Inspirada no legado de Florence Nightingale, considerada a fundadora da Enfermagem moderna, a Cerimônia da Lâmpada é um rito simbólico que marca o compromisso ético e humano dos estudantes com a profissão. O nome faz referência à lamparina que Nightingale carregava ao visitar soldados feridos durante a Guerra da Crimeia (1853-1856), símbolo de dedicação e cuidado com os pacientes, valores que ainda hoje norteiam a prática da Enfermagem.
Pensando na importância dessa tradição, a Universidade Tiradentes (Unit) realizou mais uma edição da Cerimônia da Lâmpada. Realizada anualmente, a cerimônia reúne alunos do curso de Enfermagem em um momento de integração, reflexão e fortalecimento da identidade profissional. A edição deste primeiro semestre contou com a participação de 18 estudantes, entre calouros e veteranos, além de representantes das Ligas Acadêmicas de Enfermagem.
De acordo com a professora adjunta do curso de Enfermagem, Emília Cervino Nogueira, a cerimônia foi cuidadosamente planejada desde o início do semestre. “A organização envolve não apenas a passagem da Lâmpada dos veteranos para os calouros, mas também a escolha do palestrante, dos estudantes que participam diretamente e de toda a logística necessária. A cada ano buscamos inovar, mas sem perder a essência. Os mentores foram indispensáveis para a realização do evento. Eles contribuem desde a organização, fazem os contatos com os calouros e toda a divulgação, tiram dúvidas, preparam as lembrancinhas e têm participação direta na Cerimônia”, explica.
A seleção dos estudantes que integram o momento simbólico é feita com base na observação dos professores. Os calouros são escolhidos por seu desempenho e engajamento, enquanto os veteranos são mentores no projeto. Além dos participantes diretos, todos os calouros são convidados a assistir ao evento e podem levar dois convidados. “O auditório ficou lotado, foi um momento marcante para toda a comunidade acadêmica”, conta Emília.
Tradição e representatividade
A tradição, embora simbólica, tem forte impacto na formação dos futuros profissionais. “Ela reafirma nos calouros a escolha pela Enfermagem e oferece um senso de pertencimento e de identidade com a profissão. A palestra do egresso Luiz Fernando Souza Santos, que hoje atua como enfermeiro offshore em uma empresa petrolífera, mostrou como é possível construir uma trajetória sólida aproveitando as oportunidades da universidade”, destaca a professora.
Um dos nomes que se envolveram diretamente na organização foi o estudante Raphael Cunha, mentor e representante da presença masculina na cerimônia deste ano. Para ele, a experiência foi enriquecedora em muitos sentidos. “Desde o planejamento até o grande dia, estive envolvido em várias etapas: articulei a equipe, ajudei na criação do roteiro, acompanhei os ensaios e cuidei de detalhes que garantissem que tudo saísse com o respeito e a sensibilidade que o momento exige. Foi desafiador, mas extremamente gratificante”, relata Raphael.
A representatividade masculina, segundo Raphael, trouxe reflexões importantes. “Ainda vivemos em uma sociedade que associa o cuidado, especialmente na Enfermagem, a um papel quase exclusivamente feminino. Estar ali, como homem, ocupando esse espaço com sensibilidade e responsabilidade, foi uma forma de quebrar estereótipos e ampliar olhares. Senti que, de alguma forma, representei não só os colegas homens do curso, mas também a ideia de que cuidar é humano e não tem gênero. Foi bonito perceber que minha presença ali também inspirou, que abriu espaço para mais diversidade e inclusão dentro da nossa profissão”, afirma o estudante de Enfermagem.
Raphael ainda destaca que leva consigo o valor da escuta, da colaboração e da responsabilidade com o coletivo. “Ser mentor e organizador me mostrou que liderar também é saber acolher, adaptar, inspirar e servir. A Cerimônia da Lâmpada não é só um evento bonito, ela é um marco emocional na trajetória de cada estudante, e ajudar a construir esse momento me ensinou a ter ainda mais respeito pela história de cada um. Saio dessa experiência mais maduro, mais sensível e com a certeza de que a Enfermagem começa muito antes da formatura: ela começa quando nos colocamos a serviço do outro com verdade”, finaliza.
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