O aperfeiçoamento da garantia de saúde e qualidade de vida para as pessoas idosas, através da atividade física. Esse é um dos principais objetivos do Projeto Masterfitts, realizado desde 2017 na Universidade Tiradentes (Unit), através do Laboratório de Biociências da Motricidade Humana (Labimh), ligado ao Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS). Reunindo ações de pesquisa, extensão e intervenção em saúde, ele foi criado com o objetivo de investigar como o exercício físico impacta a qualidade de vida de pessoas idosas, firmando-se ao longo do tempo como um dos mais longevos e consistentes projetos científicos desenvolvidos em Sergipe.
Desde seu início, o Masterfitts já atendeu a 432 pessoas idosas, com idades entre 60 e 92 anos, residentes em bairros adjacentes ao Campus Farolândia, em Aracaju, e atendidos por Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e outras instituições voltadas à pessoa idosa. Ele também já resultou na produção de 52 pesquisas defendidas em Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), dissertações de mestrado e teses de doutorado, além de 97 trabalhos em anais de congressos, 55 artigos completos em periódicos sobre pessoas idosas e envelhecimento, e 12 capítulos de livros sobre o tema.
“O projeto possui forte impacto científico e social, com produção relevante de artigos, livros, capítulos e pesquisas na área do envelhecimento humano. Além disso, contribui diretamente para a formação acadêmica de estudantes e pesquisadores e para a promoção da saúde da população idosa em Sergipe. Para os idosos participantes, ele proporciona melhoria da saúde, autonomia funcional, qualidade de vida e prevenção de doenças e quedas. Para os estudantes e pesquisadores, oferece formação prática, experiência científica e integração entre ensino, pesquisa e extensão”, destaca o professor Michael Nadson Santos Santana, do curso de Educação Física, que assumiu recentemente a coordenação do Masterfitts.
O projeto desenvolve pesquisas sobre saúde e qualidade de vida da pessoa idosa, avaliando aspectos relacionados à autonomia funcional, ao condicionamento físico, à qualidade de vida, à saúde mental, à vulnerabilidade clínico-funcional, aos indicadores biofísicos, ao risco cardiovascular e de quedas, à resiliência e ao nível de atividade física. As atividades acontecem sob orientação e supervisão do professor Estélio Henrique Martin Dantas, que coordena o Labimh/PBS. Segundo ele, o programa segue um eixo estratégico voltado à promoção do envelhecimento ativo, com foco em aspectos como autonomia funcional, condicionamento físico, saúde mental e qualidade de vida da população idosa.
Atualmente, o projeto reúne nove trabalhos de pesquisa em desenvolvimento, sendo três TCCs do curso de Medicina, quatro dissertações de mestrado do PBS e duas teses de doutorado realizadas no âmbito da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Os temas investigados vão dos efeitos do exercício supervisionado sobre a sarcopenia em diferentes faixas etárias até a criação de um protocolo adimensional para avaliar a amplitude de movimento em pessoas idosas. “Esse conjunto de estudos evidencia a densidade acadêmica e o compromisso científico do Labimh, especialmente no contexto do Masterfitts, ao integrar formação de recursos humanos e produção de evidências voltadas à saúde da pessoa idosa”, destacou o orientador.
Atuação direta
Ainda de acordo com Estélio, o programa apresenta uma inserção interdisciplinar consistente e compatível com a proposta formativa do Labimh, envolvendo estudantes de diferentes cursos da área da saúde e níveis de formação acadêmica. Ao todo, são mais de 100 estudantes por semestre, sendo aproximadamente 50 de Medicina, 45 de Educação Física e mais os de Psicologia, Fisioterapia, Enfermagem e Farmácia (entre 3 e 5 alunos de cada curso), além de nove mestrandos e 12 doutorandos do PBS, diretamente vinculados às linhas de pesquisa. “Esse quantitativo reflete uma estrutura robusta e interdisciplinar, que articula ensino, pesquisa e extensão, contribuindo tanto para a formação qualificada dos estudantes quanto para o impacto social das ações desenvolvidas”, ressalta ele.
Esses alunos atuam diretamente na parte operacional do programa, com a participação dos idosos atendidos, e que envolve a realização de avaliações diagnósticas, orientações e atividades físicas supervisionadas, além do monitoramento de indicadores de saúde e das ações preventivas relacionadas ao envelhecimento saudável. Estas atividades, que acontecem na academia de musculação do Complexo Esportivo Valquírio Costa Lima, no Campus Farolândia, são organizadas em turmas e encontros semanais supervisionados por profissionais e pesquisadores, com frequência de duas vezes por semana e duração de uma hora por sessão.
Michel explica que os idosos são divididos em blocos, com a supervisão de três monitores permanentes coordenando os alunos de estágio supervisionado de Educação Física. Estes, após a realização de uma anamnese (entrevista clínica para apurar o estado geral de saúde de cada pessoa), passam o protocolo de treino para os idosos: alongamento seguido de uma sequência de 10 exercícios alternados por segmento do corpo. É um protocolo conhecido como full body, pois trabalha todas as áreas do corpo humano.
“No início do projeto, e aí vem a parte da pesquisa, a gente faz uma série de avaliações diagnósticas sobre aspectos relacionados à saúde e à qualidade de vida. Analisamos risco cardiovascular, nível de atividade física, flexibilidade e até aspectos relacionados à saúde mental. Então, é um screening [rastreio] enorme ali da vida do idoso, e em seguida a intervenção dos profissionais de educação física com o protocolo de exercício”, explica o professor, acrescentando que muitos dos idosos participantes do Masterfitts também participam de outros projetos comunitários que incentivam a atividade física.
Às sextas-feiras, em complemento a esta abordagem, são promovidas palestras educativas ministradas pelos alunos envolvidos no projeto, sobre temas relacionados à promoção da saúde, qualidade de vida e envelhecimento ativo, ampliando o impacto formativo e informacional junto ao público atendido. “Além das atividades regulares, o programa incorpora, de forma periódica, ações de congraçamento social organizadas principalmente pelo curso de Educação Física. Entre elas, destacam-se comemorações temáticas, como São João e Natal, atividades de recreação matroginástica e a realização de saraus, fortalecendo vínculos sociais, engajamento e bem-estar psicossocial dos participantes. Esse conjunto de ações evidencia uma proposta integrada, que articula exercício físico, monitoramento em saúde, educação e convivência social, consolidando o Masterfitts como uma iniciativa abrangente de promoção do envelhecimento saudável”, acrescenta Estélio.
Perspectivas
O ano de 2026 trouxe mais perspectivas de consolidação estratégica para a continuidade e o fortalecimento do programa Masterfitts. Um primeiro passo nesse sentido veio da Pró-Reitoria de Graduação e Extensão da Unit, que viabilizou a atribuição de carga horária específica de extensão para a coordenação do projeto, assumida agora pelo professor Michael Nadson. Para o orientador Estélio Dantas, esta foi uma medida “decisiva para a perenização do Masterfitts, ao garantir não apenas a continuidade das atividades, mas também a manutenção da qualidade acadêmica, assistencial e extensionista que caracteriza o programa”.
Outro passo importante foi a inserção do programa em redes internacionais de pesquisa. Desde 2020, ele integra a rede Healthy-Age, que conta com o apoio do Ministério de Cultura e Esporte do Governo da Espanha, no âmbito dos projetos de Redes de Ciencias del Deporte. O professor ressalta que “essa participação representa um reconhecimento internacional da relevância científica e social das ações desenvolvidas na Unit, além de ampliar as possibilidades de cooperação acadêmica e intercâmbio de conhecimento”.
Conforme o coordenador Michel Nadson, as principais perspectivas do Masterfitts para os próximos semestres são a ampliação do atendimento à população idosa, o desenvolvimento e registro de aplicativos voltados à avaliação funcional e física de idosos; o fortalecimento da produção científica; a publicação de novos artigos nacionais e internacionais; a ampliação das ações interdisciplinares; e o desenvolvimento de tecnologias e equipamentos voltados à saúde da pessoa idosa.
Como participar
A participação no projeto Masterfitts é aberta a pessoas idosas com 60 anos ou mais, mediante avaliação inicial e apresentação do encaminhamento dado por uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou de um atestado médico que comprove aptidão para a prática de exercícios físicos. Os interessados passam inicialmente por triagem, avaliação física e orientações da equipe do projeto antes do início das atividades.
Basta comparecer com a documentação exigida na academia da Unit, no Complexo Esportivo, de segunda a quinta-feira, das 14h às 17h.
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