A Universidade Tiradentes (Unit) foi destaque no Selo ODS 2025, premiação concedida a iniciativas de transformação econômica, social e ambiental que contemplam os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos mundialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU). A premiação é concedida pelo Movimento Nacional ODS Sergipe e pela Comissão Nacional para os ODS (CNODS), que articulam e acompanham projetos e políticas públicas voltadas para o cumprimento destes objetivos em Sergipe e no Brasil.
Três projetos de extensão desenvolvidos por alunos e professores da instituição foram contemplados com o selo, reconhecendo a importância de cada um deles para o alcance destas metas. Além disso, a Unit foi uma das 18 contempladas com o Prêmio Boas Práticas 2025, concedido a instituições que alcançaram altos níveis de qualidade, impacto e relevância em seus projetos. Os professores responsáveis pelos projetos vencedores e o coordenador de Extensão da Unit, professor Geraldo Calazans, foram recebidos na manhã desta quarta-feira, 29, pelo reitor Jouberto Uchôa de Mendonça e pelo diretor acadêmico Marcos Wandir Nery Lobão.
Na audiência, eles detalharam o que foi feito em cada um dos projetos e destacaram a importância do apoio prestado pela Unit para a realização deles. Em seguida, cada um deles recebeu o diploma do Selo ODS das mãos do reitor. “Isto que está acontecendo é um presente para a universidade, porque nós temos um cuidado muito grande para que os nossos alunos e professores estejam sempre à frente dos acontecimentos, e que eles estejam livres para participar de qualquer coisa que seja importante para ele e para a universidade, sem receios. Agradeço a todos eles pelo gesto, pela bondade, e espero que a Unit possa estar sempre à disposição de vocês para tudo aquilo que representa o crescimento e a grandeza de cada um”, saudou o professor Uchôa.
Geraldo Calasans considera que os Selos ODS e o Prêmio Boas Práticas reconhecem a importância dos projetos desenvolvidos pela Unit e validam o seu modelo educacional, baseado na realização prática de projetos, e a competência de seus professores. “Um projeto no qual o aluno está em campo, vivenciando realidades locais e comunidades diferentes, aplicando seus conhecimentos, sempre orientado pelo professor. Isso é valioso e essencial para a formação dos nossos alunos, não só enquanto técnicos daquela área, mas principalmente para a formação humana. Termos nossos três projetos aprovados no Selo é muito significativo para a instituição, o que só ratifica o nosso compromisso com a qualidade do ensino e a formação integral do aluno”, ressaltou o coordenador.
“Tudo isso faz parte de um grande sistema acadêmico. Nossa modelagem é voltada para uma boa formação dos professores, dentro de uma metodologia baseada em aprendizado e em projetos. O que nós estamos vendo agora é uma combinância disso, que reflete o nosso modelo de ensinar e aprender. A junção de um corpo docente muito capacitado e competente com os alunos que vão mudar o mundo. Eu acredito muito no potencial dos nossos alunos, no potencial dessa nova geração. E através de um método de ensino aprendizagem que conduz a essa premiação. Nós estamos vendo aqui projetos reais, de interesse público, e que rapidamente a sociedade reconhece e premia, não só os nossos professores, mas os nossos alunos”, acrescenta Marcos Wandir.
Os projetos premiados
Um dos projetos vencedores foi o “Acesso à informação e o uso da Terapia Cognitivo-Comportamental em prol da gestão dos sintomas impulsivos do transtorno de personalidade Borderline”. Ele foi desenvolvido pela professora Roseli Nunes Bastos, da disciplina Experiências Extensionistas, com co-orientação da professora Jamile Santana Teles, de Psicologia. Ao longo de 10 meses, cinco alunos, sendo uma bolsista e quatro voluntários, fizeram o acompanhamento de alguns pacientes atendidos pela Clínica de Psicologia. A partir deste daí, os estudantes desenvolveram uma cartilha que explica e esclarece o que é o transtorno Borderline, como acontece seu diagnóstico e como as pessoas devem lidar com a pessoa que o têm.
“A gente conseguiu colocar uma problemática complexa de forma muito simplificada em uma cartilha, mas sem ser simplória. O paciente que participou do projeto teve acesso a uma série de informações práticas, que foram compiladas neste material. Ele possibilita que não só o paciente, mas também os seus familiares tenham acesso àquelas informações de maneira contínua, e a gente sabe que hoje em dia a gente tem uma quantidade muito grande de informações, mas nem sempre com qualidade”, descreve Roseli, destacando o orgulho pela premiação. “Fazer extensão envolve uma série de demandas e de problemas que vão além do que os muros da universidade oferecem aos alunos e aos professores. No entanto, amplia demais os horizontes e a perspectiva do mundo. Quando a gente vê um projeto de extensão recebendo essa notoriedade, é a sensação de que realmente é esse o caminho. O trabalho existe de fato, mas a recompensa é muito maior”, considera ela.
Outro premiado foi o “Projeto Reformatório Penal: avaliação dos processos das Pessoas Privadas de Liberdade”, desenvolvido há exatos 30 anos por alunos do curso de Direito, com assistência jurídica gratuita a pessoas envolvidas em processos nas Varas Criminais e de Execução Penal nas comarcas de Aracaju, Estância e Itabaiana. Seus trabalhos são orientados pelo professor Ronaldo Marinho, do curso de Direito e do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos (PPGD). Apenas nos últimos quatro anos, 13 mil peças processuais foram produzidas e mais de 14 mil pessoas foram atendidas, em parceria com a Defensoria Pública do Estado e a Secretaria de Estado da Justiça (Sejuc).
“Esse projeto tem um alcance dentro do acesso à justiça como nenhum outro em Sergipe. É um projeto que viabiliza o atendimento a essas pessoas que não têm acesso a advogados. Para a formação dos nossos alunos isso é muito positivo, mas principalmente dando uma resposta dentro das finalidades da Unit, que é atender às necessidades da sociedade. O selo é o reconhecimento de um trabalho desenvolvido pela Unit, com o seu corpo de ciências, alunos, professores, e isso só faz estimular ainda mais o nosso trabalho. E a gente espera poder levar esse projeto cada vez mais ao alcance de outras pessoas para que nós possamos não somente formar profissionais sensíveis à causa, mas principalmente dar resposta às demandas que a sociedade tem”, considerou Marinho.
O terceiro selo foi entregue ao projeto “A Função Social dos Estudantes da Ciência Jurídica na Redução da Insegurança Alimentar no Estado de Sergipe, Brasil”. Com a orientação do professor Fran Espinoza, também do PPGD, ele foi realizado dentro do programa “Laboratório Social”, com uma série de pesquisas e projetos de extensão na comunidade indígena Xocó, em Porto da Folha. Elas já resultaram na produção da cartilha “Homenagem ao Povo Xocó”, que será distribuída a partir de 2026 nas escolas públicas da rede estadual de ensino em Sergipe. “Essa cartilha tem um impacto grande, não só aqui na Universidade mas também em todo o estado de Sergipe. A partir dessa cartilha, nossos alunos do ensino médio vão estudar a cultura Xocó, as formas de resolução de conflitos da comunidade. E estamos tentando, sobretudo, levar a toda a comunidade sergipana a história de luta e resistência desse povo”, disse Espinoza, destacando o apoio prestado pela Unit para a viabilização destes projetos, na forma de investimentos e apoio logístico.
O trabalho específico do Laboratório Social que recebeu o Selo ODS estudou e detectou problemas relacionados à falta de acesso e garantias de alimentação saudável para os Xocós. “Eu pude perceber que a comunidade indígena enfrenta problemas relacionados à saúde, no quesito de grande introdução de alimentos industrializados dentro da própria comunidade. Poder perceber esse problema, propor soluções e estudar isso a fundo engrandeceu bastante tanto a minha vida pessoal quanto profissional”, relembra a advogada Ana Luisa Dantas, egressa do curso de Direito e ex-bolsista do projeto.
Além dos estudos de campo na terra indígena Xodó, os participantes do “Laboratório Social” também fizeram parte dos seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) em mobilidade acadêmica nas universidades de Deusto e de Valladolid, ambas na Espanha, que são parceiras da Unit desde 2023 na realização do projeto. “A gente já teve, contando com os deste ano, dez alunos de Direito que participaram ativamente do projeto, realizando suas mobilidades. Para nós, é uma alegria muito grande poder ver, não só a conquista do Selo ODS, mas poder ver todos os dias o empenho dos nossos alunos, do professor Fran e das universidades parceiras em fazer esse projeto dar certo e trazer cada vez mais resultados”, comemorou a assessora de Relações Internacionais da Unit, Júlia Gubert.
* Matéria alterada em 30/10/2025, às 13h, para acréscimo de informação
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