Entregar saúde e cuidado às pessoas, principalmente as mais carentes, é o objetivo de vida e de carreira de Gabrielle Barbosa Vasconcelos de Souza, que se formou na turma 2024-2 de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit). Desde março deste ano, ela vem se aprofundando detalhadamente nos conhecimentos sobre esta missão, através do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade. O curso de especialização médica, em nível de pós-graduação lato sensu, é ministrado pela Unit no Campus Estância, com atividades práticas realizadas em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da Secretaria Municipal de Saúde de Estância.
A residente conta que o seu interesse pela área de Medicina de Família já existia, mas não estava nos planos iniciais. “Eu queria fazer outra coisa, acabei não passando [no exame] e essa residência chegou para mim no momento que eu estava um pouco perdida, sem saber o que fazer. Sempre me interessei pela área, mas nunca pensei em seguir carreira. Então eu fiz a prova meio que ‘pagando para ver’, passei e estou amando, graças a Deus. estou muito feliz nela”, lembra Gabrielle, que foi aprovada em segundo lugar na seleção para o programa da Unit.
Ela explica que o médico de família é considerado uma peça central do sistema público de saúde, apesar de também estar muito presente nos planos de saúde da rede particular. Ele é responsável por praticamente todo o trabalho de prevenção contra doenças, além de realizar o acompanhamento médico de gestantes, bebês e crianças; orientar a aplicação de vacinas e a realização de exames de rotina; e tratar doenças mais prevalentes, como infecções, diabetes e hipertensão. Ele também encaminha os casos mais específicos ou complexos para os médicos especialistas.
“Nós fazemos todo esse trabalho de base de saúde da população. A área ainda é desvalorizada profissionalmente, porém é bom lembrar sempre da importância dela. É uma área muito resolutiva, que te permite resolver 80% dos problemas de saúde da população. Então, você acaba aprendendo um pouco de tudo na residência. O que eu vou aperfeiçoar nela é toda a prática médica no geral, porque a gente atende criança, gestante, adulto, caso de pequenas cirurgias…”, descreve a residente, destacando que a Medicina de Família e Comunidade é uma área que vem crescendo muito no Brasil e em países com sistemas de saúde consolidados como referências, a exemplo do Sistema Único de Saúde (SUS).
Contato com o público
As aulas da Residência acontecem duas vezes por semana no Campus Estância, sendo uma dedicada ao conteúdo e outra à apresentação de um caso clínico (ou outro tema importante). O restante da carga horária (de 60 horas semanais) é dedicado às atividades práticas nas USFs dos bairros de Estância, acompanhadas e supervisionadas pelos médicos preceptores ligados à Unit e à SMS local. Estas atividades são marcadas principalmente pela interação com os usuários nos postos, já que os residentes participam diretamente dos atendimentos.
“Quando eu cheguei, fui muito bem recepcionada pela equipe e pelos pacientes. É valioso para a unidade ter um residente, uma pessoa que está disposta a estudar e aprender, o que acaba refletindo em uma melhor assistência à saúde da população. E eu estou aprendendo muito, tanto a parte teórica quanto a prática. Amo os meus preceptores todos, que são muito solícitos, muito inteligentes, e tiram muito as minhas dúvidas”, elogia a médica.
O curso de Residência em Medicina de Família e Comunidade tem dois anos de duração. Após isso, o médico estará habilitado a seguir atuando no mercado e também para seguir a carreira acadêmica, atuando como professor ou preceptor. Apesar de deixar a escolha para “os próximos capítulos”, Gabrielle pretende seguir nas duas áreas, demonstrando satisfação com a residência e felicidade em relação à Medicina de Família e Comunidade, especialidade da qual faz questão de destacar sua importância e relevância.
“Nem todo mundo entende a importância do que eu e meus colegas estamos fazendo, se especializando numa área tão bonita, tão nobre, social e de base, que é entregar saúde para a população e para os mais carentes. A atenção primária, que é o nível de atenção que o médico de família trabalha, tem uma coisa chamada capilaridade, ou seja, nós chegamos em espaços que ninguém mais chega. Fazemos visitas domiciliares, atendemos em povoados e chegamos aos lugares mais remotos e a gente dá saúde para a população. Isso é muito, muito importante”, frisou ela.
A importância da residência
Instituída pela Lei 6.932/1981, a Residência Médica é uma etapa de especialização destinada a profissionais graduados em Medicina e com registro nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). Atualmente, a Unit tem cinco programas de Residência Médica, que funcionam desde 2022 através do curso de Medicina da Unit em Estância. Além do de Medicina de Família e Comunidade, funcionam os de Ginecologia e Obstetrícia, Clínica Médica, Cirurgia Geral e Pediatria. Todos têm como cenário de prática, além das USFs de Estância, os hospitais regionais Amparo de Maria e Jessé Fontes, além de outros serviços de saúde em Sergipe.
Esta etapa profissional é considerada fundamental na complementação da formação dos médicos que concluem a faculdade, e que vem ganhando uma importância cada vez maior para o crescimento da carreira. “Antigamente, era medicina e direto para o trabalho, mas [hoje] já se sabe que você não tem como sair da faculdade com todos os conhecimentos consolidados. Então, é importante que em todas as áreas que o médico for atuar, ele passe pela residência para que possa dar a melhor assistência e melhor cuidado para o seu paciente. Existem residências de todas as áreas e é importante que todos os médicos façam”, recomenda Gabrielle, destacando ainda a contribuição da Unit neste sentido. “A Unit sempre foi muito exposta a ajudar, a chegar junto, contribuir para a formação”, conclui.
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