Como preparar os cursos de graduação para as mudanças regulatórias, as novas demandas do mercado de trabalho e o perfil dos estudantes do século 21? Foi a partir dessa reflexão, que a Pró-reitoria de Graduação e Extensão) da Universidade Tiradentes (Unit) promoveu, no dia 27 de maio, o workshop NDE em Movimento: regulação, evidências e estratégias para o futuro, reunindo integrantes dos Núcleos Docentes Estruturantes (NDEs) para debater caminhos e estratégias para a educação superior.
Concebido como um espaço de análise, planejamento e construção colaborativa, o workshop abordou temas considerados estratégicos para o ensino superior contemporâneo, entre eles sustentabilidade acadêmica, inovação curricular, qualidade da formação, flexibilização dos currículos e as recentes atualizações regulatórias promovidas pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Novos desafios
Durante os debates, os participantes discutiram as mudanças no perfil dos estudantes, as tendências do mercado de trabalho e os impactos desses fatores na organização curricular e na permanência acadêmica. Para a gerente de Avaliação e Acreditação da Unit, Michelline Simões, um dos principais desafios identificados pelos integrantes dos NDEs está na construção de currículos capazes de dialogar com diferentes demandas. “Os desafios consistem em alinhar as demandas de mercado, as necessidades do perfil de formação de cada curso às oportunidades de compartilhamento objetivando oportunidades entre cursos de distintas áreas”, destaca.
A programação também incluiu a apresentação de dados institucionais e nacionais relacionados a indicadores como evasão, retenção, empregabilidade, engajamento estudantil e desempenho acadêmico. A proposta foi estimular o uso de evidências para subsidiar decisões pedagógicas e institucionais, contribuindo para uma gestão acadêmica mais estratégica.
Outro momento foi o painel dedicado às mudanças no marco regulatório da educação superior brasileira, com discussões sobre a centralidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), os referenciais de qualidade e a organização das áreas da Classificação Internacional Normalizada da Educação (CINE). Segundo Michelline, as instituições precisam estar preparadas para responder a um contexto de mudanças cada vez mais aceleradas.
“Estamos vivendo um momento de muitas mudanças no marco regulatório da educação superior que passam pela atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos, além dos movimentos que envolvem as transformações da sociedade como um todo. Esses movimentos buscam orientar as instituições e seus cursos na consolidação de uma formação alinhada às necessidades do século XXI e às demandas do mercado, que passam pelo desenvolvimento de competências comportamentais e técnicas. Nessa junção reside o grande desafio de projetar cursos que tenham diferenciais formativos e atendam a todas essas demandas”, avalia.
Troca de experiências
O workshop também abriu espaço para a apresentação de experiências desenvolvidas nos cursos das áreas de Negócios e Saúde, permitindo que diferentes equipes compartilhassem práticas e resultados obtidos em seus processos formativos. Para Michelline, esse intercâmbio foi um dos aspectos mais relevantes do encontro. “Compartilhar as experiências de duas áreas distintas como ocorreu no evento mobiliza todas as áreas a visualizar que é possível e que já existem experiências positivas”, afirma.
Ela ressalta ainda que momentos de reflexão como esse contribuem diretamente para o aprimoramento da formação oferecida aos estudantes. “À medida que os NDEs avaliam as práticas desenvolvidas, seu projeto pedagógico e o perfil de profissional que desejam formar, surge uma oportunidade de buscar diferenciais. Funciona como um momento de autoavaliação, o que é muito produtivo do ponto de vista de uma instituição que busca permanentemente ser referência”, observa.
Próximos passos
O workshop marca o início de uma agenda institucional voltada à construção de macrocompetências e à reestruturação estratégica dos currículos. As próximas etapas incluem oficinas por áreas CINE, validações institucionais e a consolidação das propostas construídas pelos NDEs.
De acordo com Michelline, a expectativa é que esse trabalho contribua para ampliar as oportunidades dos futuros profissionais formados pela instituição. “Ao oferecer momentos de reflexão como esse, a PGE busca ampliar as oportunidades de empregabilidade, compartilhar boas práticas e promover o amadurecimento profundo de onde devemos chegar, tendo como referência que nosso objetivo final é formar egressos com diferenciais no seu processo formativo”, conclui.
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