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“A necessidade de se discutir a consciência negra é permanente”

Na programação da 10ª Semana da Consciência Negra da Unit, a Desembargadora Luislinda Valois falou sobre preconceito e de negros nos espaços de poder.

às 11h42
“O que me levou a ser juíza foi talvez uma orientação errônea de um professor que me mandou fazer uma feijoada em vez de ir estudar. Eu como uma boa brasileira, contundente, firme e ousada disse a ele que me tornaria juíza e voltaria para prendê-lo”, conta com um sorriso no rosto a Desembargadora aposentada Luislinda Dias de Valois Santos, a primeira juíza negra do Brasil. “Claro que o magistrado não prende ninguém assim aleatoriamente, mas tinha nove anos de idade e me senti agredida e então fui agressiva com ele também”, completa. Luislinda Valois esteve em Aracaju para participar da 10ª Semana da Consciência Negra da Universidade Tiradentes que aconteceu entre os dias 22 e 26 de novembro.
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Sempre que se chega o mês de novembro, quando se comemora a Semana da Consciência Negra, se levanta a discussão “o dia da consciência negra é importante?” Para Luislinda a resposta é afirmativa. “É uma necessidade imperiosa que se discuta a problemática da consciência negra no Brasil, mas ela não pode ser discutida apenas em um dia ou em um mês apenas, ela tem ser discutida todos os dias porque a necessidade é permanente”, afirma.

Luislinda Valois foi nomeada no dia 13 de junho deste ano para a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial –  SEPPIR –. “Para o negro se oferece apenas os serviços de execução, a parte de serviçal, de apoio, queremos que o negro tenha oportunidade de ter seu ápice social”, diz sobre o trabalho na Seppir. No Brasil, o índice de pobreza entre os afrodescendentes chega a média de 22%, valor duas vezes maior que entre os brancos (10%). Os dados são da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe – CEPAL.

Para 2017, ela projeta muitos desafios à frente da secretaria. “Faremos um trabalho mais intensivo para o julgamento de processos de mulheres encarceradas, o holocausto do jovem preto e pobre da periferia também está na pauta, cotas para negros nas comissões de concurso. Nós estamos trabalhando para que os negros tenham oportunidade de fazer o curso no Instituto Rio Branco, pois não temos negros diplomatas e também queremos estágios de jovens negros do Brasil na ONU”, declara.

Aos jovens, em especial aos jovens negros universitários, deixa seu recado. “Se inteire do que está acontecendo no país e participe da parte politica partidária e só assim teremos um país melhor”, finaliza a desembargadora.

Pioneira

Luislinda Valois é considerada a primeira juíza negra do Brasil. Aprovada em concurso público em 1984, entrou para a magistratura em junho do mesmo ano, quando foi designada para a comarca de Paramirim, na Bahia. Em dezembro de 2011 a juíza foi promovida, por antiguidade, ao cargo de desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Recebeu o título de Embaixadora da Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2012.

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