A Universidade Tiradentes (Unit) recebeu nesta semana a visita do pesquisador em saúde Fabbio Moraes, do FIT Instituto de Tecnologia, entidade tecnológica sem fins econômicos, que tem foco nas atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Ele esteve na instituição para divulgar o Programa Nacional de Aprendizado Acelerado em Tecnologia (PNAAT), iniciativa voltada ao fortalecimento do ecossistema nacional de hardware e à formação de talentos em tecnologias emergentes, com foco em sistemas embarcados e inteligência artificial na borda.
Moraes cumpriu três dias de agenda no Campus Farolândia, em Aracaju, onde divulgou o PNAAT em uma série de aulas e palestras para alunos e professores dos mais diversos cursos. Na segunda, 23, ele esteve com alunos dos cursos da área de Tecnologia da Informação (Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Ciência da Computação e Sistemas de Informação), para os quais falou sobre o PNAAT. Na terça, 24, abordou o tema Indústria 4.0 na aula inaugural dos cursos de Administração. E na quarta, 25, o pesquisador ministrou mais duas aulas inaugurais: uma para o Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS), sobre a Inteligência Artificial na Pesquisa; e outra para o curso de Farmácia, sobre Farmácia Digital.
O programa, realizado com base no programa Inova Brasil e fomentado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), oferece cursos de capacitação para profissionais de Tecnologia da Informação (TI) e de outras áreas que queiram atuar em áreas como Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT), buscando fortalecer estes eixos tecnológicos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.
“É importante trazer tecnologia, capacitação e residência tecnológica para essas regiões que têm uma necessidade maior. A relevância do programa é capacitar alunos de graduação ou pós-graduação nessas duas áreas. O programa capacita, mas também provoca os alunos e as universidades para fortalecer ações em paralelo ao currículo da própria graduação nas áreas de TI. E acho que o grande legado é deixar a possibilidade de os alunos também se prepararem para ir às empresas que têm interesse ou atuação na área tecnológica, em IA ou IoT”, explica Fabbio.
Ainda de acordo com o pesquisador, algumas regiões nordestinas “estão nessa corrida” para conectar alunos com empresas que têm interesse ou atuam nestas áreas. “Às vezes, tem uma demanda que a empresa ainda não tem muito claro sobre o que ela necessita ou o que poderia ser bom para ela. Por isso que a formação é importante, pois ela conecta tanto o aluno que recebeu essa formação quanto a empresa que está lá na ponta, para que essa necessidade fique mais clara. Com esse encontro, fica mais fácil de fazer esse mapeamento. Essa demanda é espontânea e às vezes precisa de um empurrãozinho. Uma das coisas que o projeto pode fazer é despertar esse interesse, tanto dos alunos se capacitarem e continuarem trabalhando com isso aqui na região, quanto das empresas não terem uma necessidade tão grande de buscar profissional de fora e buscarem um profissional minimamente capacitado aqui na região para atuar nessas áreas”, diz ele.
Como é o curso
O PNAAT é composto por um ciclo de formação que dura cerca de 10 meses e é dividido em 5 etapas: Capacitação EaD, Intensivo ‘Maker’ (presencial), Residência Colaborativa em empresas, Imersão Nacional e Imersão Internacional. “Nesse programa, o aluno evolui de uma fase ampla de adesão multi-regional para etapas progressivamente mais seletivas de capacitação, residência e imersões nacional e internacional, com redução do número de participantes e aumento do nível de especialização. Ele poderá ter acesso a aprendizado prático, oportunidades de networking e desenvolvimento de carreira no mercado de inovação”, detalha a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unit, Patrícia Severino.
A participação no PNAAT está aberta para todos os alunos e professores da Unit que tenham interesse em visão computacional IoT e IA. Eles podem se inscrever no site do programa, até o próximo dia 31 de março, e já começam a fazer a etapa virtual. Os alunos com melhor evolução nessa fase são classificados para a fase Intensivo Maker, a ser realizada em um laboratório regional de IA e IoT, totalmente integrado ao PNAAT, e que será implantado pela FIT, com investimentos de R$ 600 mil. O programa prevê a implantação de três destes laboratórios e seus locais serão escolhidos dentre 15 regiões nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Aracaju é uma das pré-selecionadas para a implantação deste laboratório, o que está condicionado à superação da meta de alunos que se inscreverem e fizerem a primeira fase do curso de capacitação. “A gente já tem alunos de Aracaju e da Unit que fazem parte do programa, estão cadastrados na plataforma e fazendo os cursos”, confirma Fábbio, considerando a Unit como “parceira estratégica” no processo do PNAAT. “Ela nos ajuda a impactar mais pessoas e a conectar alunos e empresas. Existe aqui toda uma infraestrutura de inovação, e agora com o Parque Tecnológico. Eu acho que a Unit é um campo muito fértil para esse tipo de programa. Ficamos muito felizes de estar aqui e temos a certeza de que com a Unit, a gente consegue muito mais sucesso”, elogiou o pesquisador.
Parceria e integração
Durante sua visita, além de conversar com gestores e pesquisadores da Unit, o representante do FIT também conheceu a estrutura e o funcionamento do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), o Tiradentes Innovation Center e as obras de implantação do futuro Tiradentes TechPark (TTP). Ele indicou que, além do PNAAT, existem outras possibilidades de parcerias entre o FIT e o Ecossistema Tiradentes, sendo algumas delas em fase de consolidação. Isso inclui a possível participação em projetos de pesquisa relacionados à tecnologia em programas de pós-graduação.
“Estamos em parceria no desenvolvimento de projetos de pesquisa, promovendo também a aproximação com o setor produtivo, de modo que nossos alunos tenham contato direto tanto com a FIT quanto com a FLEX. Isso fortalece a Unit ao ampliar a integração entre ensino, pesquisa e setor produtivo, proporcionando formação mais prática aos alunos, geração de inovação aplicada e maior visibilidade institucional por meio de projetos estratégicos e colaborativos”, considerou Patrícia Severino.
O FIT Instituto de Tecnologia é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2003 e credenciada pelo Comitê da Área de Tecnologia da Informação e Comunicação (Cati) do MCTI. Ela desenvolve tecnologias inovadoras em hardware, software e automação para clientes globais, além de acelerar ideias de produtos desde a concepção até a comercialização. É sediada em Sorocaba (SP) e mantém outras duas unidades próprias em Jaguariúna (SP) e Manaus (AM).
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