A formação médica exige, além do domínio técnico, a capacidade de compreender diferentes contextos de atenção à saúde e de adaptação a rotinas assistenciais diversas. Nesse sentido, experiências acadêmicas realizadas fora do país cont,ribuem para complementar o percurso universitário ao inserir o estudante em outros modelos de ensino, organização dos serviços e práticas clínicas.
Na Universidade Tiradentes (Unit), o Programa de Mobilidade Acadêmica Internacional (ProMAI) possibilita esse tipo de vivência ao permitir que alunos realizem parte da graduação em instituições estrangeiras conveniadas. A iniciativa integra as estratégias de internacionalização da universidade e amplia as oportunidades de formação prática e acadêmica durante o curso de Medicina.
Foi por meio do ProMAI que o egresso Gabriel Ribeiro participou de uma experiência internacional no semestre 2023.1. Ele realizou atividades acadêmicas na Universidad Popular Autónoma del Estado de Puebla (UPAEP), no México, onde permaneceu por seis meses, período dedicado principalmente ao internato médico.
Segundo Gabriel, a decisão de participar do programa esteve relacionada ao interesse em conhecer a prática da Medicina em outro país e à possibilidade de vivenciar um modelo de formação distinto. Ele explicou que o processo de seleção é acessível, mas exige preparo prévio, sobretudo em relação ao idioma. “O processo foi simples, porém era necessário comprovar proficiência. Isso exige dedicação para ir preparado”, relatou.
Rotina acadêmica
Durante o período no México, Gabriel enfrentou uma rotina acadêmica considerada mais intensa em comparação à vivenciada anteriormente. De acordo com ele, o volume de atividades práticas foi um dos principais diferenciais da experiência, exigindo organização, adaptação e resistência física e emocional.
No intercâmbio, o egresso realizou o internato de Medicina, com atuação distribuída entre Clínica Médica, Ginecologia e Obstetrícia e Pediatria, permanecendo dois meses em cada área. “A estrutura do curso priorizava a prática assistencial, com cerca de 80% da carga horária dedicada ao atendimento e acompanhamento clínico, enquanto a parte teórica era concentrada em poucas aulas semanais”, compartilha.
Essa dinâmica, segundo Gabriel, proporcionou contato direto com diferentes realidades institucionais. Ele destacou que teve acesso a protocolos adotados tanto em serviços públicos quanto privados, o que ampliou sua compreensão sobre a organização do sistema de saúde local. “Tive muito conhecimento prático nas diversas áreas da Medicina e também teórico, com protocolos de instituições públicas e privadas”, afirmou.
Diferenças metodológicas
Além da carga prática elevada, a experiência também foi marcada pelo contato com metodologias e recursos distintos dos utilizados no Brasil. Gabriel relatou que, em algumas atividades, utilizou máquina de escrever em substituição ao computador, o que evidenciou diferenças tecnológicas e organizacionais no ambiente acadêmico e assistencial.
Para ele, essas particularidades exigiram adaptação constante e contribuíram para o desenvolvimento de habilidades importantes para a prática médica. “Foi necessário lidar com uma rotina completamente diferente, em outro idioma, o que exigiu resiliência”, explicou, ao avaliar que esse aprendizado extrapolou o aspecto técnico da formação.
O contato com equipes multiprofissionais e pacientes em um contexto cultural distinto também foi apontado como um fator relevante da experiência. Segundo Gabriel, essa vivência contribuiu para ampliar a percepção sobre a relação médico-paciente e sobre a necessidade de comunicação clara e sensível em ambientes diversos.
Impactos na formação
Formado em Medicina pela Unit em 2024, Gabriel avalia que a participação no ProMAI teve impacto direto em sua formação acadêmica e profissional. Embora a experiência não tenha alterado seus planos de carreira, ele afirma que o intercâmbio reforçou suas escolhas e objetivos. “O programa me serviu para fortalecer a decisão nos meus objetivos”, declarou.
Atualmente, o egresso pretende seguir a especialização em Ortopedia. Segundo ele, a escolha está relacionada às perspectivas de atuação profissional e ao interesse pela área, que reúne abordagens clínicas e cirúrgicas. A vivência internacional, nesse contexto, contribuiu para ampliar sua base prática e consolidar sua decisão.
Ao avaliar a importância de programas de mobilidade acadêmica na formação médica, Gabriel destacou que essas iniciativas ampliam a visão do estudante ao expô-lo a diferentes sistemas de saúde, práticas clínicas e contextos culturais. “Esse contato foi muito importante pois fortalece competências como autonomia, raciocínio crítico e comunicação intercultural, fundamentais para o exercício profissional”, elenca.
Para os estudantes da Unit interessados em participar do ProMAI, Gabriel recomenda planejamento antecipado, investimento na formação acadêmica e linguística e busca por orientação institucional. “É importante estar aberto a aprender com realidades diferentes e aproveitar a experiência de forma ativa, ética e responsável”, concluiu.
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