o acesso rápido às suas vacinas contra chikungunya para o mercado brasileiro e outros países da região o mais rápido possível”. 

A expectativa é de que a incorporação da nova vacina anti-chikungunya aumente o nível de proteção da população, mas precisa ser aliada a outras medidas de controle do mosquito aedes. “Quanto mais pessoas vacinadas, melhor o controle do número de casos. A vacina será uma arma importante para isso, porém ela não é suficiente. Medidas como controle do mosquito vetor ainda são fundamentais para o controle da Chikungunya bem como das outras arboviroses”, acrescenta Todt. 

A preocupação se justifica pela alta incidência de casos da doença, principalmente durante as épocas de chuvas. As Américas registraram quase 300 mil casos de chikungunya e 300 mortes atribuídas ao vírus entre janeiro e julho de 2023. O Brasil registrou o maior número de casos, com mais de 1 milhão no total entre janeiro de 2019 e julho de 2024. “Em 2025, temos observado uma redução significativa no número de casos. No entanto, isso não deve-se ao bom controle da doença, mas sim ao padrão cíclico da chikungunya. É esperado um pico de casos a cada quatro anos, como foi visto no ano passado. E infelizmente ainda não temos um bom controle da doença”, aponta o professor.

com informações da Agência Brasil

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