O professor-doutor Marcelo da Costa Mendonça, do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS) da Universidade Tiradentes (Unit), foi um dos contemplados pelo edital mais recente do Programa de Atração e Desenvolvimento de Recursos Humanos em Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica em Instituições Estaduais, promovido pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec). A iniciativa concede bolsas de produtividade, conhecidas como Bolsas DTR e Bolsas PP, para a realização de pesquisas científicas que envolvem o controle de insetos-pragas em cultivos agrícolas.
Através deste edital, Mendonça foi classificado em primeiro lugar na seleção para a Linha de Pesquisa 02 e terá uma Bolsa de Produtividade em Pesquisa (PP) com adicional de bancada (auxílio para cobrir despesas de custeio e capital relacionadas ao desenvolvimento da pesquisa). O tempo de concessão da bolsa é de até 24 meses. O programa da Fapitec é semelhante ao programa de bolsas de produtividade mantido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do qual utiliza os mesmos objetivos e critérios de avaliação para seleção dos bolsistas.
De acordo com Marcelo, ele visa reconhecer e apoiar pesquisadores que demonstram excelência e liderança em suas áreas de conhecimento científico e tecnológico, com base em critérios como produção científica, impacto na formação de recursos humanos e contribuição para a área de pesquisa. “A aprovação de uma bolsa de produtividade para um pesquisador representa o reconhecimento do seu mérito e potencial na área de pesquisa, além de um incentivo financeiro para que ele continue desenvolvendo suas atividades com excelência. É uma forma de valorizar a produção científica, tecnológica e de inovação, incentivando a pesquisa de qualidade e a formação de recursos humanos”, explica.
Para a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unit, professora Patrícia Severino, a concessão da bolsa de produtividade da Fapitec ao professor Marcelo representa um marco importante para a área de pesquisa da instituição. “Esse reconhecimento reforça a qualidade e a relevância dos trabalhos desenvolvidos, além de atrair mais visibilidade e oportunidades para novos projetos e colaborações. É também um incentivo para toda a comunidade acadêmica, mostrando que o esforço e a excelência científica são valorizados e reconhecidos”, disse ela.
O programa é desenvolvido em parceria com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) e busca desenvolver novas técnicas de controle de pragas em cultivos agrícolas, com foco na utilização de bioinsumos com ação inseticida. O objetivo é reduzir a dependência de inseticidas químicos sintéticos, além de possibilitar atividades de transferência de tecnologia no âmbito da agropecuária e do desenvolvimento rural sustentável.
A pesquisa
O estudo apresentado pelo professor Marcelo busca desenvolver uma formulação biológica com óleo vegetal e fungo entomopatogênico para o controle de insetos praga dos citros (como laranjas, limões, tangerinas e outros) e seletividade sobre a ceraeochrysa spp, um inseto conhecido como “crisopa” ou “bicho-lixeiro”. Entre estes insetos-praga, estão a cochonilha (orthezia praelonga) e a mosca-negra do citros (aleurocanthus woglumi), que têm causado danos significativos nas culturas de citros em cidades do interior sergipano.
“O método biológico de controle das pragas, que reduz a utilização de agrotóxicos na citricultura e leva para o produtor um manejo sustentável, sem danos ao ambiente e outros organismos (insetos e microrganismos benéficos, por exemplo) que convivem com os insetos-pragas em um pomar comercial de citros”, diz Mendonça, explicando a avaliação da formulação de fungos em óleo sobre o “bicho-lixeiro”, que é um predador generalista. “Este inseto realiza o controle biológico natural de pragas dos citros. Portanto, devemos preservá-los no pomar de citros”, completa.
Ainda segundo o pesquisador, a proposta é desenvolver um produto que traga eficiência no controle das pragas e otimize a aplicação com a redução do custo da mão de obra e a aplicação de produtos distintos. “Isso visa disponibilizar para o produtor de citros, especialmente o pequeno produtor, um método biológico de baixo custo e eficiente para uso na sua propriedade. Com isso, a pesquisa já atenderá um relevante número de beneficiários, considerando que a citricultura do Estado, em sua maior parte, é produzida por pequenos citricultores que sustentam a sua família através da comercialização da laranja, limão ou tangerina”, destaca.
“A pesquisa trará impactos significativos para os cursos de graduação e pós-graduação, ampliando as oportunidades de participação dos estudantes em projetos de alto nível, com acesso a metodologias e tecnologias avançadas. Isso contribui para uma formação mais sólida e alinhada às demandas do mercado e da ciência. Além disso, fortalece a integração entre ensino e pesquisa, estimula a produção científica e amplia a visibilidade e a reputação acadêmica dos cursos”, afirma Patrícia Severino, que também participa desta pesquisa como co-orientadora e coordenadora do Laboratório de Nanotecnologia e Nanomedicina (LNMed), do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP).
O projeto de pesquisa será executado parcialmente no ITP. A outra parte acontecerá na Emdagro, onde Marcelo também é pesquisador e coordena o Laboratório de Controle Biotecnológico de Pragas (LCBiotec). Além dos dois professores da Unit, a equipe também é integrada pelas pesquisadoras Eliana Maria dos Passos, do LCBiotec, e Joseane de Jesus Oliveira, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Industrial (PBI/Unit), além de alunos de graduação em iniciação científica. Esta pesquisa, inclusive, fará parte da tese de doutorado de Joseane no PBI, cuja defesa está prevista para 2027.
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