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Projeto criado na Unit vence hackathon global da NASA e ganha projeção mundial

Alunos de Ciências da Computação conquistaram o prêmio máximo do NASA Space Apps Challenge 2025, com sistema que pode ser usado no planejamento de missões espaciais

às 18h03
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O avanço da inovação em áreas como a ciência espacial tem ajudado a formar jovens talentos que começam a se destacar no mercado de Tecnologia da Informação (TI). Um exemplo disso está em seis estudantes sergipanos, do sétimo período do curso de Ciências da Computação da Universidade Tiradentes (Unit), que ganharam recentemente um prêmio internacional: o NASA Space Apps Challenge 2025, desafio de inovação promovido globalmente pela NASA (National Aeronautics and Space Administration), a agência espacial dos Estados Unidos. 

A etapa global, realizada em dezembro na sede da NASA, em Houston (EUA), colocou o Brasil entre os 10 vencedores globais do desafio, juntamente com representantes da Alemanha, do Egito, do Peru, do México, da Índia e dos próprios EUA. Nesta edição, ele reuniu mais de 114 mil participantes, em 167 países, com 551 eventos locais, mais de 18 mil times e cerca de 11.500 projetos submetidos.

O projeto dos alunos da Unit, que venceu a categoria Best Mission Concept (Melhor Conceito de Missão), foi o da PureFlow, uma plataforma de engenharia de sistemas para criação, modelagem e validação da viabilidade de habitats espaciais, locais que servem de apoio para astronautas durante as missões fora da órbita da Terra. A ferramenta, que é diretamente conectada ao API Donki, sistema de previsões climáticas e ambientais da NASA, foi desenvolvida pela própria equipe sergipana, que apesar de terem pensado todo o projeto a ideia na semana que antecedeu o início da etapa local do evento, em outubro passado, já estava formada e entrosada há mais tempo. 

“Somos um grupo de amigos que estuda junto desde o primeiro ano da faculdade e participamos do NASA Space Apps Challenge desde o início da nossa graduação. Essa sintonia de anos facilitou muito o processo. Já a ideia específica nasceu durante o fim de semana da competição deste ano. Unimos nossa experiência de edições passadas com o desejo de criar algo tecnicamente robusto, identificando que faltava uma ferramenta que conectasse o design 3D à engenharia de sobrevivência real”, contou Lara Diniz Santana, que integra o PureFlow juntamente com as alunas Esthefany Muniz Chagas, Laiza Leal de Souza e Thayane Gisele Domingas dos Santos, além dos alunos João Felipe Silva Freitas e Pedro Lucas Henrique Neves. 

Os seis trabalharam no projeto ao longo das 48 horas da etapa local do NASA Space Apps, que aconteceu no Tiradentes Innovation Center (TIC), durante a Feivest 2025. Entre os 18 desafios científicos propostos pela agência norte-americana, eles escolheram o que envolvia a criação de um habitat espacial, mas com foco no problema real de integração dos dados. De acordo com eles, a questão não foi apenas desenhar uma casa em Marte, mas garantir que ela fosse viável. 

“A maior dificuldade técnica que assumimos foi fazer o sistema calcular, em tempo real, variáveis físicas (massa, energia) e conectá-las a dados climáticos reais da NASA. Abraçamos a complexidade de fazer um ‘simulador de engenharia’ em vez de apenas uma maquete 3D”, lembra a estudante, explicando que a estratégia dividir a equipe em quatro “frentes de batalha”: Design/UX, Modelagem 3D, Front-end e Integração de API. Com metodologias ágeis, o grupo conseguiu definir a arquitetura do sistema nas primeiras horas do hackaton. Em seguida, na madrugada de sábado para domingo, o protótipo funcional já estava em funcionamento. 

De acordo com Lara, a chave do sucesso foi a comunicação constante entre os integrantes, permitindo que os responsáveis pela programação implementassem a lógica de cálculo durante a criação dos módulos pelos responsáveis pelo time de design. Ela disse também que a equipe aplicou conceitos e conhecimentos que aprenderam ao longo das aulas que tiveram na Unit, como Engenharia de Software para a arquitetura do sistema, Computação Gráfica e Matemática (Álgebra Linear) para a manipulação do ambiente 3D, e Desenvolvimento Web Full Stack e Integração de APIs REST. 

“O projeto é a materialização do nosso curso. Sem a base sólida de algoritmos e estrutura de dados que tivemos em sala, não seria possível otimizar os cálculos em tempo real”, destacou a aluna, acrescentando que contou com o apoio e a orientação de professores da área de TI, que atuaram no hackathon como mentores das equipes. “A Unit e o Tiradentes Innovation Center nos forneceram o ecossistema necessário. Não é apenas sobre a técnica, mas sobre a cultura de inovação. O incentivo para participar de hackathons, a divulgação constante de oportunidades e o acesso a mentores criaram um ambiente onde nos sentimos seguros para arriscar. A universidade nos deu as ferramentas teóricas, e o TIC nos deu o palco para aplicá-las”, destacou.

Saindo do papel

O PureFlow é um sistema de código aberto (open source) e pode ser livremente adotado e aperfeiçoado por outros cientistas e programadores. Ele funciona em três etapas. Na primeira, a do Design, o usuário age como um arquiteto, montando o habitat em 3D (adicionando quartos, laboratórios e estufas). Na segunda, a da Simulação, ele age como um engenheiro, calculando automaticamente se há energia e suprimentos suficientes para a tripulação escolhida. E na terceira, a da Validação, a plataforma Api Donki, da NASA, é consultada em tempo real: caso haja naquele momento uma tempestade solar ocorrendo no espaço, o PureFlow simula o impacto dessa radiação no habitat criado e informa quais as chances de sobrevivência da tripulação. 

A estudante da Unit garante que a nova plataforma pode ser aplicada no treinamento de pessoal e no planejamento de missões espaciais. “No planejamento, o PureFlow atua como uma ferramenta de viabilidade preliminar, permitindo que agências espaciais testem centenas de configurações de habitat rapidamente antes de gastar milhões em protótipos físicos. No treinamento, ele serve como um simulador de cenários de crise. Astronautas e controladores de missão podem usar a plataforma para simular respostas a emergências, como falhas no suporte de vida ou picos repentinos de radiação, aprendendo a tomar decisões críticas de design e segurança”, explica Lara Diniz. 

A vitória conquistada na etapa internacional do NASA Space Apps aumentou a visibilidade do projeto brasileiro e colocou os jovens sergipanos em evidência no cenário internacional, o que aumenta as chances de o projeto sair do papel e ser adotado pela NASA ou outras instituições que atuam no ramo. “O Space Apps funciona como uma incubadora de ideias, e a NASA frequentemente observa as soluções vencedoras para entender novas abordagens. Estamos abertos a conversar com incubadoras e empresas do setor aeroespacial para transformar o protótipo em um produto comercial ou acadêmico robusto”, admite a aluna. 

Para além das chances de o produto ser desenvolvido e lançado no mercado, a conquista dos estudantes da Unit no NASA Space Apps pode lhes abrir outras oportunidades. “Este título é um selo de qualidade internacional em nossos currículos. Ele abre portas para conexões com engenheiros da NASA, oportunidades de mestrado e pesquisa no exterior, além de atrair o olhar de grandes empresas de tecnologia que buscam profissionais capazes de resolver problemas complexos sob pressão. É um divisor de águas em nossas carreiras”, define Lara Diniz, ao considerar a vitória na etapa global como a realização de um sonho e de um marco histórico. “Representa que a tecnologia desenvolvida em Sergipe, no Nordeste do Brasil, está em pé de igualdade com o que é produzido nos maiores centros tecnológicos do mundo. É a prova de que com dedicação, criatividade e ensino de qualidade, não existem fronteiras para o que podemos criar”, conclui ela.

Menção honrosa

Além do PureFlow como um dos vencedores, outro projeto sergipano foi premiado com a menção honrosa na etapa global do NASA Space Apps: a equipe Agro Quest, desenvolvido por dois estudantes e um egresso da Universidade Federal de Sergipe (UFS): Wilson Santos Carvalho (Ciência da Computação), Gyannine Candeias Gomes dos Santos (Ciência da Computação) e Kauê Santos Rodrigues (Bacharelado em Matemática). O projeto deles foi o Farmatro, um jogo de cartas educativo e estratégico, no qual o usuário herda uma fazenda virtual e tem que tomar decisões cruciais sobre suas plantações, com base em relatórios locais da NASA que refletem mudanças ambientais reais. 

“Receber a menção honrosa nos mostrou que estávamos no caminho certo. Mesmo com um time de apenas três pessoas, conseguimos nos destacar entre mais de 11 mil projetos. Pra mim, isso prova que temos capacidade de competir tanto na parte técnica, quanto na criatividade da solução”, diz Wilson Carvalho, que também cita as várias oportunidades abertas para os integrantes da Agro Quest. “Acreditamos que o principal é o reconhecimento e a visibilidade do nosso trabalho. Quando você diz que seu projeto foi destaque entre tantos times avaliados pela NASA, isso abre portas que um portfólio comum não abre. O benefício disso pode vir como novas oportunidades de trabalho, convites para outros hackathons ou parcerias em novos projetos”, prevê o egresso da UFS.

Um parceiro importante

Para o coordenador de marketing do Tiradentes Innovation Center (TIC), Leonardo Sales, que atuou como líder local do NASA Space Apps Challenge em Aracaju, as conquistas dos integrantes da PureFlow e da Agro Quest representam a coroação de um trabalho árduo realizado há cinco anos pelo time do TIC, que oferece todo o suporte para a realização do evento. “É um processo longo, de meses de preparação, com o objetivo de incentivar a inovação e mostrar que em Aracaju e em Sergipe desenvolvemos tecnologia de ponta, com potencial de reconhecimento mundial. Trata-se de um reconhecimento do nosso ecossistema de inovação e tecnologia”, comemora Leonardo. 

Além de liderar, treinar e conduzir toda a preparação das equipes e do staff do NASA Space Apps Challenge em Aracaju, em alinhamento com o time global, o Tiradentes Innovation Center oferece suporte em todas as etapas, com espaço, estrutura física, coffee break, seleção de mentores e jurados, além de contribuir de forma intelectual para a qualidade e o nível do evento. “Esse destaque mundial amplia as oportunidades para o Tiradentes Innovation Center e o ecossistema local, possibilitando a expansão do evento na região, a captação de novos apoios e a atração de outros eventos internacionais. Sobretudo, gera oportunidades relevantes para os jovens participantes, com maior visibilidade e reconhecimento no mercado de trabalho”, considera o líder local. 

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