A revolução tecnológica vem transformando profundamente as práticas na área da saúde, da educação e do esporte. Ferramentas como inteligência artificial (IA), realidade virtual e tecnologias vestíveis, antes restritas a laboratórios e centros de pesquisa, agora fazem parte do cotidiano de atletas, estudantes e profissionais da Educação Física. O uso dessas inovações já permite personalizar treinos, prevenir lesões, aprimorar o desempenho e até simular ambientes de alta exigência, como o campo de batalha.
Esses foram alguns dos temas discutidos recentemente em eventos nacionais e internacionais, que destacaram o impacto das tecnologias disruptivas na formação e atuação de profissionais da saúde e da educação, nos quais o professor Estélio Dantas, docente do curso de Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde da Universidade Tiradentes (Unit), participou. Ele foi convidado a aprofundar o debate em conferências realizadas no México, em Santa Catarina e em Minas Gerais.
A era da Sociedade 5.0 e o impacto na Educação Física
Durante o 29º Congreso Internacional de Cultura Física, realizado na Universidad Autónoma de Chihuahua, no México, de 29 de setembro a 2 de outubro, o professor Estélio apresentou a conferência “Desafíos de la Inteligencia Artificial y de La Revolución Tecnológica en la Educación Física y el Deporte”. De acordo com ele, a discussão sobre a IA no contexto da chamada Sociedade 5.0 e das revoluções industriais e digitais marca um ponto de virada no entendimento sobre o papel humano em um mundo cada vez mais automatizado.
“Estamos vivendo uma transformação disruptiva da humanidade, similar ao surgimento da escrita e da imprensa, com impactos transformadores e preocupação mundial. O mundo não será mais o mesmo”, afirmou o professor.
Tecnologias que já estão redefinindo a prática esportiva
O avanço das tecnologias vestíveis, as wearables, como smartwatches e sensores corporais, está revolucionando o monitoramento do desempenho humano. Segundo o professor, essas inovações permitem acompanhar em tempo real parâmetros como velocidade, força e frequência cardíaca, otimizando treinamentos e prevenindo lesões em atletas de alto rendimento. “Essas ferramentas também já estão presentes na Educação Física escolar e nas academias, possibilitando personalizar o ensino e criar programas de exercícios adaptados aos objetivos e características de cada indivíduo”, explicou.
Além dos wearables, Estélio destacou o papel crescente da realidade virtual (VR) e da realidade aumentada (AR) na formação e reabilitação. Enquanto a VR permite simular percursos e ambientes controlados, como corridas de maratona ou etapas do Tour de France, a AR acrescenta camadas de informação ao mundo real, enriquecendo o aprendizado com dados biomecânicos e anatômicos. “Já orientei uma tese sobre o uso da realidade aumentada no ensino das quedas do judô, demonstrando o potencial dessa tecnologia na educação física”, lembrou o professor.
Do campo ao laboratório
As discussões sobre inovação tecnológica também chegaram ao ambiente militar durante o Seminário Pró-Pesquisa 2025, uma iniciativa conjunta da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) e do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx), cujo tema central foi “Compartilhando Ideias e Soluções para nosso Futuro”. O evento foi estruturado em três eixos: Defesa, Tecnologia e Desempenho Humano e Estélio contribuiu para o debate ao proferir a palestra de abertura do eixo “Desempenho Humano”, com o tema “Desempenho Humano em Ambientes de Combate de Alta Exigência”.
“Nesta palestra, explorei como a inteligência artificial está redefinindo a forma de selecionar e treinar recursos humanos para ambientes de alta demanda física e cognitiva. Essas tecnologias permitem otimizar o desempenho físico e mental dos combatentes e prepará-los para os desafios do campo de batalha, mas é fundamental discutir também as implicações éticas e sociais dessa aplicação”, destacou Estélio.
Futuro da Educação Física
Ao abordar as tendências para os próximos anos, o docente ressalta que o futuro da Educação Física exigirá mais do que domínio técnico: será essencial cultivar empatia, inteligência emocional e aprendizado contínuo .“A IA não é um substituto da expertise humana, mas uma ferramenta que amplia nossas capacidades. O profissional do futuro será aquele que souber utilizá-la com ética, empatia e propósito”, observou.
Para ele, o desenvolvimento dessas competências humanas continuará sendo um diferencial competitivo, sobretudo até que a IA alcance maturidade plena em aspectos emocionais e relacionais, o que, segundo previsões, só deve ocorrer após 2030.
Pesquisa, inovação e formação na Unit
Os debates sobre inteligência artificial e inovação também são levados para a sala de aula. O professor destaca que a Unit tem promovido iniciativas para aproximar seus alunos das tendências emergentes na área, como o XVIII Congresso Internacional de Motricidade Humana (CIMH), que acontece de 22 a 24 de outubro, em Aracaju. “O congresso vai reunir representantes de 15 países e discutirá o tema ‘Saúde, Esporte e Inovação: A Era da IA na Construção de Sociedades Saudáveis’. Queremos ampliar o diálogo sobre os avanços e desafios nas interfaces entre saúde, tecnologia e bem-estar”, explicou.
O objetivo do XVIII CIMH é promover a discussão e a troca de conhecimentos sobre os avanços e desafios na área da saúde e da motricidade humana, com um foco especial nas interfaces entre a saúde física e mental e as novas tecnologias, em particular a inteligência artificial. O evento é uma copromoção entre a Unit, o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) e a International Human Motricity Network, com patrocínio da CAPES e do CNPq.
IA como aliada do profissional
O professor enfatiza que a pesquisa e a pós-graduação são pilares essenciais para preparar os profissionais frente às transformações tecnológicas. Ele cita como exemplo o trabalho da mestranda Nathalia Canuto, do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde da Unit, que investiga o uso de Big Data e IA na saúde da pessoa idosa. “Esse tipo de pesquisa mostra como a IA pode oferecer respostas personalizadas e mais eficazes, aprimorando a qualidade de vida. A pós-graduação oferece justamente o ambiente ideal para questionar, adaptar e criar soluções originais nesse campo em constante evolução”, pontuou.
Adaptação e mentalidade
Para os estudantes e jovens que ingressam no mercado, o docente deixa um conselho direto: manter a mente aberta e abraçar a inovação. “Resistir ao progresso é inútil. O futuro pertence àqueles que se adaptam e inovam. Participem de congressos, busquem conhecimento e não tenham medo de experimentar. Como disse Charles Darwin, não é o mais forte nem o mais inteligente que sobrevive, mas o que melhor se adapta às mudanças”, finalizou Estélio Dantas.
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